Manuel de Oliveira, recordando o seu passado motorizado, de que guarda ainda muito boas recordações, vai voltar ao documentário. Este género cinematográfico que utilizou, ainda a preto-e-branco, no princípio do século passado não lhe é, portanto, de todo estranho.
O mestre propõe-se passar para a película "As 24 Horas de Le Mans".
Em slow motion, claro.
A ideia é dar ao espectador uma noção clara da tensão no automobilismo de alta competição.
Este documentário assenta num mixing de imagens retiradas de três câmaras fixas:
Câmara 1.- Afixada no tecto da casa de banho, focando um dos urinóis.
Câmara 2.- Focando um dos painéis publicitários, a partir da pista.
Câmara 3.- Montada na vertical do bar de serviço.
E ainda um câmara móvel focando a cara do motorista do camião da Michelin ao longo de todo o evento desportivo.
Da 'câmara fixa 1' procura-se a captação de imagens de descontração e reflexão dos intervenientes. As imagens passarão com reflexões dos protagonistas sobre o fenómeno automobilístico.
Da 'câmara fixa 2' pretende-se a captação de caras que passarão em flashs no momento em que os actos mictóricos decorrem.
Da 'câmara fixa 3' apenas se retirarão duas (ou três) imagens. Pretende-se a mensagem 'a vida, como sempre...'.
A câmara móvel, essa sim, mostrar-nos-á a emoção da corrida nos esgares do camionista.
O mestre confessou-nos que este é o 'não filme' que sempre quis fazer.
Desde o filme radiofónico, do malogrado realizador da 'Casa Amarela', que não se ia tão longe: Le Mans ainda fica a mais de mil quilómetros daqui...
Publicado por Francisco Nunes em outubro 23, 2003 07:50 PM