Acordou com as 'cabeças' dos polegares castanhas.
Lavou as mãos.
Esfregou-as com uma escova limpa-unhas.
Esfregou-as com álcool.
Com líxivia.
Nada.
Repetiu enfurecidamente todas as operações atrás.
Desesperou. As 'cabeças' dos polegares continuavam castanhas.
Mirou os polegares com muita atenção.
Fê-los girar.
Rodopiar.
Clocou-os em várias poses.
-Como raio?...
Pensou...
Voltou a olhar para os dedos... não, não podia ser...
Mas as duas cabeças de polegares sujas!...
Como é que poderia ter acontecido...
Os dois polegares!?
Uma semana naquela dúvida.
Duas semanas...
Um mês.
A família levou-o ao Hospital Psiquiátrico.
-Será grave doutor?
-Há quanto tempo?...
A Mulher- Há um mês doutor, há um mês que começou a andar esquisito, olhava para os dedos, rodopiava-os, um horror!...
O médico pegou na mão do paciente com curiosidade...
-Já os tentou cortar?
-Não senhor doutor... ainda não chegou a tanto!
-Deixe-me falar-lhe.
Depois de uma conversa reservada com o paciente este apareceu sorridente ao fundo do corredor. Pelo seu próprio pé. Um pouco periclitante.
A família exultou.
-Doutor! Milagre! Milagre!
-Qual milagre?... Outro das pipocas!...
-O que quer dizer! O que devemos fazer?!
-Impedi-lo de abrir pacotes de pipocas instantâneas para micro-ondas sem luvas...