A criança estava a recriar-se.
Pintou as paredes do quarto com o guache verde alface que a tia lhe oferecera.
O pai explicou-lhe que não deveria fazer aquilo novamente.
A criança, apesar de revelar algumas reservas mentais, opinou em concordância com esta sugestão.
O menino partiu a televisão com o martelo de bola do avô.
A tia, estudante de psicologia, compreendendo embora a curiosidade natural do infante, achou por bem explicar-lhe que era perigoso o uso de objectos contundentes em casa. Depois, como o menino verificara, a explosão do ecrã poderia 'tirar a vista' a alguém.
Com cuidado apanhou o olho da avó, pô-lo no congelador, a ver se se podia fazer algo pela pobre avózinha e chamou o serviço de emergência
Dias depois atirou ao vizinho do lado uma 'flechada' que lhe varou a perna esquerda pouco acima do joelho.
A mãe obrigou-o a verificar 'in loco' a agonia do vizinho. Foi aborrecido porque o sr. Manuel se contorceu aos berros durante 45 minutos. E babava-se...
Depois a mãe levou o vizinho ao hospital e, enquanto a criança não pediu desculpa, não abandonou a cabeceira do desafortunado vizinho.
O pai explicou-lhe que aquele arco só deveria ser utilizado em espaços adequados.
Quando o menino se lembrou de atirar o colega de escola para o chão a partir de um 7º andar o professor sentiu-se culpado por não ter conseguido perceber a curiosidade enorme da criança.
Pediu a demissão e ainda se lamenta por não ter feito aquela experiência, atempadamente, com um boneco.
15 anos depois o menino matou a tiro toda a família.
O Juiz aceitou como boas as explicações do réu e mandou-o para casa.
O ex-réu, no caminho para casa, atropelou mortalmente aquele senhor catatónico que repetia:'O boneco bolas, um simples boneco...'
Fim.
Publicado por Francisco Nunes em novembro 24, 2003 10:55 PM