Tinha a espinhosa missão de premir o botão.
A excitação própria dos grandes momentos apoderou-se dele. Tremia. Suava. Tinha sede. Se lhe perguntassem, não conseguiria dizer o seu nome.
Falou demoradamente com todos os seus conselheiros.
Com o motorista, claro!.
Telefonou à mulher.
Telefonou à amante.
Telefonou aos seus amigos de infância mais chegados.
Telefonou, por fim, à imprensa.
À hora marcada dirigiu-se para o botão.
Parecia-lhe que este se ria das suas inseguranças.
Que o gozava despudoradamente. Malcriadamente.
Solene olhou para as câmaras. Estavam lá. Responsabilidade acrescida, agora.
Pareciam abutres na senda de sangue, de morte... A imprensa... cerrou imperceptivelmente os punhos. Apenas um dos ombros se agitou ligeiramente.
Era o momento:
Premiu o botão... 'CLIQUE'
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!C L I Q U E!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
luzes
LuzeS
LUzES
LUZES
LUZES
!!!LUZ!!!
Uf! Resultou! Funcionou...
Os seus pulmões refrescaram-se. tomaram ar tão repentinamente que quase desmaiou.
As luzes de iluminação natalícias funcionaram. Estavam operacionais.
Sorriam-lhe, lindas...
A família também gostou.
Ele?... Ele fazia aquilo pela cidade.
...E pelos votos da Associação de Comércio local.