dezembro 26, 2003

O Campeão Nacional de Atrelagem é Alentejano!!! Nem desconfiávamos... Pensávamos que fosse um dirigente de uma jota qualquer que tivesse este título...

Logo, logo esta notícia não nos deixou muito orgulhosos...

'' Mourense Luís Garcia:
Tricampeão nacional de atrelagem
2003-12-23 14:43:20
Até há poucos anos, Luís Garcia não adivinhava que pudesse vir a ser um grande campeão de atrelagem. Hoje, em Portugal, é um dos mais cotados praticantes mas garante que tudo aconteceu por acaso. Aos 44 anos, este mourense de gema é um caso de sucesso e quer profissionalizar-se na modalidade.''

O facto do Luís dizer que se queria profissionalizar ainda agravou o nosso pesar...
Enchemo-nos de coragem e procurámos ler o resto da notícia:

'' Pelo terceiro ano consecutivo, o mourense Luís Garcia sagrou-se campeão nacional de atrelagem, na categoria de Concurso Completo. Em 2003 conquistou igualmente a Taça da Associação Portuguesa de Atrelagem e foi o melhor português na Copa Ibérica.
Estes e outros resultados fazem de Luís Garcia um nome a ter em conta naquela modalidade hípica, em que competem carros tripulados por dois concorrentes (um condutor e um ajudante, conhecido na gíria por “groom”), puxados por um ou mais cavalos. Em apreço está a destreza do condutor e do “groom” e as qualidades do cavalo. “A atrelagem exige muito coração e capacidade física”, diz Luís Garcia, de 44 anos.
“É diferente da equitação. Montados num cavalo, podemos controlá-lo com as pernas, com o peso do nosso corpo. Na atrelagem, pelo contrário, só temos as rédeas e o chicote para comandar o animal, o que torna as coisas mais difíceis”, adianta.
Se há meia dúzia de anos lhe dissessem que viria a ser tricampeão nacional, Luís mandaria o engraçado dar uma curva. “O meu gosto por cavalos é antigo, mas a minha entrada na atrelagem é relativamente recente e aconteceu por acaso”, recorda. “Tudo começou quando Rui Rolão Preto, meu amigo de infância, me pediu que lhe preparasse um cavalo para atrelar a um carro, por sinal muito velho, que tinha comprado. Preparei-lhe dois cavalos. Engatámo-los ao carro e iniciámos os nossos treinos, com alguns acidentes pelo meio”.
Estávamos em 1996, ano em que o programa da Ovibeja incluía uma prova de atrelagem. Os dois amigos inscreveram-se, participaram e... saíram-se bem. Luís Garcia como condutor e Rolão Preto como “groom”, foram incentivados a continuar. Não se fizeram rogados. “Começámos pelas competições nacionais, que são organizadas pela Associação Portuguesa de Atrelagem (APA), que decorrem, quase todas, no Ribatejo: Golegã, Santo Estevão, Companhia das Lezírias, Santarém. O que é pena, pois a modalidade merecia ser divulgada no sul do País”. E não houve já tentativas? “É verdade que sim”, reconhece Luís Garcia, “mas o que vemos actualmente é que a atrelagem desapareceu da Ovibeja. Há três anos tentou-se organizar um concurso em Évora, mas a organização era fraca e a iniciativa não resultou”.
Ao contrário do que sucede noutros desportos, o campeonato nacional de atrelagem não resulta do somatório das várias competições realizadas durante a época. O título de campeão joga-se numa única prova, escolhida pela APA. As classificações obtidas pelas equipas nos vários concursos contam para uma competição secundária, a Taça APA. Em 1996, o campeonato efectuou-se na Golegã. A dupla de estreantes Garcia/Rolão Preto obteve, logo nesse ano, a medalha de bronze. “Nos dois anos seguintes não ganhámos nada, mas em 1999”
A Atrelagem Azeite de Moura DOP, assim se chama a equipa formada por Garcia e Rolão Preto, especializou-se na disciplina de Concurso Completo, que engloba três provas: ensino, maratona e maneabilidade. “O ensino consiste em percorrer um determinado traçado, sem erros”, explica Luís Garcia. “Os juizes avaliam a perícia do condutor, o modo de andar do cavalo, a forma como este muda de velocidade. Num certo ponto do percurso, o cavalo pode ter que acelerar; logo a seguir pode ter que andar a passo ou imobilizar-se durante alguns segundos”.
A maratona é considerada a prova rainha, pela emoção que o galope dos cavalos proporciona. É disputada em percursos de 15/16 km, divididos em várias fases, nas quais o cavalo tem que trotar, galopar e andar a passo, assim como ultrapassar obstáculos. “Para suportar as diferenças de andamento, o animal tem que ser um atleta”, frisa Luís Garcia. O concurso encerra com a prova de maneabilidade. “Temos que percorrer, o mais depressa possível, um trajecto delimitado por cones que têm uma bola no topo, procurando não as derrubar”. No ensino e na maleabilidade, a apresentação dos concorrentes é tomada em conta. “Somos obrigados a usar luvas, gravata, chapéu ou boné e um avental de protecção, semelhante ao que os cocheiros utilizavam”. São ainda julgados os arreios, a limpeza e o estado geral do carro. “O júri analisa até as lanternas: a vela tem que estar queimada e pingada de cera”. Minúcia em excesso? “Talvez”, admite Luís Garcia. “Mas faz parte da tradição e é bonito vê-la respeitada”.
Luís Garcia orgulha-se de afirmar que todos os seus cavalos são nascidos e criados no concelho de Moura. “Dá-me gozo pegar num animal em bruto e fazê-lo à minha medida. E vê-lo depois bater-se em pé de igualdade com cavalos ingleses, alemães, holandeses, e conseguir vencê-los”. Cita o exemplo de Quiçá, “considerado inicialmente um cavalo de refugo, sem qualidades visíveis”. Nas mãos de Luís, a “pedra” Quiçá transformou-se num diamante, campeão nacional em 2003. Quiçá, tal como o Picasso e o Oríon, campeões em 2001 e 2002, “são cavalos característicos da nossa região, rústicos, robustos, que não requerem grandes requisitos de tratamento. São, no fundo, mais um produto em que o Alentejo tem qualidade e que deve aproveitar”.
A mais importante prova em que Luís Garcia e Rui Rolão Preto participaram, “foi o Campeonato Mundial de 2002, em Conty, no norte de França. A viagem foi dura, 2200 quilómetros por estrada, mas a experiência foi inesquecível”. Estiveram presentes 60 condutores, em representação de 23 países. Garcia, que foi o primeiro português a ser seleccionado para um campeonato mundial na classe de um cavalo, classificou-se em 42º. “Além dos ensinamentos que colhemos, constatámos a enorme popularidade que a atrelagem goza em países como a Alemanha, Holanda, Bélgica, Suécia, Polónia, Hungria. Na Europa de Leste, então, é um desporto popularíssimo. As equipas levam claques com bandeiras, tambores, apitos. Só visto!” A dupla portuguesa participou também em concursos no país vizinho, nomeadamente em Dos Hermanas, Jerez de la Frontera, Cádiz e Vejer de la Frontera. Em 2002 e 2003, Garcia obteve o 2º lugar, na classe de um cavalo, na Copa Ibérica, um torneio que envolve provas em Portugal e Espanha.

A atrelagem “já foi mais” elitista

A atrelagem é um desporto elitista? “Já foi mais”, responde Luís Garcia. “Hoje em dia, ter dinheiro não é decisivo. Claro que o investimento inicial num carro, num cavalo, em arreios, custa sempre. Mas o que importa efectivamente é os sacrifícios que estamos dispostos a fazer: o treino, o trabalho com os cavalos. Quando se atinge determinado patamar, surgem os patrocínios. Somos patrocinados pela Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos, um apoio que se tem revelado importantíssimo. Quando fomos a Conty, a única ajuda foi a da Cooperativa”.
Os veículos usados na prática da atrelagem recriam antigos modelos de carros de cavalos: breques, breques-wagonettes, “spiders” (aranhas), etc. Mas de acordo com Luís Garcia, as semelhanças com os originais são apenas aparentes. “As manobras que praticamos exigem carros seguros. São feitos em metal, têm travões de disco às quatro rodas, uma boa suspensão”. Luís importa os seus veículos da Polónia, por razões de preço. Mesmo assim, “um carro de maratona custa entre três a quatro mil euros e um de ensino atinge facilmente os seis mil euros”.
Moralizado pelos resultados conseguidos e pela selecção para o Campeonato Mundial de 2004, a disputar na Suécia, Luís Garcia quer profissionalizar-se como praticante de atrelagem. Até Fevereiro, quando se inicia a nova época, pode ser visto a treinar nas “pistas” dos arredores de Moura: olivais declivosos, nos quais inventa obstáculos para fazer rodar o Quiçá, do Picasso e do Oríon, “atletas de alta competição cuja forma não pode ser descurada”.''

Entrevista de Alberto Franco texto

Afinal referia-se a outros cavalos...

Publicado por Francisco Nunes em dezembro 26, 2003 07:39 PM
Comentários

2004 também têve um campeão alentejano em atrelagem de singulares: Jorge Baixo

Afixado por: dbaixo em janeiro 20, 2005 02:34 PM

informações sobre o campeonato de atrelagem de 1990 e seguintes até 1994. onde posso conseguir a informação?

Afixado por: PEDRO em julho 19, 2004 04:34 PM

ainda bem que se divulga alguma coisa sem ser futebol. queria também pedir ajuda pois necessito de informações sobre os vencedores do campeonato de atrelagem de 1990 a 1994 (quem foram os vencedores). obrigado pela atenção. sem mais assunto despeço-me

Afixado por: pedro em julho 19, 2004 04:31 PM