dezembro 31, 2003

Ainda o Post de 7 de Dezembro 'A Siza o que é de Siza...'

Um leitor nosso chama-nos à atenção para os preconceitos de construção existentes em Lisboa ao não ser permitida a construção deste edifício próximo do Sheraton.

A propósito de preconceitos de construção...
Aqui perto de nós, em Beja, construiu-se uma Casa da Cultura. O edifício desta Casa, em Beja, é de um dogmatismo teórico a toda a prova:
1º dogma- A arquitectura alentejana assenta na arquitectura árabe. FALSO! A arquitectura árabe é uma das várias cambiantes da arquitectura mediterrânica.
- Dependendo da primeira premissa, a segunda: As abóbodas árabes tinham uma função térmica. FALSO! As abóbodas mediterrânicas não tinham só uma função térmica (para refrescar o ambiente 'empurrando o ar quente para o espaço das cúpulas') Tinham uma função estrutural. Antes do cimento armado as abóbodas eram uma forma de vencer vãos de uma forma segura. No Alentejo, ironicamente, as abóbodas eram feitas sempre rebatidas; quer dizer, depois de 'lançadas' rebatiam-se logo nos primeiros passos de construção. Não tinha, portanto, a sua construção que ver com questões térmicas...
- As condições térmicas do Alentejo são idênticas às condições do Norte de África. FALSO.

Estes dogmas, em sentido lato, assentam no seguinte:
O Islamismo influenciou mais o Alentejo do que a Igreja. Falso: é dificilmente mensurável a forma como o Alentejo foi influenciado pelo Mundo Romano (de que fazia parte integrante), pela Igreja, que segundo Cláudio Torres fez o seu percurso no Ocidente Peninsular de Sul para Norte e pelo Islamismo...

É para nós evidente que:
-O Monte Alentejano tem mais de romano do que de árabe ou norte-africano.
-Os arcos islâmicos no Alentejo contam-se pelos dedos das nossas mãos.
-Os doces alentejanos são conventuais.
-Os pratos típicos recorrem ao cabrito mas também ao porco.
-O cante tem mais de gregoriano do que qualquer outra influência...
Por outro lado, os 'senhores da verdade' insistem em esquecer o cimento: Só se pode fazer arquitectura tradicional com materiais tradicionais. A maior parte das obras feitas 'debaixo da batuta' destes senhores são deprimentes porque 'a bota não joga com a perdigota'. Insistem em fazer casinhas em tijolo e cimento armado, pintadinhas (sublinhamos pintadinhas -não caiadas-)de branco e azul, em dois pisos com garagem e acesso ao 1º piso no rés-do-chão... no vão de escada há sempre uma botija de gás... Tipical in did!

A casa da Cultura em Beja... um atentado!
Experimentem passar lá, por estas noites de Inverno:
!!!!!!!!!!!!ESCANDALOSA E PERFEITAMENTE INÓSPITA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Paulo,
obrigado pela tua colaboração, o teu texto segue abaixo...

Mais uma prova do tabu com as torres em Lisboa, desta vez numa zona ideal para alguma construção em altura. o arquitecto Graça Dias fala muito nisso. Falo do Edifício "Compave", chumbado em 2001, do arquitecto Ricardo Bofill, 105m para a Avenida Fontes Pereira de Melo, bem perto do hotel sheraton.
site: http://www.bofill.com/change/website-ingles/index2.htm

imagens:
http://www.bofill.com/change/proyectos/compave/compave03.jpg

planta: http://www.bofill.com/change/proyectos/compave/compave02.jpg

Publicado por Francisco Nunes em dezembro 31, 2003 12:40 AM
Comentários

Concordo e assino por baixo...especialmente, em relação à Casa da Cultura.

Afixado por: ao_sul em dezembro 31, 2003 11:28 AM

No estrito Casa da Cultura estou perfeitamente de acordo. Mau projecto, má construção e má funcionalidade. Em suma uma fraude!
Relativamente ao resto da conversa, há uns senãos.
Um dia destes de roda de um ou vários tintos digo de minha justiça.

Compadre, que o novo seja menos magano!

Afixado por: Isidoro de Machede em dezembro 31, 2003 02:22 AM