janeiro 19, 2004

O Ideias Soltas acha que devemos falar da Regionalização...

Para já, e numa primeira análise, a nossa opinião sobre este tema é o seguinte:
A Regionalização em Portugal tem sido um fracasso. É um fracasso.
A Regionalização em Portugal tem dado alma ao caciquismo mais hediondo que se pode imaginar.
Estranhamos, a este propósito, que os olhos dos regionalistas, apesar de bem intencionados, estejam cegos ao que se passa na Madeira. Ao que, de uma forma menos acentuada, se passa nos Açores.
Se fôssemos (muito) religiosos falaríamos da teoria das emanações de Plotino...

Na melhor das hipóteses a regionalização lembra-nos aquele pai que deu, há uns anos largos, 5 tostões ao filho para que se divertisse, sem exageros, na feira da terra. Antes de lhe passar o dinheiro para a mão explicou-lhe o que considerava excessos durante meia hora.
Esta criança tem hoje tem 60 anos e é um homem traumatizado...

Agora a sério, e respondendo ao Ideias Soltas, não há politiqueirice nenhuma, pelo menos da nossa parte... A Regionalização, para nós, é um filme já visto e, pior, antevisto.
O Ideias Soltas refere-se ao artigo do Pita Ameixa no Diário do Alentejo...
Zero.
O artigo do Pita Ameixa é Zero!
O homem defende o desenvolvimento da Comunidade Urbana do Baixo Alentejo mas a partir da Associação de Munícipios já existente.
Atenção, a Associação agora não funciona porque não tem liderança.
Quer dizer, a associação (ou a Comunidade) só seria produtiva e boa se fosse ele (pensamos nós) a mandar...
O Pita queixa-se do fracasso da Regionalização a sério, esquece-se que foi o seu partido que fez finca pé na repartição do Alentejo.
E para quê esta divisão do Alentejo?
Porque, na óptica de qualquer politicozeco, acima de tudo, o poder não se divide: Toma-se.

Falemos de 'massa crítica'. Uma Região tem que ter 'massa crítica'. Tem que ter gente livre em número suficiente para que se discuta, se trabalhe em prol dessa área sem ligações esquisitas entre grupos, sem caixinhas...
Ora Portugal é um país pequeno. Reduzido. Funciona ele próprio como uma Região. Os nomes que ainda hoje dominam a vida pública já vêm das Guerras Liberais. Não tem havido renovação de gentes, de forças... Nada! Mesmo nada de novo se passa neste país.
Imagine-se, com o espírito 'caciqueiro' que domina a nossa vida pública esta situação ainda reduzida a uma pequena área...
De fugir! (Como apetece já tantas vezes...).

Mas, por bondade, pensemos na regionalização como um dado adquirido.
Esta deveria ter uma Universidade com intelectuais e estudiosos residentes. Com cientistas que trabalhassem em prol da Região... Falamos da universidade de Évora.
Deveria ter uma vida económica mínima. Não percebemos, mais uma vez, a necessidade de fraccionar o nosso Alentejo.
Falemos de Beja... do Distrito de Beja mais o Litoral Alentejano. Em termos económicos só há um pólo industrial: Sines.
E que cegueira não verificar que Mora tem mais que ver com Barrancos do que Moura tem que ver com Sines! Para quê a divisão do Alentejo? Han? Tachitos?...
Claro!...

Assim uma Região Alentejo deveria ter coesão territorial, viabilidade económica, cultura própria e uma massa crítica activa e residente, uma cultura universitária autónoma e uma vida política desvinculada de 'caixinhas'...

Publicado por Francisco Nunes em janeiro 19, 2004 11:33 AM
Comentários

Concordo em parte com o que expressa neste seu artigo. O que me parece é que se começa a pôr o sol- se começa a fazer tarde - e a gente não consegue sair da cepa torta. Se há uns anos me parecia difícil admitir um Alentejo uno, hoje vou vendo com outros olhos essa solução. Só que a maré tem muitas correntes. Veremos qual é a que nos vai trazer prosperidade e desenvolvimento.

Afixado por: nikonman em janeiro 20, 2004 12:13 AM

PS. Quanto ao Pita Ameixa ou ao Pita Batata. Estou como dizia o outro: deixe-os pousar!

Afixado por: Isidoro de Machede em janeiro 20, 2004 12:06 AM

Compadre,

com regionalização ou com o Terreiro do Paço, caciques, sempre haverá até um dia... que certamente não será nos meus dias. A porra é a cultura, a culturazinha, mas isso era coisa para demorar a discutir a demora que levaríamos a beber a adega cooperativa de Reguengos. O que um dia teremos incontornavelmente que fazer...
Quanto ao gajo dos cinco tostões. Sacamos o picão, fazemos ouvidos moucos à moral e toca a divertir. Caso não, passamos a vida à espera dos sapatos do defunto!
Se não for o Pita Ameixa é o Pita Batata.
Não gostando muito de brasileiros (trabalhei com eles um ror de tempo) e conheço a coisa mais ou menos, mas já agora conto-lhe uma interessante dos ditos. Aquando do golpe de estado frustrado de 50 e coisa, dois brasileiros encontram-se no tamborete (bar) no dia seguinte:
- Ontem parece que quiseram fazer um golpe de estado?
- Um golpe de estado. E pra quê?
- Pra meterem o comunismo!
- Ora, deixa vir ele que a gente depois avacalha!
Quanto à divisão do Alentejo, isso nem pensar. Se com 500 e tal mil já é um problema, então era a região da minha quinta e da do outro e mais do outro.
O Alentejo vale uno e indivisível. Caso assim não seja, divide-se a pouca massa mas a da crítica.

Até mais ver
Isidoro de Machede

Afixado por: Isidoro de Machede em janeiro 20, 2004 12:01 AM

Concordo quase a 100% com o que li! Parabéns pelo artigo.

Afixado por: canzoada em janeiro 19, 2004 10:33 PM

Não estou de acordo com tudo o que afirma mas, na generalidade, a evidêcia coloca-me muito perto da suas ideias, em especial no que concerne às regionalizações/descentralizações por medida que mais não servirão que servir clientelas partidárias, quanto à inoperacionalidade que Pitta Ameixa conduziu a AMDB e à sua insaciável sede que liderança e, fundamentalmente à ausência de chamada massa crítica, que poderá não estar sequer nas Universidades e Politécnicos, afinal o grande défice do qual todos os restantes derivam.

Afixado por: carlos a.a. em janeiro 19, 2004 12:33 PM