janeiro 24, 2004

3tesas, PCP e Liberdade de Imprensa/Expressão

A última posta do 3tesas está interessante. Problematiza o actual mundo da chamada blogosfera, a liberdade de expressão e o PCP.
Parece-nos que o 'Ah Mê Rico Partidinho', como algumas velhotas nossas conterrâneas se lhe referem, está aqui essencialmente como a imagem que nos ilustra o medo e a aversão de muita gente à liberdade de expressão.
Esta é uma das controvérsias que mais tinta e 'bits' tem feito correr nos últimos tempos.
Concordamos que hoje se abusa, melhor, se usa mal, a liberdade de expressão.
Ignorada pelos seus colegas, há três ou quatro dias, a jornalista Diana Andriga culpou-os das 'nuvens negras' que se têm adensado sobre a 'Liberdade de Expressão' vigente.
A mesma senhora referiu-se ao 'jornalismo de sarjeta' a propósito da forma como tem sido tratado o 'caso Casa Pia'.
Alertou para a necessidade de se pensar a notícia.
Disse o óbvio.
Reflexos desta intervenção no meio jornalístico... Zero! Nada!
Estranho que muita gente não queira ver esta realidade... Muito estranho... Muito estranha e muito corporativa esta cegueira!
Um senhor nosso conhecido com quem, em conversa de café, falámos deste tema fez um ar ligeiramente conspirador, baixou o tom de voz, colocou os ombros quase ao nível do tampo da mesa e, depois de ce certificar que ninguém o escutava, sussurrou:
-Fome, isso é tudo fominha... - repetiu soletrando- Fo-miiii-nha!
Pode não ser fome, nem 'fominha'... (esperemos francamente que não seja!) mas é francamente necessidade. Necessidade de manter o posto de trabalho. Necessidade de assegurar determinados níveis de audiência... A concentração em poucas mãos dos media ditam este tipo de regras.
É também necessidade de poder! É, em muitos casos, um problema do foro psiquiátrico
Mas, e isto também é estranhíssimo, o que faz o sindicato deste profissionais? Nada!
E este sindicato deveria fazer alguma coisa... é um sindicato!
Ou não?...
É o sindicato de uma classe profissional que não tem Ordem, pelo que maiores são as suas responsabilidades quanto às questões éticas!
Mais grave que isso, a não assumpção de responsabilidades éticas põe em causa, diremos: com 'toda a lógica', a bondade da 'Liberdade de Imprensa'.
A sensação de poder que muitos 'jornalistazecos' gozam quando reparam no medo que os políticos têm da 'sua pena' pode ser, a prazo, um tiro pela culatra.
Para já, mais esquisito ainda, são atacados os blogues.
Os blogues são, na boca de políticos de fraca inteligência e pouca honestidade, um perigo para a democracia.
Não são!
Mas são um óptimo começo... Um princípio. Um pretexto. Primeiro os blogues, depois...
Os leitores mais pachorrentos e simpáticos que conseguiram seguir-nos até aqui perguntam-se, e nós compreendemo-los, sobre aquilo que realmente pensamos...
Pensamos que não se abusa da liberdade de imprensa. Essa expressão é uma impossibilidade: ninguém tem excesso de saúde, ou de felicidade, ou de gravidez...
Muitas vezes usa-se muito mal, excessivamente e abusadoramente mal, a Liberdade de Imprensa. Este comportamento pode, a prazo, comprometer todos aqueles que vivem da informação (os jornalistas) e todos aqueles que gostam de comunicar... Todos nós!...

Publicado por Francisco Nunes em janeiro 24, 2004 05:57 PM
Comentários

Em cheio, ou melhor, como se costuma dizer na "mouche". No entanto certos relatos que fazem
notícia têm por vezes só um objectivo. Vender. E
isso é grave e há que por cobro a essa atuação.

Afixado por: congeminações em janeiro 24, 2004 11:16 PM

Muito bom, muito bom! É isso precisamente que eu penso.


Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em janeiro 24, 2004 08:38 PM