A última posta do 3tesas está interessante. Problematiza o actual mundo da chamada blogosfera, a liberdade de expressão e o PCP.
Parece-nos que o 'Ah Mê Rico Partidinho', como algumas velhotas nossas conterrâneas se lhe referem, está aqui essencialmente como a imagem que nos ilustra o medo e a aversão de muita gente à liberdade de expressão.
Esta é uma das controvérsias que mais tinta e 'bits' tem feito correr nos últimos tempos.
Concordamos que hoje se abusa, melhor, se usa mal, a liberdade de expressão.
Ignorada pelos seus colegas, há três ou quatro dias, a jornalista Diana Andriga culpou-os das 'nuvens negras' que se têm adensado sobre a 'Liberdade de Expressão' vigente.
A mesma senhora referiu-se ao 'jornalismo de sarjeta' a propósito da forma como tem sido tratado o 'caso Casa Pia'.
Alertou para a necessidade de se pensar a notícia.
Disse o óbvio.
Reflexos desta intervenção no meio jornalístico... Zero! Nada!
Estranho que muita gente não queira ver esta realidade... Muito estranho... Muito estranha e muito corporativa esta cegueira!
Um senhor nosso conhecido com quem, em conversa de café, falámos deste tema fez um ar ligeiramente conspirador, baixou o tom de voz, colocou os ombros quase ao nível do tampo da mesa e, depois de ce certificar que ninguém o escutava, sussurrou:
-Fome, isso é tudo fominha... - repetiu soletrando- Fo-miiii-nha!
Pode não ser fome, nem 'fominha'... (esperemos francamente que não seja!) mas é francamente necessidade. Necessidade de manter o posto de trabalho. Necessidade de assegurar determinados níveis de audiência... A concentração em poucas mãos dos media ditam este tipo de regras.
É também necessidade de poder! É, em muitos casos, um problema do foro psiquiátrico
Mas, e isto também é estranhíssimo, o que faz o sindicato deste profissionais? Nada!
E este sindicato deveria fazer alguma coisa... é um sindicato!
Ou não?...
É o sindicato de uma classe profissional que não tem Ordem, pelo que maiores são as suas responsabilidades quanto às questões éticas!
Mais grave que isso, a não assumpção de responsabilidades éticas põe em causa, diremos: com 'toda a lógica', a bondade da 'Liberdade de Imprensa'.
A sensação de poder que muitos 'jornalistazecos' gozam quando reparam no medo que os políticos têm da 'sua pena' pode ser, a prazo, um tiro pela culatra.
Para já, mais esquisito ainda, são atacados os blogues.
Os blogues são, na boca de políticos de fraca inteligência e pouca honestidade, um perigo para a democracia.
Não são!
Mas são um óptimo começo... Um princípio. Um pretexto. Primeiro os blogues, depois...
Os leitores mais pachorrentos e simpáticos que conseguiram seguir-nos até aqui perguntam-se, e nós compreendemo-los, sobre aquilo que realmente pensamos...
Pensamos que não se abusa da liberdade de imprensa. Essa expressão é uma impossibilidade: ninguém tem excesso de saúde, ou de felicidade, ou de gravidez...
Muitas vezes usa-se muito mal, excessivamente e abusadoramente mal, a Liberdade de Imprensa. Este comportamento pode, a prazo, comprometer todos aqueles que vivem da informação (os jornalistas) e todos aqueles que gostam de comunicar... Todos nós!...
Em cheio, ou melhor, como se costuma dizer na "mouche". No entanto certos relatos que fazem
notícia têm por vezes só um objectivo. Vender. E
isso é grave e há que por cobro a essa atuação.
Muito bom, muito bom! É isso precisamente que eu penso.
Um abração do
Zecatelhado