janeiro 31, 2004

Vende-se!

Oh pá...
oh pá, eu quero um monte no Alentejo.
Quero ter uma cerca com um portão grande e imponente.
Quero rodas de carroça pintadas.
Quero acordar a ouvir os passarinhos.
Quero talhas de vinho com flores.
Sabes... sonhei que iria ter um monte...
Com chaparros e azinheiras (mais azinheiras que chaparros).
As minhas amigas invejar-me-iam.
Uma cerca grande.
Mostrar-lhes-ia fotografias...
Flores e rosmaninho em talhas.
Comigo a cavalo.
Com perdizes e coelhos.
É tão chique ter um monte.
Com caseiros. Marido e mulher.
Com dois cavalos, ou mais...
Zé e Maria.
Algumas ovelhas (uma tem que ser preta para gozar com a coisa) e três cabritas.
E quero um jeep.
Verde.
E tu...
Ou amarelo.
Tu deixas crescer as patilhas - agora usa-se outra vez.
Não, verde ou cinzento.
Eu usarei calças de ganga e mocassinas ou sapatos de pano e borracha.
Convidamos amigos para ir ao monte.
Compramos botas e calças de montar.
Fazemos caçadas.
Os caseiros fazem refeições tipicas.
Com azeite, alho e pão (aquelas coisas...).
Agora é que vamos apreciar a vida...
Oh pá!
Tanta coisa pá!
O monte cheira a cavalos, a ovelhas, a cabras, a suor e a mofo.
Cheira a merda e a mofo...
Bolas pá!

Publicado por Francisco Nunes em janeiro 31, 2004 07:31 PM
Comentários

Se fosse feita uma auditoria aos montes dessa burguesia,constactava-se que boa parte deles pertenciam à CEE/UE.

Afixado por: daniel tecelão em janeiro 31, 2004 10:29 PM

Pois, é esse o espírito dessa cáfila.


Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em janeiro 31, 2004 07:58 PM