O ensaísta Eduardo Lourenço discorre hoje sobre o 'deprimismo' nacional na Visão. Refere Junot, refere Godoy, refere fantasmas antagónicos nos seus actores e nas suas motivações -Aljubarrota e os Filipes - , cita o director do Expresso, O Vasco Pulido Valente, o Ortega y Gasset e conclui: 'Nós, no melhor dos casos, só sabemos o que não queremos. Estamos de novo simbolicamente sós. não é culpa de Espanha. Só nossa.
Se não queremos que um novo sonho de Junot nos converta em túnica jogada ao dados pelos senhores do mundo, devemos reinventar a barca que nos leve à única Índia que nos assegura a sobrevivência. Por sorte nossa já existe: chama-se Europa. Mas o nosso entusiasmo para embarcar nela é nenhum ou fictício. Pior para nós.'
Não sabemos se as nossa dúvidas e hesitações têm que ver com o Velho do Restelo ou se com Gil Vicente... A expressão 'fumos da Índia' não produziu nunca tanto efeito como o Velho do Restelo. Se calhar ainda não aprendemos a lição:
As riquezas fáceis são como a honra, é mais fácil e dá menos trabalho conquistá-las que mantê-las. Fumos da Índia...
Fala-se pouco do que Eduardo Lourenço escreve. Não é grave, grave será se não meditarmos no que ele escreve.
Se não o fizermos acabaremos como fizemos com o Agostinho, não lhe ligamos peva enquanto vivo, coitadito, é lunático, e depois de morto foi um ver se te avias a editar e esgotar as suas obras. Mas, ainda assim, não vejo muitos efeitos dessas leituras.
Abraço
Afixado por: carlos a.a. em fevereiro 20, 2004 11:30 AM