Umas postas abaixo perguntámos se o Pós Modernismo não era um embuste.
É um embuste. Claro!
A história daquela cadeira a que acediam estudantes de medicina e de farmácia, simultaneamente, prova, de uma forma muito chitosa e injusta para os licenciados em farmácia que conhecemos, que o conhecimento é sempre passível de transmissão.
Numa dessas aulas, a determinada altura, mais afoito, um estudante de farmácia, levantou-se e, respeitosamente, solicitou ao dono da cátedra que tivesse pena dos alunos de farmácia e fosse mais 'terra-a-terra' na terminologia utilizada.
A partir desse momento o catedrático expressou-se em duas línguas:
-Os intestinos, para os senhores de farmácia, as tripas; cumprem a sua função digestiva, para os outros senhores, transformam em merda...
Chomsky, que não é propriamente um 'reaccionário', refere, com toda a verdade, que aquilo que não é conhecido não pode ser expresso com palavras simples. Com termos acessíveis.
Desconfiávamos disso...
O nosso Carrilho cita frequentemente Derrida, Lacan, Lyotard, Kristeva. Especialmente os três primeiros. Os seus autores de referência são da chamada 'Escola de Paris'.
Esta escola, vai, em certa medida baseada no velhinho David Hume e mesmo em sociólogo franceses de nomeada, procurar um discurso novo de poder.
A procura de um discurso que 'molde as massas' aos desígnios e projectos de uma elite bacoca e circunscrita de iluminados que dão carga ideológica, onde ela não existe, a políticos medíocres, garantindo assim relações de poder dúbias entre a inteligentzia e o Poder. Isto em termos políticos.
A mesma Escola gosta de criar dogmas e teorias educacionais. Umas já testadas na América com um completo inêxito, outras de gabinete... É esta Escola que fornece 'gurus' a todos os docentes das Eses e das pedagógicas nas faculdades e universidades lusas.
Nós, em Portugal, com a simplicidade que nos caracteriza, gostamos de 'aplicar' todos estes discursos fechados e verborrosos de 'trus', por 'moda'.
Provincianismos.
Acontece que, como alguém disse, estas teorias organizadoras e estruturantes caiem muito facilmente num reaccionarismo perigoso.
Para ilustrar a profundidade de análise a que o Pós-Modernismo pode sujeitar a realidade clique aqui. Uma verdadeira pérola discursiva...
Publicado por Francisco Nunes em fevereiro 25, 2004 05:11 PMConheço mal Noam Chomsky, e quanto à corrente de filosofia alemã e francesa conhecida por "teoria critíca", não conheço rigorosamente nada (e não estou nada preocupado com isso).
Para sentir o respirar da consciência humana que em mim palpita, e desejar interrogar-me até que o pensamento me doa, dispenso influências de limpidez duvidosa (da mesma maneira que evito matar a sede com água turva).
Procurar e partilhar conhecimento, estar atento aos problemas (dúvidas, incoerências, atrocidades, etc...) contemporâneos, e sentir necessidade de aprofundar e tornar mais intelígivel a realidade que me rodeia, é para mim fundamental.
A literatura, a filosofia, a poesia, a música (enfim a cultura e a arte) fazem parte do jardim que tento cultivar com carinho e dedicação, e gosto de ter um sacho à mão sempre que um amigo oferece uma nova planta, ou um desconhecido sugere algo de interessante. Mantenho o jardim vigiado, e procuro estar atento a eventuais infestações, para além disso, tento compreender as incompatibilidades inatas ou adquiridas que por vezes surgem exactamente em espécies insuspeitáveis. Sempre que se torna necessário substituo algumas espécies, replanto outras que apresentam problemas de sobrevivência, e por aí fora, de maneira a que o jardim vá ficando mais belo ao meu olhar e se possível encantador ao olhar alheio.
Que mais posso eu acrescentar?
É com prazer crescente que leio as postas e sugestões do Francisco, e se não comento com maior assiduidade, isso deve-se à mania perfeccionista que me obriga a gastar muito tempo para construir uma simples frase, que ainda por cima muitas vezes não passa de uma lástima.(pode crer que tento o meu melhor)
Um abraço
Rodrigo Ribeiro
Afixado por: Rodrigo Ribeiro em fevereiro 29, 2004 07:44 PMO Francisco hoje conseguiu ler a minha entrada, antes de eu a considerar pronta (costumo editar a entrada porque gosto de ler a mesma no formato final, e aproveito para corrigir alguns erros mais flagrantes).
Ainda que tenha lido o seu texto, comentá-lo-ei mais tarde.
Um abraço
Rodrigo Ribeiro
Afixado por: Rodrigo Ribeiro em fevereiro 25, 2004 11:38 PMSem desmerecimento da sabedoria Carrilhana, ocorre-nos que o mesmo brilharia se porventura
enveredasse por uma carreira de delegado de propaganda médica. É que a alguns dos que andam
na actividade, já lhes começa a faltar algum poder de argumentação e possívelmente o dito filósofo convenceria mais fácilmente um clínico
mais renitente na sua opção farmacológica.