mais um pouco da Romana:
Com um abraço à Dunya, à 'patroa' do Vítor e ao próprio...
'A chuva sobre o templo de Júpiter
A chuva fina a cair sobre as telhas de bronze dourado do templo de Júpiter Capitolino.
Primavera Romana
A primavera desalojou-nos das encostas do Janículo. Quarenta galeras, cento e dez pessoas vagueando pelos caminhos.
Outras considerações sobre a primavera romana
A primavera reavivou as cores e deu uma nitidez especial aos sons. Limpou-se a ala meridional da 'villa'. Decoraram-se as salas. Preparou-se a divisão que Publius Saufeius vai ocupar durante todo o verão. Depois os escravos, as servas e os jardineiros ocuparam-se da parte ocidental do edíficio, onde ficam os meus aposentos. Os pintores restauram tudo e penduram-se novos panejamentos. Os gonzos dos portais funcionam sem ruído. Com muita habilidade, os ladrilhadores reconstruíram o chão. O cheiro era incomodativo, mas não consigodizer o que me fazia lembrar. Sentia um certo aperto na garganta. Assim como um pequeno escravo de seis colheitas, de barriga encostada ao parapeito do poço, que puxa penosamente a corda do balde e ainda não consegue vê-lo na fria escuridão. Os braços nus e débeis conhecem-lhe o peso, o eco das pedras húmidas concede um relevo desmesurado aos choque da corda que segura e às chapadas de água que voltam a cair ruidosamente, após uma espécie de espera, no lençol subterrâneo; mas o que se puxa, o que se vai içando, o que se traz não tem forma.
O cheiro de Nasica
Nasica veio visitar-me. A conselho de Melania tinha-se tornado cristã e foi ungida pelo oficiante sob o nome de Paulina. De repente, não pude deixar de lhe dizer:
-Cheiras muito mal. Vai consultar Sotodés.
Paulina afirma que o corpo de uma virgem não deve conhecer mais de uma vez por semana a solicitude curiosa e por vezes impudica dos gestos de limpeza. 'O corpo é uma imundície', disse ela. A rir-me, não evitei retorquir-lhe que bastava vê-la para lhe dar razão. Não ousei interrogá-la sobre uma sua mania que pouco tem a ver com esse corpo consagrado aos deuses, intocado e tresandando a porcaria. Porque faz ela o gesto, quando se senta, de sacudir o pó ao sítio onde vai sentar-se? Devia era sacudir o pó às nádegas.'
Agradecimentos duplos ao Francisco.
Afixado por: vmar em março 21, 2004 08:57 PMO Rodrigo não encontrou os comentários porque também não gostei daquela posta. Apaguei-a. E se tivesse que a comentar tê-la-ia comentado como o Rodrigo comentou...
Um abraço,
Francisco Nunes
Este comentário dirige-se à penúltima posta "Valha-nos um burro aos coices" por não ter conseguido usar a janela de comentários da respectiva entrada.
Como ainda não estou completamente desiludido comigo, e alimento a intenção (creio que honesta), de me "aperfeiçoar" enquanto por aqui andar; e ainda tentar, se possível for, espalhar sementes de fascínio pelo fenómeno deslumbrante que é a vida micro e macroscópica, o resto virá por acrêscimo, não desistirei de ânimo leve de ser membro da Humanidade, mesmo quando essa "entidade" de uma heterogeneidade quase abstracta aparente não fazer sentido.
Quando individualmente adoptamos uma atitude cínica de superioridade intelectual, e passamos a considerar o tema «Humanidade», como algo desprezível, estamos a deitar fora o nosso próprio filho, juntamente com a água do banho, porque a humanidade representa a seiva irrequieta do conhecimento intemporal, alimento espiritual sem o qual a criatividade e a comunicação seriam actos de uma esterilidade execrável.
Cordiais saudações
Rodrigo Ribeiro
Afixado por: Rodrigo Ribeiro em março 21, 2004 11:26 AM