março 29, 2004

Os terroristas islâmicos não aprenderam todas as lições dos seus mestres...

Após a morte de Maomé os dignitários e familiares do Profeta, levados pela cobiça e pela ambição pelo poder, começaram a reter na sua mão os 'frutos' que a Expansão do Islão lhes oferecia.
Bem cedo os ensinamentos do Corão foram esquecidos, adulterados e subvertidos em proveito de alguns.
A esta situação opôs-se um movimento de purificação que ficará para a posteridade como 'Xiismo', que se opunha à linha oficial, o 'Sunismo'. Estas duas vertentes -Xiitas e Sunitas- ainda hoje se hostilizam, uma vezes, ou, noutras alturas, se toleram. Estes desencontros surgem um pouco por todo o Mundo Islâmico...
Os xiitas são maioritários apenas num país, o Irão. Têm muita influência no sul do Iraque, no subcontinente indiano, nas novas repúblicas islâmicas da ex-URSS, nas regiões montanhosas da Síria e do Líbano.
O referido esforço de purificação levado a cabo pelos Xiitas deu origem a várias seitas; umas mais radicais do que outras.
De entre as mais radicais, os Ismaelitas, surgiu uma comandada e organizada por um misterioso e temível 'Homem da Montanha'.
Esta seita, organizada nas montanhas iranianas, com os seus degraus iniciáticos, com as suas regras, os seus mistérios ficou conhecida pelos 'assassinos' (Hassassyn - maltrapilhos, vadios, marginais, fumadores de haxixe...). O seu plano era simples e, de alguma forma, genial; procuravam purificar o Islão agindo sobre os seus dirigentes. Iriam levar a cabo um terrorismo localizado, personalizado. Iriam, num mundo em que os senhores do Islão de digladiavam pelos poder, pelas benesses, por novos territórios, julgá-los prévia e sumariamente e eliminá-los. Este sacrifício garantir-lhes-ia a ascensão ao 'Paraíso'.
De alguma forma fizeram prevalecer o seu 'império de terror' durante os séculos VIII, IX, X, XI, XII e XIII.
Agiam a mando do seu superior que lhes fornecia os punhais com que eliminariam as personalidades designadas. Sós, ou em pequenos grupos, deixavam-se executar após os atentados que cometiam.
Hoje, esta tradição suicida alterou-se. Na guerra Irão-Iraque os meninos suicidas foram utilizados por ambos os lados, os Palestinianos utilizam jovens e crianças nos seus atentados contra civis, a Al Qaida recorre a suicidas contra pessoas comuns...
Os 'Assassinos' queriam mudar o 'seu mundo'.
Os terroristas actuais são revoltados. Os seus alvos são indiscriminados.
Os 'assassinos' agiam com uma moral. Com uma ordem.
Os terroristas actuais executam crianças, mulheres e trabalhadores que se levantaram cedo...
Os 'assassinos' não executavam nem 'Hospitalários' nem 'Templários' -apesar de terem executado líderes dos 'reinos latinos'- não valia a pena. Os monges eram determinados e, assassinando um grão-mestre, outro o substituíria com igual objectivo e denodo renovado. Assim não valia a pena perder executantes...
Os terroristas actuais não poupam os seus próprios 'recursos humanos'.

Para conhecer melhor esta problemática baseamo-nos no livro de Bernard Lewis; 'Os Assassinos - Uma Seita Radical'; editado pela Terramar em Abril de 2003.

Publicado por Francisco Nunes em março 29, 2004 08:47 PM
Comentários

As questões da religião islâmica e do terrorismo são muito mais complexas do que parece à primeira vista.
Por ignorância, ou por outros interesses, normalmente mete-se tudo no mesmo saco.

Afixado por: vmar em março 29, 2004 11:32 PM

...e por facilitismo...

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em março 30, 2004 12:10 AM

Compadre Francisco,

Também gosto de dar fé desta rapaziada da antiga Pérsia. Do temível Hassan Sabbah, fundador e chefão dos temíveis Assassinos. Contemporâneos, sim pode-se dizer, do poeta Omar Khayyam. Daí não deixe de ler o .Samarcanda. do Amin Maalouf.

Quanto às comunidades urbanas, o compadre anda atazanado! Óh homem quais comunidades urbanas? Esta porra são 2 cidades a bem dizer e o resto são vilas, aldeias e campo cada vez mais deserto. Deixe-os poisar compadre, deixe-os poisar!

Afixado por: Isidoro de Machede em março 30, 2004 01:03 AM

Já li.
Devoro todos os seus livros.
um abraço,
Francisco Nunes

P.S. O Amin Malouf, no Samarcanda, cede um pouco aquilo que se conta de fantasioso sobre esta seita...

Afixado por: Planície Heróica em março 30, 2004 01:09 AM

O problema quanto a mim é sempre o mesmo, distrair o homem comum, atiçá-lo contra um inimigo imaginário ou real.
Assim consegue-se manipular melhor os concidadãos , dividi-los, deixa-los na dúvida, seduzi-los para a esfera dos interesses obscuros. Dissolvem-se as energias criativas e desperdiça-se a vida gravitando em torno de mentiras e falsas morais, ao serviço de interesses desastrosos para a humanidade no seu comjunto.

Um abraço

Rodrigo Ribeiro

Afixado por: Rodrigo Ribeiro em março 31, 2004 08:48 AM