Um grupo de 'eminentes políticos alentejanos' decidiu, no dia 1 de Abril, democraticamente, em segredo e longe das populações:
1º- Ir até à Madeira.
2º- Hospedar-se em unidades hoteleiras locais para passear e descomprimir.
3º- Reunir em alegres jantaradas e politiqueirar.
4º- Trair a sensibilidade dos seus conterrâneos.
5º- Arranjar uns tachitos para todos os amigos.
6º- Arranjar uns 'penachitos' para alimentar o seu egozito depauperado. (As pessoas sérias cada vez mais lhes viram as costas).
7º- Decidir, em alegre conluio, juntar rapidamente as grandes metropoles alentejanas que representam (risos) criando uma Comunidade Urbana (ComUrb) para o Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.
8º- Evitar, muito pragmaticamente, que o processo se 'arraste em contínuas discussões'.
9º- 'Salvaguardar o interesse das populações'.
10º- Chantagear os municipios comunistas e toda agente.
Os 'senãos' deste disparate idealizado pelos autarcas das Câmaras sociais-democratas de Ourique e Almodôvar e socialistas de Alvito, Barrancos, Cuba, Ferreira do Alentejo, Grândola, Mértola, Odemira e Vidigueira:
* A lei prevê que uma ComUrb tenha pelo menos 150.000 habitantes. Estes concelhos, todos juntos, nem chegam a ter metade dessa população!
*No interesse do Alentejo dever-se-ia, como já o dissémos e justificámos várias vezes, criar uma Grande Àrea Metropolitana. É isso que defendem também os autarcas socialistas e sociais-democratas dos outros distritos alentejanos. É isso que defendem os autarcas comunistas alentejanos.
É isso que defendem os alentejanos que não querem tachos!
*Esta decisão é tanto mais chocha porque ignora as posições das Câmaras de Santiago do Cacém, Sines, Alcácer do Sal, Beja e Moura (apesar de contar com a solidariedade partidária das Assembleias Municipais de alguns desses concelhos); estes concelhos têm o dobro da população dos concelhos signatários deste estranho acordo funchalense...
*Este acordo, no caso abstruso de vir a fazer sucesso, atirará o Alentejo Central para a criação de uma ComUrb própria e o Norte Alentejano para o desespero de se ver sem possibilidade de agregação uma vez que não dispõe das premissas necessárias para se integrarem numa ComUrb, mas apenas numa comunidade intermunicipal.
*Este acordo é uma evidência da incapacidade de se regionalizar o nosso país. Os políticos locais que temos são umbiguistas e não revelam qualquer tipo de solidariedade regional nem noção de interesse público.
*Ninguém se questiona sobre as (des)vantagens que Sines e Santiago poderiam ter com a sua integração nesta ComUrb.
*Ninguém se questiona sobre as (des)vantagens que o turismo alentejano pode ter com estas fracturas (A Região de Turismo da Planície Dourada é, infelizmente, um exemplo do que acabamos de afirmar).
*Ninguém põe em causa que o perímetro de rega do Alqueva fique fragmentado.
*Ninguém vê inconvenientes na fragmentação dos concelhos alentejanos banhados pelo Guadiana.
*Estupidamente, mesquinhamente, aposta-se no aeroporto de Beja, no porto de Sines e no Alqueva como um futuro 'triângulo dourado do progresso regional'. Será que a estes projectos interessam estas fragmentações?
(Vislumbra-se nesta pretensão um 'chico-espertismo' muito luso? Do género: 'ficamos com o bolo e os gaijos que se desenrasquem'!...
Na tropa os soldados com mais dificuldades em casa eram aqueles que reclamavam mais da qualidade do rancho... Coitados! também no quartel passavam fome...).
P.S.:O Correspondente do Público, mostrando uma visão política desempoeirada, não viu aqui outro problema que não o combate político e ideológico normal entre força partidárias. É o que se depreende, aliás, do artigo transcrito abaixo. Para este jornalista os grandes perdedores são os comunistas!!! -Um mimo!
Fontes:
Diário do Alentejo e
Público (Ler abaixo)
Beja e Évora Dividem Alentejo em Duas Comunidades Urbanas
Por CARLOS DIAS
Quarta-feira, 07 de Abril de 2004
Os 10 municípios socialistas e sociais-democratas agrupados na Associação de Municípios do Distrito de Beja (AMDB) acordaram, no Funchal, no passado dia 1 de Abril, a criação de uma Comunidade Urbana (ComUrb) para o Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, que se junta assim à ComUrb do Alentejo Central já anunciada por Évora.
Os autarcas envolvidos no acordo decidiram avançar "com a maior rapidez" para a constituição de uma ComUrb em alternativa a uma Grande Área Metropolitana (GAM) para todo o Alentejo, para evitar que "o processo se arraste" em contínuas discussões, e apelam aos restantes oito municípios de maioria comunista na AMDB para que "integrem a comunidade urbana no supremo interesse das populações".
Esta decisão formaliza o golpe final no processo acarinhado por comunistas dos distritos de Beja, Évora e Portalegre e sociais-democratas e socialistas de Portalegre e Évora, que propunham a constituição de uma GAM.
O presidente socialista da Câmara de Évora, José Ernesto Oliveira, apesar da sua preferência pela criação de uma GAM, reconheceu num debate realizado há duas semanas na Ovibeja a existência de muitos obstáculos que inviabilizam este propósito. Em alternativa, anunciou que os autarcas eleitos pelo PS iam avançar para a criação da ComUrb do Alentejo Central, esperando que "outros se juntem a nós" neste objectivo.
O distrito de Portalegre, com 14 concelhos (seis PS, cinco PSD e três CDU), será o mais afectado pelas opções de Beja e Évora. Resta aos autarcas do distrito a criação de uma comunidade intermunicipal ou diluírem-se na ComUrb do Alentejo Central, juntamente com Évora.
O PCP é o grande derrotado neste processo. O dirigente máximo deste partido para o Alentejo, José Soeiro, chegou a anunciar que 37 dos 47 concelhos alentejanos já tinham assumido a sua disponibilidade para integrar uma GAM. No entanto, além da posição dos autarcas socialistas de Évora, há concelhos geridos pela CDU em que esta força política está em minoria nas respectivas assembleias municipais. É o caso de Moura e Sines, onde já foi anunciada a junção dos votos socialistas e sociais-democratas no apoio à integração dos concelhos na ComUrb do Baixo Alentejo e Litoral Alentejano.
Por não haver "municípios ligados entre si por um nexo de continuidade territorial", como exige a lei 10/2003 que estabelece o regime de criação das áreas metropolitanas, aos autarcas comunistas alentejanos só resta a integração dos seus concelhos em comunidades urbanas.
Publicado por Francisco Nunes em abril 8, 2004 06:27 PMEsta autogestão do território por parte das autarquias só fez sobressair o que de pior existe na política autárquica portuguesa.
Esquecem-se os cidadãos, as regiões e os seus interesses e só se pensa nos interesses pessoais e partidários dos autarcas.
Depois de ver isto, começo a pensar que teria sido melhor encomendar um estudo a especialistas em ordenamento do território e deixar que as várias propostas de mapas fossem alvo de referendos locais, já que o objectivo parece ser regionalizar o país.
Não esquecer caro Francisco que estes concelhos
constituídos por pequenos aglomerados populacionais se de repente se vissem debaixo da tutela de "como lhe chama" uma área metropolitana
designada para o efeito o sururu que isso não iria causar nos respectivos munícipes. Veja-se aliás o que agora acontece com aqueles que insistem em ascender a concelhos. Tudo isto pela avidez subsidiária.
Mas o ojectivo desta "regionalização" de "aviário" não será precisamente esse?
Enquanto os autarcas, se digladiam entre si, o executivo central descança.
Estes fenómenos acontecem porque temos hábitos, especialmente a nível do poder local, de caciquismo, de clientelismo e de afirmação pessoal que conjugados com as guerras partidárias dão origem aos maiores disparates que se produzem ao cimo da terra.
As decisões são tomadas no interesse de meia dúzia contra o proveito da maioria.
Ora cá está a piolheira!
Afixado por: Isidoro de Machede em abril 9, 2004 01:29 AMDepois de nada, rigorosamente nada terem feito de 1998 para cá, agora desdobram-se em impropérios sobre esquartejamentos sem curar de discutir e colocar os cidadãos a debater para que servem essas leis de suposta descentralização, onde nada está previsto descentralizar. NADA, enteda-se, NADA!
Abraço e boa Páscoa
Afixado por: carlos a.a. em abril 9, 2004 12:51 PMJá não foi mal terem ido até ao Funchal. Podiam ter ido até ao Brasil...
Afixado por: Olinda Gil em abril 9, 2004 10:03 PM