Goograficamente o Campo de Ourique não tem uma definição incontroversa. Os seus limites variaram ao longo do tempo e, em parte por esse motivo, variam hoje as suas definições consoantes os autores.
Jurídicamente, no século XVII, a Comarca do Campo de Ourique era constituída pelos seguintes concelhos (alguns dos quais já extintos):
Ourique, Panóias, Castro Verde, Almodôvar, Padrões (circunscrição 'multicéfala'), Messejana, Alvalade, Sines, Santiago do Cacém, Garvão, Entradas, Mértola, Casével, Aljustrel, Vila Nova de Milfontes e Colos.
O Campo de Ourique era, nos primeiros séculos da nacionalidade portuguesa, uma região relativamente erma do território nacional. Neste vasto espaço, e até ao século XIX, as exportações agrícolas eram poucas e destinavam-se à sobrevivência e ao suprimento alimentar em géneros hortícolas da escassa população que vivia nesta área.
As explorações mineiras de S. Domingos e de Aljustrel estavam abandonadas.
As vias de comunicação terrestres resumiam-se a caminhos poeirentos que se transformavam em lodaçais quase intransponíveis no Inverno e às velhas estradas e pontes romanas ainda existentes que, apesar da deficiente (ou inexistente) manutenção, ainda eram da maior utilidade para os habitantes do Campo, bem como para os almocreves que nos seus afazeres e negócios se deslocavam a esta área. Tinham ainda a maior utilidade para os pastores que, como vimos em posta anterior, aqui se deslocavam em em marchas que duravam esforçadas 3 ou 4 semanas, nas quais estes homens passavam duros riscos, penas e trabalhos. Aqui chegados, o seu trabalho e preocupações não findavam. Nesta terra bravia e inculta os ani,ais selvagens abundavam e o gado, não sendo presa de predadores naturais, facilmente se perdia dos seus pastores. São comuns as referências ao chamado 'gado do vento'. Este gado era constituído por todos aqueles animais que, tresmalhados, vagueavam em estado semi-selvagem pela então bem arborizada peneplanície e que se constituía como património real.
Neste ambiente em que as marcas do homem pouco se faziam sentir, em que as vias de comunicação eram escassas e se encontravam em mau estado, o comércio era inóquo nos locais mais afastados do litoral. Como facilmente nos podemos aperceber pelos forais das povoações destas áreas, assumia especial importância o transporte de mercadorias feito directamente no dorso dos animais.
Fonte de riqueza para o Campo seria a exportação, que cedo se começou a fazer, de peles e lãs pelos portos de Mértola e de Porto d'el Rei (entre o Torrão e Alcácer do Sal). A estes portos acorreram bem cedo navios ingleses atraídos pela qualidade da lã campaniça que, em Inglaterra vendiam por lã soriana.
Assumiam ainda alguma dimensão as actividades relacionadas com a apicultura e co a cortiça.
Tal como os conhecemos hoje, e em virtude dos arroteamentos dos séculos XIX e XX, os cursos de água encontram-se muito assoreados pelo que é provável um anterior uso mais intensivo destes cursos como meios de comunicação. O Guadiana e o Sado assumiam-se como meios de comunicação privilegiados em todo o sul Português...
Mais um excelente contributo para aqueles que (leigos ou decisores)menos conhecedores da memória e património da "nossa" região, tenham um pouco de mais de cuidado; como sabemos o presente e o futuro são construidos também com o passado e esse é a História.Espero que as férias tenham sido retemperadoras.
Afixado por: albardeiro em abril 18, 2004 01:23 PMBoas vindas! Sentimos a falta desta Planicie.
E estamos a gostar ler a memória do grande Alentejo.
É importante que alguém a traga à praça pública, para que não morra esquecida na longa planicie ao sul do Tejo.
Gosto muito deste Blog.Estou procurando Coisas da História do Alentejo e do Campo de Ourique IV, XIII, XIV,XV, XX.
Obrigada.