maio 27, 2004

Em Portugal iremos todos ser afectados pelo (mau) clima.

Na edição Impressa da Visão de hoje dois artigos referem duas preocupações já abordadas na Planície:

* O Estado da Educação em Portugal
(.Educação - Bons Alunos Que Vieram do Frio.)e

* O Ambiente
( .O Pior Está Para Vir . ).

A primeira das duas preocupações aqui citadas informa-nos que os alunos vindos de países com sistemas de ensino minimamente estruturados vencem com facilidade as dificuldades e ultrapassam sem problemas os alunos portugueses.
A determinada altura uma das 'meninas caso' diz que aquilo que lhe é ministrado no nosso 5º ano já ela tinha aprendido no 3º ano ucraniano. Uma outra criança referiu-se à avaliação diária das suas aprendizagens na Moldávia.
Os professores referem-se ao empenhamento e à disciplina deste alunos. É referida a falta de atenção dos alunos portugueses, a sua infantilidade tardia.

O trabalho jornalístico é muito superficial quanto à procura das causas desta situação.

Quanto a nós são várias as causas desta situação.
Os pais portugueses não investem na educação dos filhos o suficiente. É comum verificarmos que elementos responsáveis das associações de pais (eleitos vá saber-se como) apostam na Escola como depósito de alunos. Para eles os professores são pedagogos, são guardadores de crianças, são tutores, são assistentes sociais, são administrativos... Não são símbolos de autoridade (credo!) nem símbolos de saber.

A pe-da-go-gia-zi-nha!
Esta estranha ciência no limbo entre as ciências humanas e as ciências exactas. Recente. Com autores dispares e em perfeito desacordo entre si. Por estruturar. Ideológica Esta ciência - este .caldo. - dá cartas entre nós.
Com resultados nada brilhantes!... Uma mina de responsabilidades não assumidas desde há 30 anos!

Os programas de ensino ministeriais não apresentam sinergias válidas. As matérias repetem-se ao longo dos anos e em diferentes disciplinas. Alternam-se. Baralham-se. .Os professores que as criem. nos chamados Planos Curriculares de Turma, à pressão e apesar de todas as incumbências burocráticas que lhes estão reservadas, apesar de todas as incumbências pedagógicas que lhes cabem, apesar de todas as incumbências científicas que lhes cabem . ou deviam caber -.
Apesar dos exames, apesar das diferentes origens dos alunos, apesar...
Os professores que se desenrasquem.

Alunos que apresentam graves problemas de integração por questões sociais e económicas são atirados para turmas onde convivem com alunos aplicados. A indisciplina campeia. E a má-fé. Porque é má-fé colocar um aluno normal numa turma caso só porque os seus pais não podem pagar um colégio privado. Porque é má-fé não admitir que há problemas sociais graves na sociedade e que se repercutem na Escola. Porque é má-fé achar que a Escola os pode resolver.
Há má-fé. Há incúria. Verborreia, .pedagogice. e irresponsabilidade.
Há incúria quando não se faz nada de concreto para resolver o problema. Há verborreia porque nenhum problema se resolve com acções de formação sobre stress e/ou sexo. Há .pedagogice. porque a Pedagogia é uma coisa séria e deve levar as crianças a afirmar-se e a aprender. A Pedagogia não é uma teoria do .facilitismo. absurdo e superficial.
E há irresponsabilidade quando não é assacada a ninguém -que não aos professores - a culpa da balbúrdia a que chegámos.

Nestes últimos tempos a proletarização dos professores atingiu o seu limite com o escândalo dos Concursos de Colocações (?!?). Um ambiente de desânimo e de impotência atinge uma classe profissional inteira e o ministro discursa sobre incongruências e futilidades.

O politicamente correcto atinge responsáveis governamentais e sindicais. Atinge muita gente. Mas não resolve problemas concretos.
Nas escolas os bons alunos passam incógnitos. Não é este, nem pode ser, o melhor ambiente para uma Escola de Excelência. A ambição do .Sucesso. corrói de tal forma quem de direito que se dá crédito a quem considera sobredotados alunos com um jeito e não dá destaque a alunos que se distingam.

A prazo, e não se resolvendo o problema grave que se instaurou no nosso sistema de ensino, os descendentes de portugueses ocuparão apenas os lugares que os seus pais hoje recusam. A prazo deixará de haver advogados a fazer faxinas e engenheiros como mecânicos. A prazo a vida económica corrigirá estas disfunções que a nossa sociedade hoje tolera.
Quando os netos de portugueses se ocuparem dos serviços que os portugueses filhos de estrangeiros recusam justamente a extrema-direita esfregará as mãos.
Em Portugal não será só o clima que estará instável.

Publicado por Francisco Nunes em maio 27, 2004 07:28 PM
Comentários

Pedagogice, sabujice, vigarice, ostentice, chico-espertice, etctrice.... Devia ser feito um peditário nacional, para erigir um monumento digno da cretinice que grassa neste país!

Um abraço

Rodrigo Ribeiro

Afixado por: Rodrigo Ribeiro em maio 29, 2004 11:55 PM

Não, não estás enganado...
Foi a esse sentimento que chamei proletarização. De facto poderia tê-lo explanado. Mas há-de haver outras oportunidades...

Obrigado pelos comentários,

Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em maio 27, 2004 11:41 PM

Cabe aqui, em jeito de comentário, afirmar que o teu texto, estará correcto
mas que temo, não esteja completo.
Urge explanar os sentimentos de impotência, que estarão a atingir uma classe profissional, ante a demagogia e futilidade de um ministério, que nada administra.
Se estou enganado, as minhas desculpas.

Afixado por: jgonçalves em maio 27, 2004 11:28 PM

Embora de uma forma não tão eloquente como esta do amigo Francisco abordei esta temática que não há maneira dos governos passados e presentes pegarem nela e resolverem-na de uma vez por todas. Em consequência disso e porque temos consciência que é através de um ensino de qualidade que um povo se desenvolve, vamos continuar a saber através da comunicação social que somos o País mais atrasado até nas matérias mais comezinhas.

Afixado por: congeminações em maio 27, 2004 10:57 PM

Excelente texto.
Concordo a 200% contigo.

Cumprimentos
Enresinados!!

Afixado por: cachucho em maio 27, 2004 08:24 PM