Os Campaniços (3)
Na feira de Castro, realizada, tal como hoje, no terceiro Domingo de outubro, compravam-se os apetrechos e peças que eram necessários para a manutenção das alfaias agrícolas.
Tal como a transumância dos gados, o arado usado no Alentejo até há 50 anos era milenar, de origem mesopotâmica, e talvez tenha sido introduzido no nosso país antes da sua ocupação pelos Romanos. De qualquer forma, foi nesta época que a sua utilização se expandiu. No Alentejo e no Algarve usava-se o 'arado de garganta' que ainda se pode ver exposto em muitas instituições públicas ligadas à agricultura ou em museus etnográficos. A terminologia ligada a esta ferramenta não é uniforme e, apesar de ter sido estudado este tema no segundo quartel do século XIX pelo eminente etnólogo Jorge Dias*, que se baseou para o seu estudo em consultas exaustivas, feitas por todo o sul do país, verificamos que são dispares as terminologias utilizadas pelo já citado Brito Camacho e pelo eminente etnólogo.
Sobre a área cultivada no Campo de Ourique a passagem que segue, da atrás citada obra de Brito Camacho, dá-nos uma ideia:
"[Da Nossa Senhora do Castelo, ermida que tem Aljustrel a seus pés] via as serras de Grândola, mal desenhadas, sem contornos, fechando o horizonte pelas bandas do poente, e até lá uma vastíssima área de charneca brava, em que pobres casais e minúsculas aldeias eram como bexigas discretas, uma aqui, outra além."
* Jorge Dias; "Os Arados Portugueses e as suas prováveis Origens"; Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda; 1992