junho 17, 2004

Uma posta de resposta...

Raramente o fazemos...

É por opção que temos 'caixa de comentários' neste blogue.
E, coerentes, achamos que quem expressa a sua opinião o faz em consciência, e em boa fé. Expressa a sua opinião (Ponto). Está no seu direito.

-Mas . pergunta o leitor, com 'mais que fazer' . o que é que se pretende com toda esta 'arenga'?
Pretendemos justificar as duas respostas que queremos dar. Uma por um bom motivo, a outra por um péssimo motivo.
O Carlos Araújo Alves citou-nos no seu blogue, a propósito da "Petição para a fiscalização da constitucionalidade da última revisão constitucional" discordando do que citava. Fê-lo unicamente porque se tinha comprometido a fazê-lo. Fê-lo porque é um 'homem de palavra'. E é por isso que é nosso amigo. Escreveu:

"Afinal, Francisco, depois de ler a petição (só agora me foi possível), não estou de acordo com os considerandos.
Sou defensor de uma Europa unida construída pelos cidadãos e para os servir.
Esta petição é mesmo para os euro-cépticos. Não é o meu caso.
Ainda assim citarei conforme prometi.
Abraço".

Depois há o 'mato'. O 'carimbador', como alguém definiu aqueles que 'carimbam' as opiniões dos outros em artigo publicado no 'Fumaças'. E na blogosfera o que há mais é 'mato'... ervas daninhas. E as ervas daninhas são ignoradas ou não.
Na Planície não gostamos que hajam ervas nas searas. Mondamo-las, pisamo-las e, havendo monda química, atiramo-la de alto -é o que fazemos normalmente.

Um exemplo de mato:
"Por acaso já lhe passou pela cabeça contar quantas monarquias estão reoresentadas no Parlamento Europeu?
Ser faccioso é sempre arriscado. Cure-se.
Afixado por Carlos Marques"

Há pormenores comuns a estes dois comentários: ambos foram feitos por Carlos e ambos têm que ver com a problemática europeia. De resto são 'o dia e a noite...

Comecemos pelo comentário claro e, sem qualquer ironia, iluminado pela luz do dia:
Amigo Carlos, não ponho em causa o espírito de alguns dos signatários desta petição. Mas uma petição é uma petição. É um pedido. E concordamos com o que se pede.
De facto o acordo PS/PSD/PP para a revisão (mais uma) da Constituição foi feita nas costas dos cidadãos. Foi feita .às escondidas. de quem se diz querer servir. Mesmo que seja boa a intenção é sempre um mau princípio.
Numa altura em que se clama por transparência um acordo, mais ou menos extra parlamentar, nas costas dos cidadãos, repleto de meias-verdades e de omissões, é um mau serviço para a res publica e para a democracia.
O resultado deste acordo todos nós o sentimos quando verificámos que a campanha para as .europeias. não discutia verdadeiramente nada. Nem sequer foi uma campanha: Foi uma 'peixeirada' com um desfecho dramático.
Não havendo ideias a discutir, discutiram-se pessoas...
Também não negamos a necessidade da existência de uma .união europeia. dos cidadãos. Mas não percebemos como é que isso é possível agindo nas suas costas. E depois a união pretendida tem fortes senãos...
Já não nos cingimos ao facto de ter sido elaborada por um directório.
Já não nos cingimos ao facto de termos alienado parte da nossa soberania.
Já não nos ficamos pelo desaparecimento dos pequenos países, e dos seus interesses, no seio de uma união alargada.
Referimo-nos ao risco de perdermos elos, esteios importantes da nossa política externa.
A nossa política africana conflitua historicamente com os interesses franceses; a nossa política para a América do Sul não será sempre de cooperação tipo VIVO (Telecom / Telefonica).
Como é que podemos gerir a nossa independência externa nestas circunstâncias? Temos que ter sempre presente que é possível que haja portugueses daqui por 100 ou 500 anos. Temos que ter sempre presente que ainda há pouco tempo - não discutimos a virtudes nem os enganos do colonialismo, não vem ao caso . morreram portugueses em África acreditando que defendiam a sua bandeira.
E assim, de uma assentada, atiramos para o caixote 800 anos de independência?... de sofrimento, de dor, de sangue?
Custa-nos aceitar esta situação. É um verdadeiro sapo.
Reafirmamos a necessidade de, quando é a coesão nacional que está em causa, haver transparência e respeito pela nossa HISTÓRIA. E Respeito pelos que nos hão-de cumprir. É preciso, como diz o poeta, 'cumprir Portugal'.
(Já agora. cumprir Portugal não é propriamente o mesmo que andar com bandeirinhas para apoiar uns maduros que correm atrás de uma bola em trajes menores.)

Agora o 'mato':
O Carlos .carimbador. Marques chamou-nos facciosos e explicou-nos que há monarquias na Europa. Agradecemos efusivamente a informação. Informamos o nosso .carimbador. que não somos contra a Monarquia nem desgostamos de todos os monárquicos. O caso muda de figura se tiverem a .mania., como acontece muito, que são, como dizem os espanhóis, senhoritos.
Por outro lado é ridículo, em sistemas democráticos em que os referendos são possíveis, que existam partidos monárquicos nas repúblicas bem como são ridículos os partidos republicanos nas monarquias.
A não ser caro Carlos .Carimbador. que se criem partidos para os monárquicos de esquerda, de direita e de extrema direita nas repúblicas e partidos para os republicanos de extrema esquerda, esquerda, direita e extrema direita nas monarquias.
Mas isso seria um bocado complicado. Han?

P.S.: O nosso epíteto na blogosfera já deve ser algo como 'faccioso catavento homofóbico'. Isto promete!...

Publicado por Francisco Nunes em junho 17, 2004 09:12 PM
Comentários

HUM...Isto está interessante...

Afixado por: Valeria em junho 18, 2004 05:45 AM

Cumprir Portugal!

Um abraço

Rodrigo Ribeiro

Afixado por: Rodrigo Ribeiro em junho 17, 2004 10:23 PM