Entendamo-nos:
Não nos apetece aturar o Justino, nem a Manuela, nem o Portas, nem o Bagão, nem a Cardona... Mas consideramos que as legislaturas são para cumprir. E as legislaturas são eleitas por quatro anos! Pois esperemos pelo fim desse prazo...
Dissemos aqui que votaríamos nas 'eleições europeias' num partido que falasse da Europa.
Nenhum partido nos falou da Europa.
O candidato do PS, que até falou da Europa algumas vezes foi a excepção. Viu-se ofendido por uma 'mansa' qualquer. Viu-se envolvido pelas diatribes da canalha autarquica de Matosinhos: morreu!... Fim da história!
Por respeito à sua figura os candidatos falaram dos seus projectos para a Europa?
Não!
Demagogicamente calaram-se.
Hipocritamente 'ficaram com a voz embargada'... que sentimentais!...
Para os políticos deste país honrar um político não passa por debater ideias... passa pelo silêncio...
Não se diz: "Para honrar as ideias desse grande homem devemos aqui dizer que, a este propósito, é do interesse nacional que..."
Não: " Para não ofender a memória deste grande homem, calemo-nos!"
Significativo...
Em suma: nenhum partido falou da Europa!
Portanto os portugueses não foram votar 'p'ra Europa'...
Com base nestas eleições tiraram-se conclusões que... Enfim! Elaboraram-se tratados... surrealistas uns; delirantes outros...
E, com base nestas conclusões, mais uma vez, se procurou condicionar a vida política: 'O Governo português perdeu as europeias!'
Este raciocínio falacioso tornou-se uma verdade inquestionável. A tal ponto que, trémula de emoção, a grande Ana Gomes, num momento de pura inspiração, colocou no país 'uma maioria, um governo e um presidente de direita!!!!!!'
A Ana, chegada agora à política, alterou a posição de Sampaio no espectro político! Brilhante!!!
Assim... 'de truz'! ...é obra!...
E o que fez esse 'grande fascista do Presidente da República'?
O (já agora monarquica e oligarquicamente) Dom Sampaio limitou-se a um simples raciocínio:
As legislaturas devem ser cumpridas (ponto).
O Durão Barroso portou-se mal ao ir para Bruxelas?
- Portou!
O Santana acaba por não cumprir o seu mandato e sair da Câmara de Lisboa?
- Ainda bem para Lisboa!
O Ferro sai do PS?
- Entra o Vitorino...
Mas é assim, Portugal tem que ter um governo, Lisboa tem que ter uma presidencia de câmara e o PS tem que continuar na Oposição.
As instituições acima dos homens.
No caso português, o governo, ao contrário do que se diz, emana do Parlamento. Objectivamente o Presidente da República nomeia o Primeiro-Ministro depois de verificar as forças representadas na Assembleia da Republica.
Do Parlamento eleito há dois anos poderia surgir, não seria inédito, um governo PS, PP, PCP (Os gregos já experimentaram um governo desse estilo). E seria legitimo? Claro! Era legitimo com toda a certeza.
Pouca gente parece aperceber-se que esta tendencia que a esquerda tem para se orientar na governação pelo 'clamor da Rua', pelas sondagens, por eleições para outros órgãos... lhe retira credibilidade.
O Presidente da Republica, com esta demora na sua decisão, fez valer as suas prorrogativas. Mais! Colocou o seu papel de garante da estabilidade muito alto face a quem lhe quis impor soluções prévias e 'indiscutíveis'.
Sampaio limitou-se a dar ao Parlamento a possibilidade de formar governo.
Cabe ao povo, daqui por dois anos, verificar do evoluir desta legislatura.
A Constituição, que Sampaio respeitou, a este propósito, diz o seguinte:
Artigo 186.º
(Início e cessação de funções)
[...]
4. Em caso de demissão do Governo, o Primeiro-Ministro do Governo cessante é exonerado na data da nomeação e posse do novo Primeiro-Ministro.
Não se fala em convocação de eleições... nem que o partido do Primeiro-ministro perca as 'europeias' ou as 'autárquicas'. (Com a mistura entre política e futebol qualquer dia será licito pedir a queda de um governo de cujo partido mais representado surja um candidato derrotado à presidência, por exemplo, do Benfica!...)
Artigo 187.º
(Formação)
1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.
Numa legislatura de quatro anos o Parlamento continua com a mesma relação de forças...
2. Os restantes membros do Governo são nomeados pelo Presidente da República, sob proposta do Primeiro-Ministro.
Temos esperança que o Justino, o Bagão e a Cardona possam ir 'descansar'... a Manuela vai descansar com toda a certeza!)
Artigo 190.º
(Responsabilidade do Governo)
O Governo é responsável perante o Presidente da República e a Assembleia da República.
Artigo 191.º
(Responsabilidade dos membros do Governo)
1. O Primeiro-Ministro é responsável perante o Presidente da República e, no âmbito da responsabilidade política do Governo, perante a Assembleia da República.
Estes dois artigos pareciam desconhecidos do deputado Luis Filipe que, no canal 1, há uns momentos, viu no assumir desta prorrogativa presidencial algo de inaudito!
Serão estes os próximos passos:
Artigo 192.º
(Apreciação do programa do Governo)
1. O programa do Governo é submetido à apreciação da Assembleia da República, através de uma declaração do Primeiro-Ministro, no prazo máximo de dez dias após a sua nomeação.
2. Se a Assembleia da República não se encontrar em funcionamento efectivo, será obrigatoriamente convocada para o efeito pelo seu Presidente.
3. O debate não pode exceder três dias e até ao seu encerramento pode qualquer grupo parlamentar propor a rejeição do programa ou o Governo solicitar a aprovação de um voto de confiança.
4. A rejeição do programa do Governo exige maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções.
Publicado por Francisco Nunes em julho 10, 2004 01:20 AMÉ pena que muitos políticos e pretensos opinion makers não tenham uma constituição em casa...porque as justificações não é com leis mas sim com subjectividades e coisas como, eu tenho que me demitir porque nós somos amigos e ele não fez o que eu quis por isso vou amuar...não há vergonha!
Afixado por: Sr. Mofo em julho 13, 2004 11:23 PMEsta, é mais uma daquelas questões, em que toda a gente ralha e ninguém tem razão!
O país não muda de rumo, de política, ou de mentalidade de um dia para o outro.
Um abraço
Rodrigo Ribeiro
Afixado por: Rodrigo Ribeiro em julho 10, 2004 09:31 PMAi Francisco Francisco. Se eu te apanho a dizer mal do amigo da onça empino-me contigo.
Afixado por: Isidoro de Machede em julho 10, 2004 02:54 AMMai-nada! O Senhor Presidente fez o que tinha a fazer. POr muito que isso agrade ou deixe de lhe agradar. Ele está ao serviço do País, e não ao sabor dos desejoa de partidos, ou pessoas, ou seja de quem for. Quer se goste ou não, fez o que tinha de ser feito.
Quem há menos de uma semana apoiou uma equipa que não ganhou o Europeu não pode agora guardar a bandeira na gaveta e negar o apoio a quem teve a dura tarefa de resolver um problema tão bicudo.
Anda já tanta gente a "atirar-se" a ele que se esquecem que o culpado é o "grande patriota", o artista que agora se chama José Manuel Barroso. E que abandonou o barco para se passar para um transatlântico de luxo.
Muito bem caro Francisco a decisão está tomada e
dela não cabe nenhuma hipotese de recurso. Aguardemos então que personalidades irão formar o novo governo uma vez que como se sabe o programa aprovado tem que ser respeitado, logo não serão previsiveis possíves grandes reformas de fundo. Depois cá estamos todos óbviamente os eleitores que votam para decidirmos quem serão os senhores que se seguem.