Não é por soberba que publicámos a 'posta da torre' abaixo. Publicámo-la por revolta.
Casével tinha uma linda igreja de planta românica até há cinquenta anos. Tinha os restos da câmara. E tinha a relíquia de São Fabião à sua guarda.
Já não tem nada disso.
A igreja actual é, no dizer de um casevelense, 'um casão para a palha com um crucifixo'. Não anda longe da verdade... e aquela torre!...
Os restos do edifício da câmara desfizeram-se em pó.
A relíquia 'desapareceu depois de uma conversa de uns padres que vieram aí...'.
Esta relíquia consiste numa peça de prata em forma de cabeça humana. Oca, tem no seu interior um crânio que se crê de S. Fabião. Atribuem-se poderes curativos a esta relíquia. Esta peça de prata tem cinco pequenos orifícios (ouvidos, narinas e boca) de onde emanavam os acreditados 'poderes' do Santo.
Esta peça, guardada em tempos idos, ao que consta, por um ermitão, numa ermida entre Panóias e Casével, foi sempre disputada por estes dois concelhos do 'Alto Sado'.
Até que os 'padres a levassem' passou pela igreja de Casével, pela guarda de uma família casevelense e, finalmente, pela Junta de Freguesia de Casével.
Um país europeu distingue-se por valorizar o seu património. Por valorizar o património cultural e construído das suas gentes. Por fazer com que as pessoas se sintam válidas valorizando o património dos seus antepassados.
A Casével de hoje, quase não tem jovens; no entanto, é uma vila que tenta reagir aos tempos. A actual presidente da Junta de Freguesia é uma mulher jovem, eleita numa lista à margem dos partidos que muito tem feito pela sua população.
Casével apresenta-se airosa e limpa. Exemplarmente limpa.
A Casével de hoje conta com a colectividade "Vozes das Terras Brancas - Associação de Cante Alentejano". Esta associação, para além de promover o cante conta com um acervo muito interessante de artefactos de 'outros tempos' -de que fotografámos alguns objectos que iremos reproduzir neste blogue- que causam inveja a muitos museus etnográficos que pululam por esse Portugal fora.
A conversa que mantivemos com os responsáveis desta colectividade foi de algum modo marcada pelo 'medo do futuro'. Esta 'marca' tinha que ver, em certa medida, com a própria idade dos nossos interlocutores, mas também com a constatação de os jovens da terra partirem 'à procura de vida' para outros lados; com a experiência de vida das pessoas; com o 'descaminho da agricultura' e com o isolamento a que a terra está votada pelas vias de comunicação existentes.
- Veja lá se faz alguma coisa por isto.- Disseram-nos.
Podemos fazer embaraçosamente pouco (apertam-se-nos os gasganetes ao teclar estas palavras) ... mas lá vai:
Em Casével os ares são puros e as pessoas são boas. A sul avistam-se, cerradas, as serras algarvias. Na colectividade citada, com sorte, pode ouvir e participar numa animada 'sessão de cante'. Pode comprar o CD já editado. Levando os seu filho mostre-lhe como funcionava o furador, o que era a 'teimosa', a 'burra'...
Faça-se esse favor!
A Relíquia? A relíquia passeia-se vaidosa na Basílica de Castro Verde. É uma das peças do 'Tesouro Eclesiástico' aí exposto por estes dias. A não perder!
P.S.:Calha bem. A Relíquia está a 14 kms de Casével. Veja-a exposta e vá a Casével. Vai ver que não se arrepende...
As reliquias de S.Fabião pertencem á Vila de Panoyas, tenho documentos coevos que o atestam.
Cumprimentos
José Ferreira
As reliquias de S.Fabião pertencem á Vila de Panoyas, tenho documentos coevos que o atestam.
Cumprimentos
José Ferreira