Voltamos de férias apresentando um dos utensílios tradicionais vítimas dos mais brejeiros comentários.
Coitado... o furador não tem culpa.
Desconhecemos a origem no tempo deste objecto. Muitos 'povos primitivos' o usavam até há bem pouco tempo sem o prego na ponta... para fazer fogo! Não nos admira portanto o seu possível passado pluri-milenar.
Furador (por muitos conhecido como 'bailarina') (espólio das "Vozes das Terras Brancas - Associação de Cante Alentejano" de Casével)
Essencialmente um cordão e dois paus: um cilindríco com um prego afiado na base, outro mais 'tabuinha com buraco ao meio'. O cordão é atado firmemente pelo meio ao topo do pauzinho cilindríco. O pauzinho (deixem-se de sorrisos broncos e babosos) atravessa o buraco da tabuinha e pronto!: -Podiam-se fazer buracos!
Com a palma da mão para baixo, assentava-se o polegar e o indicador de um lado da tabuinha e os dedos médio, anelar e mindinho do outro. O buraquinho ficava no meio. Rodava-se um pouco o elemento furador por forma a que o cordão se enrolasse levemente à sua volta.
Com esta acção a tabuinha subia. Pressionando-a levemente ela obrigaria o elemento central a girar. Este movimento levaria a que o cordão, fruto do movimento circular criado, se voltasse a enrolar. A tabuínha voltaria a subir...
Repetia-se o movimento e, desta vez, o furador, ainda que em sentido inverso, giraria de novo...
Com estes furadores faziam-se pequenos furos que eram os ideais para furar cerâmica e pequens ripas de madeira.
Permitia a soldadura dos alguidares e outros recipientes de barro bem como o fabrico de gaiolas para pequenos pássaros.
Nota: o furador da imagem faz preceder o prego -aqui 'encortiçado' por questões de segurança- de um pião. Não era este o furador mais usual.
Eu tive um objecto destes como brinquedo.
É fundamental a massa da zona bojuda do elemento vertical, que pela inércia cumpre a função de volante.
É bom que não se perca a memória dos objectos que já fizeram o quotidiano dos portugueses.
Olá boa noite e boa vizinhança.
De um artefato deste tipo surgiria o nome "arco de pua" e o moderno aparelho, se não estou enganado.
Aí esta um objecto que para mim, tem mais criatividade que qualquer berbequim da actualidade. Muitas vezes, troça-se ou dá-se pouco valor a estes instrumentos, mas foi a partir deles que se foi evoluindo até se chegar à técnica que hoje existe.
Bem-vindo E VÁ-NOS DANDO CULTURA.
Seja muito bem vindo de volta!
Afixado por: sónia em agosto 27, 2004 12:51 PM