setembro 20, 2004

Brito Camacho: a casa em Aljustrel

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Esta lápide foi um incentivo forte para a recuperação de uma casa que estava abandonada. Uma lápide muito potente... portanto!

A casa é assim, vista de cima...
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e assim, vista de baixo.
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Mas 'não há bela sem senão'. Esta era uma casa feita com materiais tradicionais. Qualquer remendo, qualquer restauro ou melhoramento deve ser feito com materiais tradicionais.
Os 'PDMs' a esses 'pormenores' dizem ZERO!
Um bom PDM não é algo 'para o inglês ver'. Um PDM 'com cabeça tronco e membros' não pode estar preocupado com as aparências.
A casa do Dr. Manuel de Brito Camacho foi feita com materiais tradicionais. Não tinha as bonecas de barro da década de 20 mas já tinha frisos decorados(as decorações desapareceram...). Não era forrada a azulejo, mas não era necessáriamente pintada de branco e azul todos os anos...
A cal -a cal! não o branco!!!- era um material básico na construção e na pintura das casas.
Esquecer esta verdade pode dar azo a buracos como este:
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O que aconteceu aqui não é explicável apenas em laboratórios muito sofisticados... O que aconteceu aqui é óbvio:

1.-Agentes da acção
Água, taipa (terra + água), cimento, tinta plástica branquinha e azulinha...

2.- Desenrolar da acção.
A água é um elemento do clima. Aloja nos materiais, não apenas pela sua precipitação, mas pela sua absorção enquanto elemento atmosférico.
Alojada na taipa -é praticamente impossível evitar que isso aconteça- vai ter que sair.
Acontece ainda que a ligação da taipa ao cimento nunca é perfeita. São dois materiais diferentes. Encaixam, ajustam-se mas nunca se ligam...
Pronto!
A linha de junção desses materiais é muitas vezes o local por onde a água se esvai. Em boa verdade esta junção é uma fissura... Daí que o reboco da taipa com cimento nunca resulte perfeito.
Isto é normal. Os materiais respiram e transpiram!
Cereja no bolo: Evitar que a água saia com tintinha branquinha (ou azulinha) plástica!

O resultado já o mostrámos na imagem acima.
E vamos com sorte! A degradação pode ainda tornar-se mais evidente dentro de pouco tempo (um ou dois anos...).
Isto porque, -senhores engenheiros e senhores arquitectos das câmaras; Grandes Irmãos e senhores do bom gosto- não há PDM nenhum que possa alterar as leis da física.


Pelo menos por enquanto...

Publicado por Francisco Nunes em setembro 20, 2004 05:05 PM
Comentários

Margarida tocas num ponto sencivel da obscuridade(eu é que sei tudo dos intelectuais Portugueses)nao sao capazes de o admetir..ainda menos de trabalhar juntos e ademitir erros.Que eu saiba alguns que trabalharam no Canada instalaram ideias inovadoras,mas aceitaram-nas?Olha EU,escrevo mal estou sempre a ser creticado,mas o Portugues esta cheio d'anglicismos,existe um pais que a lingua nao foi modificada depois de centenas d'anos a escritura tambem,mas a nossa?

Afixado por: erasmus em setembro 21, 2004 12:05 AM

Que sabem estes doutores, engenheiros e também arquitectos, das nossas tradições para as poderem respeitar? Sabem, como lhes teria sido ensinado na faculdade, que isso se usou em tempos passados, mas que agora é só o betão e outros materiais mais modernos - e mais fáceis de utilizar, logo mais baratos. Seria imprescindível que eles trabalhassem em equipa multidisciplinar e escrupulosamente exigente quanto aos meios para atingir os fins deste tipo. E será possível admitirem isso?

Afixado por: Margarida A. em setembro 20, 2004 11:10 PM

Verdade insofismável.
Que acaba por trair, quem desdenha as tradições populares.

Afixado por: jgonçalves em setembro 20, 2004 10:04 PM