Pita Ameixa brindou-nos com um artigo de opinião no Diário do Alentejo. Ilustrando a sua abertura para o debate, chamou-lhe 'Ponto Final'.
E o que pontua o Pita?
O Pita acha que a mudança, essa entidade abstracta, é muito simples e reduz-se à necessidade de Beja se afirmar descomplexadamente como capital.
Pronto!
Beja tem que ser uma capital!
Com uma inocência e franqueza de discurso enorme o Pita, acha, e quase expressa, que se mandar em Beja assume uma Taifa. Qualquer que seja o limite da Taifa!
Para não parecer que olha apenas para o seu umbigo, Pita Ameixa disse que se Beja se ajudar, ajuda todo o Baixo Alentejo!
Como nos anúncios dos desodorizantes:'Sentes-te bela; acham-te mais bela!'
Nem se incomodou mais com a justificação deste raciocínio. Para o Pita isto é simples. Beja forte, BAAL (Baixo Alentejo e Alentejo Litoral) mais forte.
Cá está: Ponto Final!
E, neste momento, quem é que faz frente ao Pita?
- A CDU! (Infelizmente, até tem razão neste ponto...).
Diz o Pita: "O momento político que vivemos em Beja só se pode traduzir por uma ideia: Ponto final na CDU."
A partir daqui o discurso do nosso homem segue por vias saltitantes, não lineares... Falando de todo o BAAL, e sem se aperceber da contradição da coisa, Pita acha que se os bejenses estão fartos dos comunistas é porque todo o Alentejo está farto dos comunistas. Imagine-se este raciocínio levado para uma ComUrb. Lindo!...
Falando certamente do fracasso e da inumanidade do Polis em Beja diz este líder ambicioso: "Na verdade é patente, entre a maioria da população, o descrédito da CDU e a mudança necessária na política para dirigir a cidade e o concelho, sente-se hoje como uma urgência."
Como tem muitos afazeres o Pita não teve tempo de desenvolver o seu raciocínio de maneira que, para não ter muito trabalho, e porque tem mais escalpes a fazer, resolveu escrever assim:
"Não quero escalpelizar o que tem sido a administração autárquica da CDU em Beja, pois acho que cabe à população essa análise e, consequentemente, tirar as correspondentes conclusões."
Pronto! Desenrasquem-se. Têm cabeça? Então pensem...
É assim mesmo ó Pita!
E o homem falou assim por falta de tempo MESMO! Hum!... Por isso é que diz:
"Não quer isto dizer que não tenha uma opinião bem fundamentada a esse respeito. Tenho."
Tem uma opinião e BEM FUNDAMENTADA!!! Uf! Estamos safos... O líder é que sabe...
Sempre vai dizendo, apesar destas contingências, que a 'idossincrasia do passado' vai ser ultrapassada por um 'novo ciclo'. Presume-se que a idiossincrasia seja o comunismo e o novo ciclo o socialismo. Nada de dogmas, portanto!
E depois remata esta ideia com questões de fundo expostas de uma forma brilhante:
"Depois de vários concelhos terem feito a mudança, abandonando o atávico “regime” comunista autárquico, até já parece estranho que a capital do distrito se deixe atrasar nesse movimento.
Aliás, uma das principais razões para a mudança deve residir, justamente, na imperativa necessidade política de Beja se afirmar como capital, sem complexos e, como tal, ajudar-se a si própria e a todo o Baixo Alentejo a afirmar-se politicamente."
Quer dizer: Os alentejanos não precisam de se preocupar com programas eleitorais, com personalidades... Não. Os alentejanos só têm que votar num projecto novo, num projecto que se presume PS e que se consubstancia nas suas palavras sábias. O projecto personifica-se no grande Pita.
Não é estranho que o Pita não se refira ao PS de uma forma mais explícita. É que as mudanças geradas pela CDU em Beja foram, muitas delas, copiadas das mudanças realizadas noutras cidades geridas pelo PS. Sampaio chegou a afirmar que em Lisboa, enquanto autarca, desenvolveu processos semelhantes aos realizados em Beja, deu por isso os parabéns ao autarca da CDU em Beja! O Presidente afirmou mesmo a sua razoabilidade e irreversibilidade.
O Pita, obviamente, não foi por aí.
O Pita quer é que Beja tenha "[...]uma voz própria e autónoma, baseada num projecto de afirmação e desenvolvimento e recusando, em voz alta, perante o País, a secundarização para que a CDU a tem castigadoramente empurrado, no plano político, durante anos, e anos agachando-a na miragem do grande Alentejo centrado em Évora."
A partir daqui o Pita não se conteve. Avançou em direcção à ideia que se adivinha em todo o seu texto.
Sem especificar a que estratégia se referia continuou:
"E, com essa estratégia errada da CDU, Beja é subalternizada não apenas em relação a Évora, no contexto do Alentejo. Tão ou mais grave é que, por consequência, Beja é secundarizada face a Faro, a Santarém, a Castelo Branco, à Guarda, etc., etc.".
Mas aqui não percebemos a sua ideia. Porque carga de água é que Beja já é subalternizada? De quem é que o Pita está a falar? Ao que é que se refere? Que et coeteras são estes?
Fala dos governos do PS?
Fala dos governos do PSD?
Fala da cidade de Beja?
Fala de Beja e do Alentejo?
Também procura o 'Graal'?...
Oh Pita!... De vez em quando sempre devias fazer, como literária e sabiamente dizes, 'um escalpe'. Escalpeliza lá... Vá... Nós gostamos muito de ti! Não precisas amuar!
...Mas amuou.
Partiu noutra direcção (também sem 'escalpelizar'...).
O Pita foi 'prender o seu macho'* a Leste.
"Por outro lado é preciso reflectir acerca do mundo actual, onde estamos inseridos, sobretudo após os povos do leste da Europa terem jogado ao chão o muro da vergonha, construído em Berlim, na Alemanha, pelos comunistas. O Partido Comunista Português, que se personifica eleitoralmente na CDU, já divulgou, para o congresso que em breve se vai realizar, as suas Teses – isto é, a moção única autorizada!
Aí se reafirma o modelo de sociedade em que essa organização política se revê, apontando expressamente o Vietname e a Coreia do Norte, Cuba, o Laos..."
E continua apocalipticamente:
"Ou seja, locais onde campeia a miséria ao lado da prepotência, o forçado isolamento do Mundo, a repressão, a ausência de liberdade de conhecer e da livre expressão – um resto da História sem futuro!
Beja, francamente, também não pode ser a capital de um distrito que, de alguma forma, represente tão desgraçada atitude política. Nem, tão pouco, a estalajadeira de um pequeno partido, que pouco acima dos cinco por cento de votos, em Portugal, não tem representatividade nem créditos políticos que possam alavancar o seu progresso no contexto nacional e da Europa comunitária."
Portanto: para o Pita o Alentejo pode cair nas mãos dos sovietes. A não ser que o deixemos salvar-nos.
Obrigado Pita.
Que discurso...
Para que não restem dúvidas o Pita descansa as nossas almas inquietas:
"Não! Há um ponto final a colocar. E, depois, pacificamente e sem dramas, com abrangência, abrir um novo ciclo... "
*Prender o macho- Expressão alentejana para amuar, fazer beicinho, ter birrinha, virar as costas... Já estão a ver? Óptimo!
P.S.: (Post Scriptum!) Este é um discurso escrito. A pobreza de ideias campeia. Os lugares comuns 'entram' em enxurrada. O medo do Papão comunista é usado recorrentemente. A superficialidade e o populismo são omnipresentes. O logro é constante.
É este o homem que quer liderar uma possível -e assustadora- ComUrb?
É este o homem que afirma que há-de desenvolver Beja e que ao fazê-lo desenvolve todo o Baixo Alentejo.
Estamos bem arranjados!...
E o que pensa disto o PSD?
E o que pensam os concelhos alentejanos do litoral?
E que projectos se podem verdadeiramente autonomizar numa ComUrb do BAAL?
A ambição pessoal não terá limites?
Quem é que explica a estes senhores que uma Área Metropolitana do Alentejo não seria necessáriamente sedeada em Évora? Quem é que está disposto a discutir isso?
Já perceberam o motivo que nos leva a não retirar aquela caixinha da Traição do Funchal? Pois!...





O discurso puro e duro a seguir:
opinião
Ponto final
2004-09-24 11:48:13
Uma das principais razões para a mudança deve residir, justamente, na imperativa necessidade política de Beja se afirmar como capital, sem complexos e, como tal, ajudar-se a si própria e a todo o Baixo Alentejo a afirmar-se politicamente.
O momento político que vivemos em Beja só se pode traduzir por uma ideia: Ponto final na CDU.
Na verdade é patente, entre a maioria da população, o descrédito da CDU e a mudança necessária na política para dirigir a cidade e o concelho, sente-se hoje como uma urgência.
Não quero escalpelizar o que tem sido a administração autárquica da CDU em Beja, pois acho que cabe à população essa análise e, consequentemente, tirar as correspondentes conclusões.
Não quer isto dizer que não tenha uma opinião bem fundamentada a esse respeito. Tenho.
Mas, atendendo até à saída do principal responsável autárquico, já anunciada, o melhor caminho parece-me ser o de, pela positiva, construir uma alternativa consistente e afirmar um novo ciclo, totalmente liberto da idiossincrasia do passado.
Depois de vários concelhos terem feito a mudança, abandonando o atávico “regime” comunista autárquico, até já parece estranho que a capital do distrito se deixe atrasar nesse movimento.
Aliás, uma das principais razões para a mudança deve residir, justamente, na imperativa necessidade política de Beja se afirmar como capital, sem complexos e, como tal, ajudar-se a si própria e a todo o Baixo Alentejo a afirmar-se politicamente.
A ter uma voz própria e autónoma, baseada num projecto de afirmação e desenvolvimento e recusando, em voz alta, perante o País, a secundarização para que a CDU a tem castigadoramente empurrado, no plano político, durante anos, e anos agachando-a na miragem do grande Alentejo centrado em Évora.
E, com essa estratégia errada da CDU, Beja é subalternizada não apenas em relação a Évora, no contexto do Alentejo. Tão ou mais grave é que, por consequência, Beja é secundarizada face a Faro, a Santarém, a Castelo Branco, à Guarda, etc., etc..
Por outro lado é preciso reflectir acerca do mundo actual, onde estamos inseridos, sobretudo após os povos do leste da Europa terem jogado ao chão o muro da vergonha, construído em Berlim, na Alemanha, pelos comunistas. O Partido Comunista Português, que se personifica eleitoralmente na CDU, já divulgou, para o congresso que em breve se vai realizar, as suas Teses – isto é, a moção única autorizada!
Aí se reafirma o modelo de sociedade em que essa organização política se revê, apontando expressamente o Vietname e a Coreia do Norte, Cuba, o Laos...
Ou seja, locais onde campeia a miséria ao lado da prepotência, o forçado isolamento do Mundo, a repressão, a ausência de liberdade de conhecer e da livre expressão – um resto da História sem futuro!
Beja, francamente, também não pode ser a capital de um distrito que, de alguma forma, represente tão desgraçada atitude política. Nem, tão pouco, a estalajadeira de um pequeno partido, que pouco acima dos cinco por cento de votos, em Portugal, não tem representatividade nem créditos políticos que possam alavancar o seu progresso no contexto nacional e da Europa comunitária.
Não! Há um ponto final a colocar. E, depois, pacificamente e sem dramas, com abrangência, abrir um novo ciclo... t
* Presidente da Federação Regional do PS do Baixo Alentejo
Publicado por Francisco Nunes em setembro 29, 2004 08:47 PMELUCIDATIVO!
Saudações da
VALERIA
Pode contar comigo Francisco.O meu Alentejo é todo o Alentejo do mundo... incluindo os bacorinhos... a propósito: não identifiquei esse Taifa na imagem do meu blog!
Afixado por: Albardeiro em setembro 29, 2004 11:52 PMA taifa em causa será a sonhada ComUrb do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (actuais concelhos alentejanos do Distrito de Setúbal -Alentejo Litoral- e Distrito de Beja).
O Pita, esperto, não assume a ComUrb do BAAL. Mas é nisso que pensa: numa 'taifa' de Sines a Barrancos... É que deve prever dura a luta com a CDU em Santiago do Cacém e Sines.
Por outro lado, dificilmente as povoações destes concelhos se imaginam enquadradas pela magnifica Pax Julia...
Assim prepara-se para mudar de estratégia e ir devagar... O Primeiro passo consiste na 'tomada' de Beja. Depois...
Um abraço,
Francisco Nunes
Todo o discurso do Pita resume-se a uma simples frase:Auto-Estima abaixo da cota do nível do mar.
Proponho que se utilize o texto do Pita como instrumento de sondagem da auto-estima dos Portugueses.
José António Pires
não tinha visto as coisas por esse prisma... Mas deves ter alguma razão.
A Traição do Funchal é capaz de ser um caso de psicanálise... É! É de facto um caso de psiquiatria... Mas um caso de estudo e de Tese.
Obrigado pelo comentário e um abraço,
Francisco Nunes
Pita nâo vou dar nem,liçôes de geografia nem de moral,a malta sabe isso melhor que eu.Mas, em relaçâo ao teu bla,bla,muro de Berlim,os maus comunistas etc.etc.So uma coisa,nas milhares que acontecem diaramente no teu pais,que serve d'exemplo,nâo ,nâo,nâo tem muro da vergonha..um negro que ia entrar em sua casa,chegou um policia cow-boy e pediu-lhe a identificaçâo.Os outros cow-boys tiraram-lhe 40 balas no corpo,nâo tinha alguma arma,ia dar os ducomentos.PS SE TENS UN POUQUINHO DE CERVÉLA---PENSA NO SHARON E NA SUA CANCÉLA.OK
Afixado por: zim-zim em outubro 1, 2004 10:18 AM