Verdadeiramente, em Portugal, onde quem não é de Direita é de Esquerda, nunca se governa para ninguém...
Se calhar nunca se viveu em democracia... Viveu-se 'afunilado ao centro'. Acomodado. Refém de todo o tipo de oportunistazecos que nos oprimem e cansam. Que nos desanimam e alquebram.
Vivemos no fundo do funil: nas sobras, entre as borras.
Os portugueses nunca poderão escolher entre verdadeiras opções?!
Porquê?
Percebe-se bem o dito de Helena Roseta : 'Vivemos numa alternância sem alternativa'.
que opções ainda temos?
Afixado por: Ana [Lua] em outubro 13, 2004 03:12 AMNão conhecia a ideia de Helena Roseta e que, mais do que brilhante, acho pragmática. É o que temos, com a vacuidade de se ser de esquerda ou de direita tal como se é do Porto ou do Boavista. Sem nenhum conteúdo, sem nenhum propósito, sem nenhum objectivo.
Afixado por: Placard em outubro 13, 2004 10:25 AMFrancisco, com esse seu “post”, despertou-me a ideia de sumariamente descrever episódios (História) ocorridos na sociedade portuguesa nos meados da segunda metade do século XIX, EMBORA NÃO SEJA MAIS DO MESMO (só se for como farsa), contudo parece que temos um certo hábito de nos repetirmos, sempre no pior que há em nós como país/nação/sociedade, será fardo/albarda/cruz/destino... eu acho que é atavismo, inépcia, analfabetismo cultural e político.
Agora um pequeno lençol de escrita:
O Domínio dos Partidos-Sistema (Pacto da Granja de 1876)
Com o Pacto da Granja, de 7 de Setembro de 1876, conologicamente situado entre a morte de Sá da Bandeira e a de Saldanha, deu-se a unificação dos históricos e dos reformistas, reconhecendo-se a urgente necessidade de organizar o partido progressista.
Pouco antes, ocorrera a sexta-feira negra de 18 de Agosto, com a corrida aos bancos e a consequente suspensão de pagamentos, provocada pelo jogo dos fundos espanhóis. A partir de então, lançaram-se as bases de uma bipolarização, entre progressistas e regeneradores, eliminando-se a fragmentação caudilhista, até então dominante.
COMEÇA O ROTATIVISMO
Encerrada a era dos pequenos partidos, iniciou-se o ciclo do chamado rotativismo, onde os dois partidos dominantes, os regeneradores e os progressistas repartiram sucessivamente o mando.
Como depois vai dizer João de Deus no poema Eleições, publicado em «Campo de Flores»:
Há entre el-rei e o povo
Por certo um acordo eterno:
Forma el-rei governo novo,
Logo o povo é do governo
Por aquele acordo eterno
Que há entre el-rei e o povo.
Graças a esta harmonia,
Que é realmente um mistério,
Havendo tantas facções,
O governo, o ministério
Ganha sempre as eleições
Por enorme maioria!
Havendo tantas facções,
É realmente um mistério!
Também Eça de Queirós, em Junho de 1871, observava que quando uma Câmara se fecha, o Governo nomeia outra. Nomeia - porque uma Câmara não é eleita pelo povo, é nomeada pelo Governo. O deputado é um empregado de confiança. Somente a sua nomeação não é feita por um decreto nitidamente impresso no Diário do Governo: o processo dessa nomeação é mais complicado e moroso. É por meio dos votos, os quais são tiras de papel, onde está escrito um nome, e que se deitam num domingo, dentro de umas caixas de pau, a que se chama romanticamente urnas....
Também Ramalho Ortigão não deixou de se pronunciar sobre a situação: Estes partidos, todos conservadores, não tendo princípios próprios nem ideias fundamentais que os distingam uns dos outros, sendo absolutamente indiferente para a ordem e o progresso que governe um deles ou que governe qualquer dos outros, conchavaram-se todos e resolveram de comum acordo revesarem-se no poder e governarem alternadamente segundo o lado para que as despesas da retórica nos debates ou a força da corrupção na urna faça pesar a balança da régia escolha. Tal é o espectáculo recreativo que há vinte anos nos está dando a representação nacional.
Um abraço e desculpe o exagero de comentário...
Alves Caeiro