outubro 22, 2004

Alvéolas e pardais

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Vimos, pelos comentários que nos fizeram, que muitos dos nossos leitores andam deslocados do mundo rural. Nós arriscamos: deslocados do mundo.
Injustamente, foi o Carlos, para quem, por causa das coisas já temos uma praxe pensada (estrebuche ele o que estrebuchar), quem 'as pagou' todas. Apercebemo-nos que, na imaginação de muita gente, o pardal é uma espécie avícola com uma inteligência prodigiosa.
Coitados dos pardais!


Para quem não sabe, muitos destes bichitos, caídos, ainda meio borrachos, do ninho, eram apanhados à mão e alimentados por muitos de nós. Quando lhes pegávamos vivos o seu corpo era, todo ele, um pulsar, um pavor confrandegor...
Para que não se criem mitos acerca do pardal devemos dizer que o pardal, ao contrário do que pode constar nalgumas almas, não é uma raposa arisca e esperta. Não! Um pardal é... um pardal.
Arisca, arisca era a alvéola. Este bichito saltitante sim... este era lixado.
Esperto, apanhava-nos o isco por baixo do mordente da armadilha. Era desesperantemente ardiloso -ou irritantemente medroso-. Mas mesmo este animal era caçado pelos mais habilidosos, nos quais não nos incluímos, de entre nós...

Tal como entre os homens, os espertos também se enganam, e os cobardes não estão a salvo de todos os riscos.

Estão a ver, prezados leitores, como as lições da natureza têm muita aplicação no 'mundo dos homens'?
Pois é!...

Publicado por Francisco Nunes em outubro 22, 2004 03:45 PM
Comentários

Agora meto eu a "colherada":
Percebo tanto de pássaros como de física nuclear ou de lagares de azeite, mas tu dizeres que as aves não são inteligentes?!!! Ó Francisco!
Então as aves citadinas, conhecidas por "aves raras" que enxemeiam empresas, bancos, altos cargos públicos, governos etc...???
Pôrra! Que Heinstein's de asas!!!

Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em outubro 23, 2004 04:57 PM

Não, pardais não apanhava com arnadilhas. Só com fisga. Alvéloas (é como está no dicionário), apanhei muitas. Uma situação que não esqueci foi estar de atalaia a espreitar a zona onde tinha uma armadilha, rodeada de Alvéloas e nenhuma «cair». 6 ou 7 rodeavam a pequena elevação onde a armadilha tinha sido enterrada, pareciam olhar todas para lá, e nenhuma caía. Já desiludido aproximei-me e... lá estava uma presa, morta. Durante anos me interroguei sobre a consciência que as outras terão tomado da situação de morte da parceira.
A minha expressão no comentário às Agúdias «duvido», é forte. E infeliz de socialmente incorrecta. Igualmente rejeito o «bold» deste post. Se as nossas palavras assentam nas nossas experiências, certamente todos temos razão.
Abraço

Afixado por: perplexo em outubro 23, 2004 02:17 AM

Em Ornitologia, científica ou popular, muitas aves por aí proliferam e são sempre motivo de muitas estórias, ricas em conteúdo infantil e não só.
Mas nas grandes cidades, como aquela onde vivo, existe cada pardalão, que nem vos conto.

Afixado por: jgonçalves em outubro 22, 2004 11:14 PM

Sempre, mas sempre disposto a aprender, Francisco. Aliás, dá-me um certo gozo aquele enorme rol de urbanos a dizer que o que gostariam era de viver no campo e, aí intalados num qualquer fim-de-semana, exaperam-se com as formigas, com as moscas, enfim, com todo o bichito que faz o campo ser campo!
Mas, e há sempre um mas, de praxadas estamos conversados! Neste particular, sou pela tradição da terra onde não há tradição de praxadas e quem as tenta leva, inevitavelmente, uma pranxadela!

Abraço e votos de continuação de bom humor.

Afixado por: carlos a.a. em outubro 22, 2004 05:39 PM

Meu caro Francisco: isto é o que se chama um blogue de serviço público. Sem que se tolere a interferência do governo no conteúdo e alinhamento dos posts!

Afixado por: LFV em outubro 22, 2004 05:27 PM