

Vimos, pelos comentários que nos fizeram, que muitos dos nossos leitores andam deslocados do mundo rural. Nós arriscamos: deslocados do mundo.
Injustamente, foi o Carlos, para quem, por causa das coisas já temos uma praxe pensada (estrebuche ele o que estrebuchar), quem 'as pagou' todas. Apercebemo-nos que, na imaginação de muita gente, o pardal é uma espécie avícola com uma inteligência prodigiosa.
Coitados dos pardais!
Para quem não sabe, muitos destes bichitos, caídos, ainda meio borrachos, do ninho, eram apanhados à mão e alimentados por muitos de nós. Quando lhes pegávamos vivos o seu corpo era, todo ele, um pulsar, um pavor confrandegor...
Para que não se criem mitos acerca do pardal devemos dizer que o pardal, ao contrário do que pode constar nalgumas almas, não é uma raposa arisca e esperta. Não! Um pardal é... um pardal.
Arisca, arisca era a alvéola. Este bichito saltitante sim... este era lixado.
Esperto, apanhava-nos o isco por baixo do mordente da armadilha. Era desesperantemente ardiloso -ou irritantemente medroso-. Mas mesmo este animal era caçado pelos mais habilidosos, nos quais não nos incluímos, de entre nós...
Tal como entre os homens, os espertos também se enganam, e os cobardes não estão a salvo de todos os riscos.
Estão a ver, prezados leitores, como as lições da natureza têm muita aplicação no 'mundo dos homens'?
Pois é!...
Agora meto eu a "colherada":
Percebo tanto de pássaros como de física nuclear ou de lagares de azeite, mas tu dizeres que as aves não são inteligentes?!!! Ó Francisco!
Então as aves citadinas, conhecidas por "aves raras" que enxemeiam empresas, bancos, altos cargos públicos, governos etc...???
Pôrra! Que Heinstein's de asas!!!
Um abração do
Zecatelhado
Não, pardais não apanhava com arnadilhas. Só com fisga. Alvéloas (é como está no dicionário), apanhei muitas. Uma situação que não esqueci foi estar de atalaia a espreitar a zona onde tinha uma armadilha, rodeada de Alvéloas e nenhuma «cair». 6 ou 7 rodeavam a pequena elevação onde a armadilha tinha sido enterrada, pareciam olhar todas para lá, e nenhuma caía. Já desiludido aproximei-me e... lá estava uma presa, morta. Durante anos me interroguei sobre a consciência que as outras terão tomado da situação de morte da parceira.
A minha expressão no comentário às Agúdias «duvido», é forte. E infeliz de socialmente incorrecta. Igualmente rejeito o «bold» deste post. Se as nossas palavras assentam nas nossas experiências, certamente todos temos razão.
Abraço
Em Ornitologia, científica ou popular, muitas aves por aí proliferam e são sempre motivo de muitas estórias, ricas em conteúdo infantil e não só.
Mas nas grandes cidades, como aquela onde vivo, existe cada pardalão, que nem vos conto.
Sempre, mas sempre disposto a aprender, Francisco. Aliás, dá-me um certo gozo aquele enorme rol de urbanos a dizer que o que gostariam era de viver no campo e, aí intalados num qualquer fim-de-semana, exaperam-se com as formigas, com as moscas, enfim, com todo o bichito que faz o campo ser campo!
Mas, e há sempre um mas, de praxadas estamos conversados! Neste particular, sou pela tradição da terra onde não há tradição de praxadas e quem as tenta leva, inevitavelmente, uma pranxadela!
Abraço e votos de continuação de bom humor.
Afixado por: carlos a.a. em outubro 22, 2004 05:39 PMMeu caro Francisco: isto é o que se chama um blogue de serviço público. Sem que se tolere a interferência do governo no conteúdo e alinhamento dos posts!
Afixado por: LFV em outubro 22, 2004 05:27 PM