O exterior
A peça 'A Verdadeira História da Bela Adormecida' de António Rodrigues Alvárez, está em cena no Garcia de Resende até ao próximo dia 30.
Esta é uma das peças mais inteligentes a que temos assistido.
De um humor cortante esta peça para dois actores mexe com os nossos sentimentos de uma forma muito eficaz. Põe em causa, de uma forma crua e divertida, muitos dos nossos mitos e desconstrói subliminarmente as bases da nossa estrutura mental e moral.
A peça 'A Verdadeira História da Bela Adormecida' é uma reflexão sobre a condição feminina no Mundo Mediterrânico; sobre a forma como os contos populares, mesmo quando reescritos por literatos, de gosto duvidoso, aliás, reflectem concepções profundas da estrutura social vigente.
O trabalho de actores está impecável. A portuguesa Rosário Morales e o espanhol Vicente Palacios actuam, sem qualquer intervalo, a muito bom nível durante uma hora e vinte minutos. Incutem ao texto um ritmo ágil e divertido.
Justificou plenamente a casa cheia de ontem (Sábado 23).
Na assistência havia crianças de nove anos e adultos de todas as idades. Todos estes espectadores, fazendo obviamente diversas leituras da peça, saíram de sorriso estampado no rosto.
A actriz Rosário Gonzaga chega 'a jogar com os sentimentos' do público a níveis altíssimos, atirando-o das lágrimas ao riso e das descontracção à reflexão como se, a um tempo, o público fosse uma mera caixa de ressonância dos impulsos e caprichos da actriz.
A determinada altura, quando a protagonista se assume como a Bela Adormecida, e passe o possível excesso patriótico, deu-nos a sensação que o seu colega Antonio Morales se deixou, ele próprio, subjugar pela força da representação da actriz.
A encenação, a cargo de Juan Ruesga Navarro e de Vicente Palacios, está adequada bem como a música de fundo da responsabilidade de Santiago Martinez e de Enrique Galera.
Lotação e preço dos bilhetes:
60 lugares (a peça é apresentada na sala de aula -antiga sala de ensaios).
Adultos 8 euros, crianças 4 euros.
Do teatro há pouco a dizer: Lindo!
Enquanto esperávamos pela hora de subida para a sala apreciávamos os quadros e os rasgões que os excessos dos revolucionários no 'pós 25' lhe 'espetaram' colando-lhe revolucionariamente cartazes e panfletos de peças e ideais revolucionários...
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