
Temos andado a matutar no artigo de opinião que um dirigente local de grande capacidade -e que idolatramos!- tem andado a propor para o Alentejo.
"Beja capital!" foi o título que Jorge Pulido Valente escolheu para este artigo. Apetece continuar: "...e o resto são cantigas!..." Mainada!
Diz este político, com os olhos postos numa descentralizadora 'Comurbezita' que temos que aceitar o centralismo de Beja.
E porquê?
Porque sim!
O seu artigo iniciou-se com esta pérola estalinista -dizemo-lo elogiosamente-:
"Cada município tem que perceber e aceitar que, para benefício de cada um e do desenvolvimento de todos como região, há certos investimentos, projectos e iniciativas que têm que ser feitos na “capital” e que só aí fazem sentido."
Sem mais discussão...
Esclarecida esta questão(?!?!?!) parte o nosso político para a sua idéia.
Idealiza uma estrela multipolar. Ora, argutamente, o articulista constata que uma estrela tem um centro.
E tem pólos!
E vai mais longe: esta estrela pressupõe o abandono do "comprovadamente inadequado e ineficaz triângulo"
Esta deixou-nos esmagados! Porque é que a estrela multipolar é melhor do que o triângulo?
Quem é que pode dizer:
"Não, não meu caro senhor! Não! Triângulos nunca! E entre as refeições... ah lá isso! Im-po-ssí-vel!
Para mim uma estrela multipolar!... Mas com centro!"
Há quem possa. O articulista pode. Diz ele:
"O modelo de desenvolvimento em estrela multipolar que tenho vindo a defender para o Baixo Alentejo, em substituição do já comprovadamente inadequado e ineficaz triângulo, pressupõe a existência dum centro, uma capital, a qual por motivos óbvios e por muito que custe a determinadas pessoas que anseiam por outros protagonismos, não poderá deixar de ser Beja."
Somos levados a concordar: Beja, de facto, fica no meio de uma estrela multipolar. Até imaginamos que os pólos sejam, p'raí 3... Assim tipo emblema da Mercedes... com os vidros muito, muito fumados...(essa do make peace, not war....)
Até propomos que se faça uma bandeira para esta Comurb baseada nesta idéia: O emblema da Mercedes; em cada ponta da estrela, uma imagem... o Alqueva, o porto de Sines e o aeroporto de Beja. A circunferencia seria substituida pela silhueta da fronteira da ansiada 'taifa do BAAL'. Tudo em amarelo doirado (por causa do trigo... e assim).
Não temos nada contra... Assim... tipo... Chipre! Sim! é isso: tipo bandeira do Chipre!... um fundo branco e uma imagem amarela. Lindo. Poderiam os vetustos carros negros dos nossos representante confundir-se com os carros do Vaticano e do embaixador do Chipre... mas depois a rapaziada habituava-se...
Bom! isto é a gente a sonhar!... Até porque urge passar à acção!
Diz o nosso guru:
"No entanto, para que tal se venha a concretizar em tempo útil, é indispensável que se verifiquem alguns pressupostos, nomeadamente:
1 – que todos os concelhos do Baixo Alentejo reconheçam o papel fundamental e insubstituível que a cidade de Beja tem de desempenhar como centro polarizador, catalizador e dinamizador deste território em termos estratégicos, económicos, sociais, culturais, educativos, políticos e administrativos. Nessa perspectiva, cada município tem que perceber e aceitar que, para benefício de cada um e do desenvolvimento de todos como região, há certos investimentos, projectos e iniciativas que têm que ser feitos na “capital” e que só aí fazem sentido".
Apreciamos a ambição do homem... 'TODOS' os concelhos do Baixo Alentejo devem aceitar Beja como a sua capital indiscutível.
Brilhante! Amanhã, Beja; depois o Baixo Alentejo e, esmagados pelo potencial avassalador da coisa, os concelhos do litoral submeter-se-ão à nova capital.
Heróico!
O leitor sorri-se... Descanse.
Qual Maquiavel, o grande Pulido, depois de impôr às autarquias que larguem alguma réstea de personalidade e amor-próprio que lhes possam ainda restar, lança corajosamente a estratégia:
"
Assim, todos e cada um dos autarcas deverão preocupar-se não só com os projectos referentes ao seu município como também com aqueles que localizando-se em Beja tenham um âmbito regional e contribuam para afirmar Beja como capital do Baixo Alentejo.
Para que assim seja, necessitamos de dispor de um instrumento político que até à concretização da regionalização enquadre a intervenção inter e supramunicipal. Face à nova lei e “arrumada” a AMDB como associação de fins específicos, apenas nos resta a Comunidade Urbana do Litoral e Baixo Alentejo;"
Subtil a 'facada'. Não é bom humilhar os vencidos...
Reparem: Comunidade Urbana do Litoral e Baixo Alentejo
Han? Estão a ver a ideia?...
- Isso agora é nosso. É cá da Taifa. Mas para que vocês não se sintam muito espezinhados a expressão Litoral até surge primeiro...
Bom!... Pelo menos nos primeiros tempos...
Mas entretanto Beja não pode dormir. Beja tem que ser velhaca... e dominadora!
É preciso mostrar quem manda:
"2 – que Beja (com o contributo das outras autarquias) defina e assuma clara, decidida e definitivamente a sua vocação, a sua estratégia, os seus objectivos e as suas prioridades, como concelho, como cidade e como capital regional. Sendo já, actualmente, um pólo atractivo de população relativamente aos municípios vizinhos devido à oferta de determinados serviços que só fazem sentido e só são viáveis a partir de uma certa dimensão ou escala, a cidade adquiriu um conjunto de novas responsabilidades quer relativamente aos seus habitantes permanentes, quer aos seus utilizadores de serviços, quer aos que apenas aí detêm o seu “domicílio habitacional nocturno” (ou seja, trabalham noutros concelhos), quer ainda no que respeita à organização e desenvolvimento de uma rede urbano rural com o seu centro em Beja;"
Esta da 'rede urbano rural' obrigou-nos a ir ao Nepal ter com outros gurus... esta é forte! Muito forte! Mas também quem nos manda comentar génios?... Pois!... Não é que o conceito seja muito complicado em si mesmo. O que nos baralhou foi a operacionalidade da coisa. Falando de 'domicílio habitacional nocturno' imaginámos alguém que more no Bairro de Mira Serra ir ver as suas couves e estufas de alfaces, diariamente, à cabeça Gorda... ou a Cuba... e de carroça. Por exemplo...
Mas queremos crer que o grande líder já pensou nisso. Pronto!
Quanto às responsabilidades que a cidade adquiriu... essa é fácil: o comércio e os organismos públicos... só a EDIA mete gravatas e saltos altos... Bem!...
Está certo, portanto...
Esmagadas as autarquias, é preciso calcar todos os partidos...
"3 – que todos os partidos políticos coloquem os interesses da região acima das meras estratégias e objectivos partidários e se unam na procura do modelo e da estrutura política e administrativa que melhor se adequa aos objectivos e mais eficazmente responde aos desafios que se colocam em termos de desenvolvimento – a Comunidade Urbana do Litoral e Baixo Alentejo. Só reforçando e valorizando o papel do Baixo Alentejo e de Beja como sua capital, evitando a sua secundarização e subalternização face a outras áreas e cidades do Alentejo, será possível resolver os problemas estruturais que impedem o nosso desenvolvimento;"
Esta é fácil: todos os partidos vão ter de ter a mesma opinião do nosso grande Estaline (sem desprimor... antes pelo contrário!)
Convencidos os partidos e as outras autarquias, o nosso lídere lembrou-se das "forças ainda vivas". Mas só das forças que interessam (ou estejam desempregadas e não sirvam para mais nada)!
"4 – que as chamadas “forças vivas” da região, mas sobretudo um alargado e diversificado conjunto de pessoas de vários quadrantes sociais, políticos, profissionais, etc., que já demonstraram ao longo das suas vidas (mais curtas ou já mais longas) estarem interessados e preparados para contribuir desinteressadamente para este processo de afirmação e desenvolvimento do Baixo Alentejo, possam gerar um amplo movimento de reflexão e de acção que elabore um “pacto regional” e prepare e apresente publicamente, à população e ao Governo, uma estratégia e um programa de intervenção em todos os sectores, pelo menos para os próximos 10 anos;"
Depois dos quinquenais, os planos de dez anos. Não há que ter tibiezas! O Estaline de certeza que agora até se envergonhou pela sua mesquinhez! Bem feito!
Posto isto, só falta montarmos os alazões e mostrarmos aqueles alentejanos perfumados dos barquitos e da sardinhita e da praia como é que é...
É que líder já temos...
"5 – finalmente, que surja um “líder” com reconhecida visão, vontade, espírito de missão, de sacrifício e capacidade para mobilizar, congregar, catalizar, potenciar e coordenar todos os que estiverem disponíveis para trabalhar nesse projecto, criando uma “onda” que a partir da capital natural do Baixo Alentejo se estenda por toda a região."
Chamam-lhe:
"Jorge Pulido Valente"





já a seguir todo o artiguinho publicado no Diário do Alentejo:
Beja capital!
2004-10-22 10:55:46
Cada município tem que perceber e aceitar que, para benefício de cada um e do desenvolvimento de todos como região, há certos investimentos, projectos e iniciativas que têm que ser feitos na “capital” e que só aí fazem sentido.
O modelo de desenvolvimento em estrela multipolar que tenho vindo a defender para o Baixo Alentejo, em substituição do já comprovadamente inadequado e ineficaz triângulo, pressupõe a existência dum centro, uma capital, a qual por motivos óbvios e por muito que custe a determinadas pessoas que anseiam por outros protagonismos, não poderá deixar de ser Beja. No entanto, para que tal se venha a concretizar em tempo útil, é indispensável que se verifiquem alguns pressupostos, nomeadamente:
1 – que todos os concelhos do Baixo Alentejo reconheçam o papel fundamental e insubstituível que a cidade de Beja tem de desempenhar como centro polarizador, catalizador e dinamizador deste território em termos estratégicos, económicos, sociais, culturais, educativos, políticos e administrativos. Nessa perspectiva, cada município tem que perceber e aceitar que, para benefício de cada um e do desenvolvimento de todos como região, há certos investimentos, projectos e iniciativas que têm que ser feitos na “capital” e que só aí fazem sentido.
É indispensável, para o efeito, que exista um correcto planeamento e ordenamento do território à escala inter/supra municipal, substituindo a irracional lógica do somatório de tudo aquilo que cada um quer só para o seu concelho, mesmo que não tenha dimensão ou vocação para tal.
Assim, todos e cada um dos autarcas deverão preocupar-se não só com os projectos referentes ao seu município como também com aqueles que localizando-se em Beja tenham um âmbito regional e contribuam para afirmar Beja como capital do Baixo Alentejo.
Para que assim seja, necessitamos de dispor de um instrumento político que até à concretização da regionalização enquadre a intervenção inter e supramunicipal. Face à nova lei e “arrumada” a AMDB como associação de fins específicos, apenas nos resta a Comunidade Urbana do Litoral e Baixo Alentejo;
2 – que Beja (com o contributo das outras autarquias) defina e assuma clara, decidida e definitivamente a sua vocação, a sua estratégia, os seus objectivos e as suas prioridades, como concelho, como cidade e como capital regional. Sendo já, actualmente, um pólo atractivo de população relativamente aos municípios vizinhos devido à oferta de determinados serviços que só fazem sentido e só são viáveis a partir de uma certa dimensão ou escala, a cidade adquiriu um conjunto de novas responsabilidades quer relativamente aos seus habitantes permanentes, quer aos seus utilizadores de serviços, quer aos que apenas aí detêm o seu “domicílio habitacional nocturno” (ou seja, trabalham noutros concelhos), quer ainda no que respeita à organização e desenvolvimento de uma rede urbano rural com o seu centro em Beja;
3 – que todos os partidos políticos coloquem os interesses da região acima das meras estratégias e objectivos partidários e se unam na procura do modelo e da estrutura política e administrativa que melhor se adequa aos objectivos e mais eficazmente responde aos desafios que se colocam em termos de desenvolvimento – a Comunidade Urbana do Litoral e Baixo Alentejo. Só reforçando e valorizando o papel do Baixo Alentejo e de Beja como sua capital, evitando a sua secundarização e subalternização face a outras áreas e cidades do Alentejo, será possível resolver os problemas estruturais que impedem o nosso desenvolvimento;
4 – que as chamadas “forças vivas” da região, mas sobretudo um alargado e diversificado conjunto de pessoas de vários quadrantes sociais, políticos, profissionais, etc., que já demonstraram ao longo das suas vidas (mais curtas ou já mais longas) estarem interessados e preparados para contribuir desinteressadamente para este processo de afirmação e desenvolvimento do Baixo Alentejo, possam gerar um amplo movimento de reflexão e de acção que elabore um “pacto regional” e prepare e apresente publicamente, à população e ao Governo, uma estratégia e um programa de intervenção em todos os sectores, pelo menos para os próximos 10 anos;
5 – finalmente, que surja um “líder” com reconhecida visão, vontade, espírito de missão, de sacrifício e capacidade para mobilizar, congregar, catalizar, potenciar e coordenar todos os que estiverem disponíveis para trabalhar nesse projecto, criando uma “onda” que a partir da capital natural do Baixo Alentejo se estenda por toda a região.
Jorge Pulido Valente
De tão longe nunca imaginei que o futuro do Alentejo - alto e baixo - e do país - terrestre e marítimo - pudesse passar pela vocação colonialista de geometria variável. Mas para quem, a cada dia, aprende cálculo financeiro com guardadores de rebanhos e a estucar tectos com autarcas...
Pode Cunhal morrer descansado. Estaline é uma nódoa limpa pela benzina de um valente!
Afixado por: Placard em outubro 26, 2004 09:52 AMBoa análise, Francisco, detalhada e assertiva, mas a quem pensa como Jorge Pulido Valente e Pita Ameixa apetece esclarecer:
1 - um rei poderá ser sempre rei porque tem súbditos;
2 - um Presidente só o poderá ser se tiver eleitores.Ainda vai uma distância considerável ou será mesmo que pretendem em vez de uma ComURB estabelecerem-se como vice-reis do Baixo Alentejo?
Abraço
Afixado por: carlos a.a. em outubro 26, 2004 03:08 PMEssa nua e crua do ter que perceber e aceitar... convenhamos que é um Gulag próprio de alguma peguia da ribª de Oeiras. Coisas do tipo, "...e o resto é paisagem". E as particularidades e as difernças que também é um direito dos outros... ou o homem desconhece que aceitar as diferenças é evitar as desigualdades.
Francisco, um abraço.
E quem fala (escreve) assim, não é gago.
É cego, com uma ambição desmedida.