Estivémos, há uns anos largos, no Parlamento Europeu em Estrasburgo.
Recordamos as madeiras do interior, em tom de mel com poucos feitios e o azul cobalto -salvo erro- de algumas paredes.
Bandeiras e bandeirinhas azuis, canetas azuis, porta-chaves azuis e marcadores de livros azuis e muitas estrelas e estrelinhas amarelas.
Muitos vidros, muitos fatos, muitos saltos altos.
Normal.
Ao longo de estranhos corredores uma imensidão de gabinetes e gabinetezecos, funcionários bem dispostos -talvez exageradamente bem dispostos-, comunicativos e conversadores entre si - talvez exageradamente 'entre si'-.
No chão alcatifas e papéis. Quilos e quilos de papéis -toneladas e toneladas de árvores abatidas-.
Um plenário a 'meio-gás'.
Normalíssimo.
Ficámos com a sensação que todas aquelas séries humorísticas inglesas que ridicularizavam Bruxelas, a Comissão, o Parlamento Europeu tinham toda a razão de ser.
Nos últimos tempos ainda se nos acentuou a evidência da Europa instituição ser um logro para os pequenos países, um elefante branco para os grandes países e um 'consumidouro' de dinheiro para os Europeus que a têm que pagar.
Já nem nos referimos ao caso Buttiglione. Nem ao espalhafatoso Cohn-Bendit.
Referimo-nos à ausência de ideias. De programas.
Hoje, as motivações para a eleição da Comissão que tentará reger alguma coisita na Europa até 2009, tiveram rigores como os que se seguem:
O Parlamento Europeu aprovou a Comissão de Durão Barroso com a seguinte votação:
-449 votos a favor;
-149 votos contra;
-82 abstenções.
(Há 4 meses Barroso fora nomeado presidente da Comissão com 413 votos a favor; 251 contra e 44 abstenções).
-Ou seja: Bestial/besta/bestial em 4 meses!-
O Partido Popular Europeu foi o maior apoiante de Barroso mas os deputados polacos e alguns checos, húngaros e britânicos, opuseram-se a que o ex-comunista húngaro Laszlo Kóvacs fosse designado comissário.
Os Socialistas também votaram maioritariamente pelo futuro Executivo, com a excepção de franceses, italianos, gregos e belgas, que se abstiveram devido à comissária da Competência, a holandesa Neelie Kroes, criticada pelo conflito de interesses que pode supor a sua relação passada com várias empresas privadas.
A Aliança de Liberais e Democratas Europeus (ALDE) aprovou a equipa de Barroso, salvo os franceses e a maioría dos italianos, que também se abstiveram por causa da comissária Kroes.
Todos os deputados Verdes e da Esquerda Unitária votaram contra o Executivo comunitário, ao considerar que há vários comissários que não cumprem os requisitos para o posto, entre estes o designado para a política de Meio Ambiente, o grego Stavros Dimas, e o de Liberdades, Justiça e Interior, o italiano Franco Frattini.
Acham os prezados leitores que se discutiram aqui as políticas e não as pessoas?
Pois... nós já não achamos nada!...
Fonte: La Razón
Publicado por Francisco Nunes em novembro 18, 2004 06:51 PMEntão mas se as políticas nem são discutidas a nível interno! Iam-no ser no eldorado?
Afixado por: Luís Vieira em novembro 18, 2004 10:52 PMNem políticas nem pessoas, Francisco. Ali defenderam-se os interesses nacionais de cada país e é exactamente isso que nós, bem mais espertos, não queremos ver - que a UE não existe senão para defender interesses dos países mais fortes!
Que federação?