Tem a mania que bebe um azeitito de jeito olhando para o grau de acidez do azeite que compra no hiper aí do sítio?
H'éehkh!
Em duas ou três horas, mal medidas e distribuídas por duas tardes, catámos as azeitonas de duas das seis oliveiras cá do quintal.
Com algum orgulho guiámos até ao lagar de um amigo. Previamente, e porque 'amigos, amigos, negócios à parte...' -uma máxima, para nós, muito válida- acertámos o negócio com ele via telefone, sem nos identificarmos. Identificados prometemo-nos palmadas nas costas e jantaradas que, por escassez de tempo, ainda não realizámos. A seu tempo...
Chegados ao lagar com as nossas azeitonitas demos de caras com um alçapão. O despropósito entre os nossos três balditos e a fossa de 2 por 8 metros deixou-nos à rasca...

Levantámos o olhar e um 'banho' de tecnologia começou a 'esmagar-nos'. Um lagar todo modernaço mirava-nos com um ar zombeteiro. Os balditos minguavam, envergonhados, a olhos vistos...

Por sorte somos aparentados com o patrão... e já eram 10 da noite...
Entrados na recepção somos 'entalados' entre computadores e 'electrónicas' várias.
A balança fascinou-nos. Media ao quilo as azeitonas entradas na 'fossa magna' da entrada.

Quando dizemos 'ao quilo', queremos de facto dizer 'ao quilo'...

Transportada por um sem-fim a azeitona foi depositada num cacifo de cimento de grandes proporções (3mx3mx3m) Estes cacifos -6 ao todo- são providos de uma abertura rasgada à sua altura. Mirando-os de frente há uma 'boca de água' que, pressionado o botão respectivo, as 'massacra' com um forte jacto.
Saídas da sua clausura temporária as azeitonas, transportadas pela água, são arrastadas por uma 'caleira' até ao jogo de prensas e trituradores que as transformarão em polpa e caroço.




A polpa, depois de liquefeita, é limpa e depurada, enquanto o caroço é seco para se transformar no combustível que há-de aquecer a água que limpará o abençoado azeite.



Elaborado, alvo do carinho do lagareiro e dos seus empregados -apenas dois!!- o azeite repousa agora em reservatórios com óptimo aspecto e de maternais odores...
Está o leitor a rir-se dos 'maternais'?
Das duas uma: ou não vivencia, nem vivenciará nunca, os prazeres do mundo rural ou está completamente rendido -e iludido- com os méritos dos óleos derivados da azeitona em refinarias manhosas.
Isto da vida no campo não é para todos...
Adiante: repousa agora o nosso azeite, em reservatórios de óptimo aspecto...

Gostou o leitor urbano desta posta?
Quer vivenciá-la completamente?
Então do que está à espera?
Para o próximo ano envergue um fato-macaco, um fato de treino de marca, o que quiser e venha apanhar azeitonas. Contacte-nos se não souber onde encontrar um lagar.
Acredite: consumir azeite de fabrico próprio, por pouco que seja, elaborado em moldes modernos, à nossa vista é uma sensação única.
(Claro está que isto tudo tem senãos...)
Não leitor desconfiado! Não! Ninguém nos pagou para escrever estas 'patacoadas'...
Publicado por Francisco Nunes em novembro 25, 2004 04:15 PMBom trabalho de pesquisa e bem organizado e o azeite é coisa boa, por ex, como uma bacalhauzada...
Afixado por: hammer em novembro 27, 2004 11:49 PMDesculpem, mas não há azeite como o das oliveiras lá da aldeia que consumo desde que me lembro de ser gente! Bejus.
Afixado por: sónia em novembro 26, 2004 08:18 PMFinalmente consegui descobrir o barramento que me impedia de comentar nalguns blogs nomeadamente
neste o que me trazia deveras chateado. Quanto ao post. O azeitinho que "je" consome contém o máximo 0,3 graus de acidez, também por isso cada litro custa aproximadamente 10 €, adquirido no Hipper mas com certificado de garantia.
Pena é, que esse azeite, acabe sempre primeiro do que o pão,(nada como uma fatia de broa, (caseira) ensopada em azeite).
Eu disse ensopada? Desculpem-me.
-Óla...!... eu sou o Jorge!
-OLÁ JORGE!
-...H´éehkh! consumo azeite da treta á já muito tempo. Pior! Tenho uma oliveira ao fundo do quintal e não lhe toco! chuif!!! Sou um tráste!
Pois bem! estou "rendido(...)" mas pouco iludido! Foram patacoadas de principios simples, com vontades fortes, que me prenderam os olhos no ecran. Subitamente fiquei com vontade de ir ao campo... ouvi dizer que no sábado ha matança do porco em Castelo de Vide!
"MATERNAIS ODORES"... héhé!
Boa Francisco!
Afixado por: Jorge Barros Gomes em novembro 25, 2004 07:05 PM