Ponto de ordem:
Temos culpas no cartório.
Mas não nos coibimos de estranhar todos os comentários que ouvimos à sua esquerda e à sua direita. A situação em que se encontra lembra-nos a história do velho, do rapaz e do burro. (Aos leitores mais intelectuais diremos que nos lembra aquela célebre frase de Afonso de Albuquerque que, no contexto do seu tempo, ainda hoje faz sentido: "Mal com os homens por amor de El-Rei, mal com El-Rei por amor dos homens.")
Pois é...
De qualquer forma, e em pouca prosápia, diremos que Sampaio se limitou a interpretar -quanto a nós, bem - a Constituição e os valores da democracia.
Após a fuga do José Barroso com a flausina da Europa e com base na Assembleia, deixou que a maioria parlamentar, pela incrível mão de Santana Lopes, formasse governo.
Não havia, nesta altura, nada na Constituição que justificasse a dissolução da Assembleia. Não era portanto o Ferro Rodrigues, como já lemos, que estava em causa.
Santana Lopes, portanto, fez, por assim dizer, o seu, digamos, governo...
Constatada, como admitimos que ele previsse, a incompetência de Santana, Sampaio dissolveu a maioria. Entretanto tinham ocorrido os congressos dos dois maiores partidos da nossa partidocracia. De um saiu uma revolução tecnológica mal explicada, de outro, o Santana reforçado. Os grandes partidos estavam com as respectivas lideranças estabelecidas e legitimadas. Pelo menos era o que se arranjava... Os portugueses poderiam, caso fosse necessário, optar pelo tipo de governo que mais lhes conviesse. Pronto!
O Presidente passou à acção:
Dissolveu a Assembleia da República. Para uns foi tarde 4 meses, para outros foi cedo 2 anos...
Acontece que demitir o Governo sem dissolver a Assembleia, como alguns advogam, não levaria, como facilmente se imagina, a lado nenhum. A maioria, para 'não parecer mal', daria a Portugal mais do mesmo... Um ramerame enlouquecedor! Por outro lado como é que se poderia manter o país neste crescendo de insatisfação durante mais dois anos?
Sampaio fez o que deveria fazer.
Lembra-nos contudo aquele caçador de Serpa com maus cães:
"Vá lá um homem à caça com cães destes!..."
Pronto! admitimos que era melhor que fosse antes à pesca... ao menos só contava consigo.
Publicado por Francisco Nunes em dezembro 12, 2004 07:51 PMPOIS...
Afixado por: xico manel em dezembro 13, 2004 05:09 PMUm bom retrato da situação actual. O Presidente fez o que tinha a fazer. Esperemos agora que o Povo não se esqueça de quem o trata mal. Tb fazemos votos para quem se segue tenha os olhos postos neste País e não perca tempo com a imagem.
Afixado por: Lumife em dezembro 13, 2004 04:15 PMSempre pensei exactamente que o PR percebe mais disto a ressonar do que este pessoal bem acordado... se não decidiu mais cedo foi prevenido, não arcar com remorsos e se não justificou mais ainda foi certamente porque se controlou nas conjecturas...e não convem descer de nível!Haja alguem!
Afixado por: hammer em dezembro 13, 2004 09:12 AMMeu caro amigo penso que esta decisão agora tomada pelo presidente da república interpreta melhor o sentimento da maioria da população do que aquela que ao abrigo da Constituição houvera tomado há quatro meses atrás. E só por isso o Presidente prestou um serviço à democracia, até porque a tão reclamada legitimidade parlamentar
invocada pelos dois partidos da coligação vai ser demonstrado nas próximas eleições não existir presentemente.
Pois poderia ter ido à pesca, mas mesmo assim teria de escolher bem a minhoca...
Afixado por: jgonçalves em dezembro 12, 2004 10:01 PMComo dissertação "politica" não está mal. è o que eu chamo: falar "politiquez". Mas aonde é que fica o sentir e as aspirações da população? O Presidente (e o governo e o parlamento) não o é de todos os portugueses? Porque é que uns são mais portugueses que outros?
O que quero dizer é: (1) Recuso-me a aceitar (sem extrebuchar muito) o estatuto de insignificância que eles dão à maioria da população. Estou mesmo em querer que, assim, não vai lá, nunca; (2) Na nossa vida privada, quando temos qualquer problema para resolver, vamos atrás da solução, até achar. Porque é que os políticos não fazem o mesmo? Nomeadamente o PR? Tanta coisa que pode ser feita, para minorar a hipocrisia do sistema; para evitar estas tretas, onde toda a gente conta, menos o pensar, o sentir e o querer da maioria da população. Afinal o que é que ganhámos com a democracia? Termos que aturar esta bandalheira, sem sermos "tidos nem achados"? É que eu não votei neles (em nenhuns deles) e, mesmo assim, acho que tudo o que eles fazer, na governação, me diz respeito. Logo tenho o direito de ter opinião e de a manifestar. Mas quem é que ouve? Cá para mim é uma deficiência da "Democracia" e não tem de ser assim