Temos à nossa frente a primeira edição portuguesa do Livro de Henry Thoreau, 'WALDEN ou a Vida nos Bosques', publicado em 1999 pela Antígona.
Lêmo-lo e guardámo-lo.
Para sermos francos gostámos do livro mas nunca mais nos lembrámos dele. Estava arrumado. Eis que o nosso amigo Rodrigo Ribeiro nos fez recordar os seus ensinamentos por duas ou três vezes...
Achámos que valia a pena apresentá-lo aos nossos leitores.
Plagiando descaradamente a sua biografia, inscrita nas páginas 363 a 366 do referido livro, elaborámos um resumo da sua vida e obra:
Americano.
Filho de descendentes Huguenotes radicados em Concord (a 30 kms de Boston), Masschussets.
O pai era um pequeno industrial.
A mãe era abolicionista e defensora dos índios.
Nasceu em 1817.
1833/37- Estuda em Harvard;
1837- É nomeado professor do Ensino Público exercendo a sua actividade na sua terra natal.
1838- Cria , com o seu irmão, uma escola em Concord inovadora onde se 'aprende fazendo'. O seu ensino dá grande importância às ciências.
1840- Publica pequenos ensaios e poemas na revista 'The Dial', Boston.
1841- A sua escola encerra as portas porque o seu irmão tem sérios problemas de saúde.
1842- O seu irmão John sucumbe à doença.
1845/47- Vive numa cabana de madeira, que ele próprio construíu, junto ao lago Walden. Estuda o lago, observa a natureza, reflecte e escreve o livro 'Walden ou A Vida nos Bosques', baseado nas suas observações do lago e da natureza envolvente.
Reflecte sobre 'o sentido da vida', descreve as várias experiências que vive na sua cabana, as suas experiências agrícolas, as suas observações... O seu livro é, simultaneamente, um diário, um ensaio, um registo, um balanço, uma reflexão política e social... um 'livro de horas'.
1846- É preso por se recusar a pagar um imposto que acha injusto. Só esteve preso por uma noite porque um seu amigo resolveu pagar o imposto por ele.
1848- Profere uma palestra sobre desobediência Civil em Concord.
Neste ano publica o seu primeiro livro 'A Week on the Concord and Merrimack Rivers'.
1854- Publica 'Walden'. Neste mesmo ano profere a seguinte afirmação numa palestra: 'A lei nunca fará os homens livres'. O seu discurso inspira-se na defesa que fez de um escravo fugitivo
1862- Morreu a 6 de Maio deste ano.
1841- a saúde débil do seu irmão provoca o fim da escola.
Foi Astrid Cabral quem fez a introdução a este volume que temos em mãos. Nesta somos informados que H.D. Thoreau foi considerado por Henry Miller 'um dos cinco ou seis homens que têm significado nos 'States'.
Este livro é hoje considerado, diz-nos ainda Astrid nas páginas 8 e 9, 'a obra mais sinificativa do Transcendentalismo, movimento religioso que floresceu na Nova Inglaterra em consequência do impacto do idealismo pós-kantiano nos Estados Unidos.'
'[...] esse movimento rejeitava os milagres cristãos e a fé revelada, defendendo a convicção na existência de um princípio divino no interior de cada homem[...]'.
Os transcendentalistas têm influências claras do calvinismo, e, esta é da nossa lavra, ao atribuírem uma tão grande importância à natureza e ao Homem foram mais longe e foram mais coerentes do que os ecologistas e anarquistas dos séculos seguintes. Os transcendentalistas tiveram o mérito de recusar uma realidade espartilhada.
Sendo um dos ramos do Romantismo, o Transcendentalismo nunca roçou os 'Pans', dos romantismos judaicos, germânicos e eslavos. Esteve à parte desse tipo de movimentos. Onde os europeus redescobriram as antigas religiões e lendas pagãs os transcendentalistas redescobriram os clássicos gregos e as religiões orientais.
Thoureau foi, neste sentido, revolucionário.
No entanto nunca foi um fora-da-lei. Sobreviveu com os pequenos rendimentos da fábrica de lápis da sua família e com os rendimentos das suas conferências.
Este seu livro começa com um pequeno texto introdutório: 'Não me proponho escrever uma ode ao desânimo, mas a gargantear com o vigor de um galo matutino empoleirado no poleiro, nem que seja apenas para acordar os vizinhos'.
Tecer um comentário à excelente posta, que o Francisco editou, não é tarefa fácil.
Henry David Thoreau, atravessou-se-me ao caminho, quando eu, nos finais da década de setenta, princípios da de oitenta fui arrebatado pela biografia de Mahatma(grande alma) Gandhi, escrita por Louis Fischer, e publicado pela Editorial Aster. Gandhi merece ser estudado e a sua filosofia apreendida.Para quem ainda não conhece a vida e obra de Gandhi, seria interessante tentar arranjar o filme com o mesmo nome (só não forneço mais pormenores por não me ocorrer de momento).
Entre as influências que Gandhi adoptou do pensamento ocidental, encontra-se o nome de Thoreau (porventura a mais importante), exactamente pela importância que o conceito de desobediência civil assumiu na condução da luta que Gandhi travou pela independência da India, ao tempo colónia do império britânico.
Acontece que, por razões diferentes (ou talvez não), Henry Miller é hoje um dos autores que mais me comove, especialmente um livro (de que só possuo fotocópias) «O Tempo dos Assassinos» (estão disponíveis no meu blogue, alguns excertos desse livro). Quando adquiri a edição da Antigona, de "Walden,ou a vida nos bosques" emocionei-me com a opinião de Henry Miller,(aliás, a primeira vez que vim espreitar a sua posta, aconteceu-me o mesmo; alguns autores conseguem fazer-me acreditar, que existe Verdade.)
Funcionei sempre por empatia intuitiva, e Thoreau tornou-se um afluente natural; apazigua-se a solidão, sempre que reconheço uma luz amiga na escuridão.
Talvez, o Francisco considere o meu comentário desenxabido; tinha aguardado até agora, a ver se a inspiração jorrava, acabando por escrever o que fui capaz de sentir.
Um abraço
Rodrigo Ribeiro
Afixado por: Rodrigo Ribeiro em fevereiro 24, 2004 09:47 PMgostaria muito de receber tudo que fala sobre a vida de Henry david thoreau............
Atenciosamente: Sonia