Os 'demo-porreiraços' do pós 25-A fizeram aquilo que é próprio de países subdesenvolvidos. Abdicaram há alguns anos da maioria do capital das Pirites Alentejanas.
Não lhes interessou que a riqueza alojada no subsolo já lá estivesse desde os primórdios do mundo. Ignoraram as gerações que, desde tempos pré-romanos, retiravam a sua amarga subsistência das entranhas da terra mãe. Escamotearam o dever das gerações actuais de portugueses -até porque essa merda do patriotismo é um sentimento bacoco e tal...- prepararem e acautelarem o futuro dos muitos portugueses que se hão-de seguir.
Dizendo-se gente de direita agiram como grunhos interesseiros.
Dizendo-se líderes de um país civilizado, portaram-se como chefes tribais de um cafraria qualquer.
Dizendo-se gestores, geriram como imbecis alcoolizados.
Envergonharam Aljustrel, o Alentejo e Portugal.
As minas de Aljustrel, depois de séculos de abandono, voltaram a ser exploradas no final do século XIX por uma empresa portuguesa. No início do século XX uma empresa belga tomou-lhe as rédeas. Depois do 25 de Abril a mina foi nacionalizada; surgiram as 'Pirites Alentejanas'.
Com altos e baixos, as minas de Aljustrel funcionaram até 1993.
Foram muitos os factores que levaram ao seu encerramento: ao que consta, a abertura de minas na China e os teores altíssimos de minério no Chile dificultaram a sua viabilidade.
O facto de cinco ou seis famílias controlarem o negócio dos minérios no planeta e o abaixamento do valor dos metais não facilitou a vida a estas minas e os seus trabalhadores viram-se forçados a 'procurar vida' nas minas de Neves-Corvo, da Somincor; nos túneis que foram abertos nesta altura para o metro de Lisboa e para as estradas que então se traçaram. Outros reformaram-se...
A venda da mina (subsolo incluído) a uma empresa estrangeira visou, na mesquinha visão de quem fez o 'negócio', assegurar o acesso destas riquezas aos mercados pelas mãos dos grandes interesses mineiros mundiais.
Provavelmente, estes interesses farão uma gestão colonial destas riquezas.
Provavelmente a vila de Aljustrel vai voltar à sua antiga vivacidade...
As Pirites Alentejanas podem reabrir. Depois se verá...
(Em 'continue a ler' o artigo publicado no Diário do Alentejo sobre este assunto)
"A laboração da Pirites Alentejanas, em Aljustrel, foi suspensa em 1993 e, desde então, o número de trabalhadores tem sido reduzido, restando hoje 58, que asseguram a manutenção da mina. Entretanto comprada pela Eurozinc, também proprietária da Somincor, a Pirites pode recomeçar em breve a actividade, explorando zinco em vez de cobre.
Carlos Formoso, de 51 anos, electricista, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, foi trabalhador da Pirites Alentejanas, em Aljustrel, durante 35 anos, e está agora aposentado, por razões de saúde. Joaquim Nilha, de 48 anos, maquinista do poço de extracção, trabalha há 25 anos na empresa e também é dirigente sindical.
Os dois sindicalistas explicaram como estão a decorrer as negociações com a administração da Pirites Alentejanas sobre o futuro da empresa, cuja laboração foi suspensa em 1993, e sobre as condições salariais dos 58 trabalhadores que asseguram a manutenção da mina.
"No encontro entre o sindicato e a administração [realizado a 25 de Janeiro], pareceu-nos que houve uma abertura, nas anteriores reuniões houve uma ausência, parecia que já não havia administração, houve uns desencontros, nós não conseguíamos encontrar a administração mas agora fomos chamados, na sequência da última greve que fizemos, e a direcção do sindicato esteve reunida com o sr. James Drake [presidente da Pirites Alentejanas e administrador-delegado da Somincor]. Ele tem sensibilidade para estes problemas, mas há questões de fundo. E a questão principal é que esta empresa esteja virada para o desenvolvimento e para a produtividade, isso é que é importante", contam os sindicalistas.
E é importante porquê? "Por algumas razões, a começar pelo nosso Alentejo, onde há muito desemprego e uma empresa destas, que empregue directamente 300 trabalhadores e indirectamente mais 600, é uma grande empresa, nós temos que ter cuidado com isso e estamos a trabalhar para que esta empresa consiga ter êxito. E, de alguma maneira, foi-nos prometido que em Abril já havia recomeço dos trabalhos preparatórios na mina. A mina para recomeçar a laborar tem que começar a fazer trabalhos preparatórios, de acesso aos filões".
Carlos Formoso sabe bem que "as pessoas que não conhecem a situação podem perguntar, "então, numa mina parada o que é que os trabalhadores fazem?". Já disse isto várias vezes: uma mina não é um casão, uma fábrica, que chegamos lá, fechamos a porta, pomos uns cadeados e umas trancas e se for possível o patrão leva umas coisitas de lá para onde quiser. Aqui, a mina, não é isso. Para já, não se consegue levar o mineral, tem de estar cá, a riqueza mantém-se cá... E, depois, há todo um processo de manutenção, por exemplo, de bombagem, as águas ácidas se não forem retiradas chegam cá acima e, por isso, há alturas, de Inverno, que se trabalha 24 horas nessa operação. Outro exemplo, a mina é altamente corrosiva, tem de haver ventilação, tem de haver um homem para cuidar dos ventiladores, tem de haver alguém para os pôr a trabalhar, tem de ir lá o homem manutenção. Mais: em determinadas zonas onde há pouca ventilação, tem de haver ventiladores a funcionar, o que sustém as galerias é uma boa ventilação, se não houver uma boa ventilação a galeria cai. Há alguns pontos em que a ventilação não chega lá bem, as galerias caem e é preciso o mineiro ir furar, injectar cimento. Trata-se de manter a mina em condições de poder vir a funcionar, este é o principal trabalho a fazer. Além desses há outros, por exemplo, agora tirámos as águas ácidas e quem é que as trata?, essas águas têm de ser tratadas. Obviamente, os mineiros têm de tratar as águas ácidas para as poderem mandar para a ribeira, que vai depois para o Sado. Estão a utilizar para isso a lavaria em que se transformava o minério, estão a utilizá-la como estação de tratamento de águas ácidas".
"NÃO SE TIRA MINÉRIO SEM PESSOAS"
Quando a Pirites Alentejanas estiver virada para o desenvolvimento e para a produção, como pretendem os mineiros, pode criar cerca de 300 postos de trabalho directos, além de centenas de outros indirectos. Quando a mina recomeçar a laborar, "tem de haver esses postos de trabalho, de que se fala há muito, porque não se tira minério sem pessoas".
Carlos Formoso, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, considera que na venda da Pirites Alentejanas à Eurozinc "houve secretismo a mais. Se me perguntar qual foi o processo de vendas das Pirites, eu não sei. O sindicato, nem ninguém, foi informado disso, nós, os trabalhadores, até fomos à Presidência da República, nem a Presidência foi informada deste negócio. E quando há tanto secretismo, das duas uma, ou têm vergonha de divulgar ou o negócio foi tão mau, tão mau, tão mau que não podem revelar por quanto é que isto foi vendido... Esta empresa, a Eurozinc, apareceu aqui primeiro como uma empresa de prospecção e, mais tarde, surgiu como empresa compradora. Quer dizer, ela fez a prospecção, analisou e depois fez o preço".
O dirigente sindical revela que, "hoje, pensa-se explorar o zinco em vez do cobre e já há alguns planos. Os proprietários querem trabalhar na nossa lavaria o minério de Neves-Corvo, querem fazer cá em Aljustrel o tratamento do minério conjuntamente, isto ainda não está bem decidido, mas era um plano de que se falava já há 12 ou 13 anos. Tratar em conjunto, na lavaria das Pirites Alentejanas, em Aljustrel, o minério de Neves-Corvo e de Feitais, para produção de zinco. O proprietário das empresas que exploram as duas minas é o mesmo, a Eurozinc, pode fazer isso. A Somincor vinha injectar dinheiro aqui através da venda da lavaria, embora fisicamente a lavaria não saia daqui, não sai das Pirites, o minério é todo tratado aqui. Neste momento, Neves-Corvo explora sobretudo cobre, mas também é rica em zinco e vão começar a explorar o zinco, em 2006. Isto é o que está planeado, não está ainda assinado, mas o administrador da Somincor, o sr. Jimmy, comunicou-nos, ao sindicato, que está mais ou menos definido".
Carlos Formoso e Joaquim Nilha, dirigentes do STIM, confirmam que "o sr. James Drake nos disse que em Abril há a possibilidade de se retomar a laboração da Pirites Alentejanas, de recomeçar os trabalhos para a preparação da exploração. Ele comunicou-nos que em Abril há a possibilidade de recomeçar os trabalhos preparatórios. Há outras questões que o sindicato tem colocado ao sr. Jimmy em relação às quais ele está receptivo e que têm a ver com a garantia de que a maioria das pessoas que ele vai empregar é do concelho de Aljustrel e do distrito de Beja. Devido à dificuldade de emprego nesta região, o sindicato teve de dar atenção a este pormenor, que é importante".
O sindicato entende que, se os trabalhos de preparação começarem em Abril, tem que se admitir mais trabalhadores, porque senão não se consegue: "Hoje, os 58 trabalhadores que ainda cá estão já são poucos para os trabalhos de manutenção, muito menos serão se os trabalhos preparatórios começarem. Agora qual será a opção da administração, não sei, por exemplo pode recorrer a uma empresa especializada em abrir túneis – quando se fala em trabalhos preparatórios fala-se em procurar os acessos aos filões, fazer túneis. Nós batemo-nos para que os trabalhos preparatórios sejam feitos por trabalhadores de cá, com algumas máquinas da Somincor, não por empresas de fora, e deve haver uma formação logo de início dos mineiros. Logo no acordo de financiamento entre a Pirites Alentejanas e a Associação Portuguesa para o Investimento isso devia ficar estabelecido, a questão da formação dos mineiros, logo que começassem os trabalhos preparatórios. Esse deve ser o caminho e não ir logo para o fácil, arranjar uma empresa e toca a andar, faz-se um contrato, cada metro é xis. A Somincor tem uma prática de formar mineiros durante o trabalho, há aulas teóricas e aulas práticas. Nós defendemos que, para Aljustrel, deve-se também fazer a formação desde o início, ao longo do trabalho".
Carlos Formoso fala da luta dos mineiros e dos aljustrelenses: "Os trabalhadores têm aguentado isto aqui, ao longo de 12 anos de lutas, e consideram a empresa deles, fazem estes sacrifícios todos, às vezes nem se compreende por que é que o mineiro continua a ir ao fundo da mina... Aljustrel nasceu com a mina, vive com a mina, isto é fundamental para a vila e o concelho, há uma relação directa entre a mina e a própria existência da vila. Os 12 anos de suspensão da laboração da mina afectaram muito Aljustrel. Eu costumo dizer que a riqueza está lá em baixo e a miséria continua cá em cima. Nós estamos muito ligados à mina, toda a vila de Aljustrel funcionava em torno da empresa-mãe que era a mina. Acabou a empresa-mãe e isto tornou-se complicado, se nos outros lados há crise aqui há muito mais, de forma indirecta estava toda a gente ligada à mina. É por isso que todas as nossas acções de luta tiveram sempre a adesão de todos os aljustrelenses, fomos sempre muito solidários uns com os outros. Quando falamos da luta dos mineiros, estamos a falar da luta dos aljustrelenses".
Os sindicalistas têm esperanças quanto ao futuro da "sua" empresa: "Estamos a discutir com a administração da empresa a situação, estão a decorrer negociações sobre o futuro da Pirites Alentejanas e sobre os salários dos trabalhadores. Nós temos razão e lutamos por ela, mas não fazemos guerras, nas guerras toda a gente perde. Temos uma experiência de 12 anos desta luta. Foi-nos dito que em Abril arrancam os trabalhos preparatórios e isso é que é importante. E é importante a fase de admissão de mais trabalhadores e é aqui que há alguma discordância, nós pensamos que as admissões, algumas delas, a nível de mineiros e da manutenção, deviam ser feitas antes dos trabalhos preparatórios começarem. Para que se preparem os mineiros o mais rapidamente possível, para que a mina recomece a produzir, isso é o que nós queremos".
"TRABALHÁMOS SEMPRE NA ESPERANÇA
DE VERMOS RECOMEÇAR A PRODUÇÃO"
António Pereira, de 50 anos, é mineiro e trabalha há 26 anos na Pirites Alentejanas. À saída de mais uma jornada no fundo da mina, conta que "estamos numa fase de manutenção, os trabalhos que temos são de conservação do equipamento, limpezas em geral e preparação de trabalhos de sondagens".
Neste momento, há trabalhadores em número suficiente?
"Nós temos uma quantidade mínima de trabalhadores, para muitas das coisas que andamos a fazer não temos gente suficiente. Temos de fazer por fases, porque temos falta de trabalhadores que seriam muito bem-vindos para fazer este tipo de manutenção mineira. Somos no fundo da mina 20 a 22 mineiros mas, só para estes trabalhos e ainda sem estarmos a preparar o "desenvolvimento" (acesso as filões), precisaríamos do dobro. Nós andamos a desdobrar-nos para fazermos o que é preciso fazer", explica.
Os actuais 58 trabalhadores da empresa não são todos mineiros. Há o trabalho administrativo, há o trabalho de manutenção, que é uma grande parte, há o trabalho mineiro, que também é de manutenção, há o operador de máquinas, há um conjunto de pessoas incluindo técnicos. Os únicos que trabalham por turnos estão ligados ao tratamento de águas, que trabalham 24 horas por dia, e os bombeiros.
Uma pergunta que muita gente faz é "por que razão andam aqui a trabalhar há 12 anos, se a mina está fechada?". Porquê?
"Fechada é uma força de expressão, a produção está suspensa mas se não fosse a manutenção que fazemos todos os dias ao longo destes anos haveria um prejuízo enorme, de milhões de contos. Acho que o trabalho que temos feito aqui tem sido de muito valor, toda a gente tem trabalhado nesta empresa com a perspectiva de um dia mais tarde ver a recompensa deste esforço. Nós estamos melhor preparados, hoje, para recomeçar a laboração porque andámos este tempo todo a trabalhar para que as coisas se não degradassem e quando chegasse a altura fazermos o "desenvolvimento" em muito melhores condições até para os trabalhadores. Trabalhámos sempre alimentando a esperança de ver isto um dia recomeçar a produção", diz António Pereira.
CONTRARIAR OS EFEITOS DA CRISE MINEIRA
suspensão da laboração da Pirites Alentejanas, desde 1993, teve impactes económicos e sociais na vila e no concelho de Aljustrel, dada a importância da actividade mineira na região. A Câmara Municipal de Aljustrel tem vindo a acompanhar de perto todo processo, procurando implementar medidas que contrariem os efeitos negativos da suspensão da laboração.
O presidente da autarquia, José Godinho, revela que "temos vindo, de vez em quando, a fazer reuniões com a administração da empresa Pirites Alentejanas e a procurar saber como é que evolui a questão das perspectivas da abertura da mina" e que "o que nos tem sido transmitido é que essas condições para a reabertura estão a concretizar-se, nomeadamente, a cotação dos metais tem vindo a subir e é isso que permite a empresa dizer que, caso haja financiamento da Agência Portuguesa para o Investimento e consiga realizar financiamentos por outras fontes, a actividade pode ser retomada em meados deste ano".
De acordo com essas informações, o autarca acredita que, se tudo correr bem, "dentro de pouco tempo vão ter início os trabalhos na rampa do filão de Feitais, o que será um sinal de que a empresa vai retomar a sua actividade". Cauteloso, confirma que "está em curso um projecto que visa a retoma da actividade ainda este ano, é essa a nossa expectativa e fazemos votos para que isso se confirme".
Para tentar contrariar os efeitos negativos da crise do sector mineiro em Aljustrel, a câmara municipal tem agido em diversas direcções. Em primeiro lugar, procurando dotar o concelho de infra-estruturas e equipamentos e adoptando algumas medidas para promover o desenvolvimento de outras actividades, na óptica da diversificação da actividade económica. Depois, acompanhando e apoiando todas as movimentações que os trabalhadores e a população têm feito, quer junto da administração da empresa, quer junto do Governo, no sentido de a reabertura da mina poder acontecer o mais rapidamente possível.
Por outro lado, como explica José Godinho, "temos procurado desenvolver, e já há passos concretos dados nesse sentido, um projecto que tem como objectivo fazer o aproveitamento daquilo que é o património histórico-cultural ligado à mineração na óptica turística. Nesse sentido, já apresentámos candidaturas ao Interreg para fazer a preservação e a musealização de alguns equipamentos. Para isso estabelecemos um acordo com a empresa Pirites Alentejanas e através desse protocolo énos permitida uma intervenção em três pontos (Chaminé Transtagana, Malacate do Poço Viana e Central Eléctrica de Compressores), para já, e estamos a estudar outras experiências que nos possam dar alguma informação útil para avançar com este projecto".
Neste contexto, a Câmara Municipal de Aljustrel está a preparar os III Encontros de Comunidades Mineiras, em Julho, uma iniciativa que visa chamar a atenção para a riqueza mineira sob os mais diversos pontos de vista, quer em termos de potencialidades, quer em termos dos problemas ambientais que coloca. A temática vai estar ligada ao património histórico e cultural da mina, na perspectiva do seu aproveitamento turístico, e às questões relacionadas com a recuperação ambiental. "Vamos procurar trazer a Aljustrel comunidades mineiras do País e do estrangeiro, por exemplo, em Oviedo, onde estivemos recentemente, estabelecemos relações com uma fundação local e com as entidades municipais que manifestaram todo o interesse em estar presentes nessa iniciativa", conta o autarca, que se deslocou em Janeiro à região mineira das Astúrias, em Espanha.
Para José Godinho, relativamente ao caso de Aljustrel, a atitude dos governos de Lisboa "foi procurar sacudir a água do capote e fazer algumas promessas vãs que à partida se sabia que não passariam de embustes para no fundo atenuar as tensões políticas e sociais que se verificavam, nunca tendo havido a intenção de levar por diante as promessas, numa atitude enganadora". Pelo contrário, em Espanha, "há um plano governamental no sentido de apoiar a reconversão económica das áreas mineiras que atravessam uma crise. Esse plano articula um conjunto de medidas que têm a ver com apoios às entidades públicas e privadas no sentido de dinamizarem a economia de acordo com outras orientações que não apenas a actividade mineira, são ajudas de diversa monta".
Para o autarca aljustrelense, em Portugal "tem que haver um plano sério, não meras promessas falsas, um plano que contribua para aproveitar os recursos que existem, que são bastantes e significativos, e a partir deles e de outros recursos promover a reconversão económica de zonas que têm importância económica, não apenas pelo património histórico-cultural mas também tendo em conta os recursos humanos que aqui existem nas mais diversas actividades profissionais e que é um património que está a perder-se".
Em Aljustrel, são intervenções que passarão por pôr parte do património mineiro ao serviço desses projectos e por fazer a recuperação ambiental – é um projecto em curso mas que tarda em ser implementado. Existem também ideias de fazer o aproveitamento da riqueza geológica e mineira instalando uma unidade de investigação e há bairros mineiros onde vivem centenas de famílias e é necessário que se mobilizem apoios financeiros para fazer a reconversão urbanística dessa zonas.
CONTRA A "ROTA GANANCIOSA"
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira está preocupado – e acha que todos os aljustrelenses também deviam estar preocupados – com a forma e o método da exploração da mina de Aljustrel. "Para quem não entende disto perceber: há aqui um filão rico e há aqui um outro que não é muito rico, e se eu passo por aqui, se não explorar o filão menos rico, ele nunca mais é recuperado, se eu procurar só o que é muito rico. Isto é o que os mineiros chamam "a rota gananciosa", aproveita-se os bons filões e jogam-se fora os filões de baixo teor de minério. Na ânsia de grandes e rápidos lucros, isso faz com que se reduza o tempo de vida da mina e fiquem riquezas enterradas que nunca mais são exploradas. Nós defendemos uma exploração racional dos filões, que prolongaria vida da empresa", explica Carlos Formoso.
O sindicalista conta que, em passado recente, nos anos 80, a Pirites Alentejanas virou-se para o cobre, extraído em S. João, e abandonou o filão de Feitais. "O sindicato disse muitas vezes "não abandonem Feitais, o filão é rico e deve ser conservado", era a cultura mineira a funcionar, são conselhos a que não ligam muito, afinal agora vêm pessoas de fora, fazem a prospecção e dizem que Feitais é muito mais rentável! O filão esteve abandonado durante algum tempo – a entrada de Feitais é ali ao pé da Sacor, como quem vai para Castro, com terra vermelha, agora está tapada com alguns chaparros, é o "chapéu de ferro", é sinal de que há minério lá dentro, os antigos faziam a prospecção assim, e a de S. João é ali ao pé da auto-estrada, havendo um túnel que liga as duas minas".
autor Carlos Lopes Pereira texto | José Ferrolho fotos
03/02/2005 - 15h38
Aguardemos os novos desenvolvimentos. Até lá só apetece dizer: FILHOS DA PUTA!!!
Um abração do
Zecatelhado
Até pode ser que assim seja, Francisco. Vamos aguardar, atentos, que não seja uma qualquer brincadeira do Entrudo... ele às vezes é magano!
Um abraço.