março 12, 2005

Amin Maalouf - 11 de Março

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O DNa, pela mão do jornalista Carlos Vaz Marques, colocou ontem a questão fatal, inevitável, imprescindível e incontornável que qualquer jornalismo politicamente correcto coloca quando fala de terrorismo com um árabe:
"Em relação ao terrorismo, é preciso combatê-lo ou, antes de mais, compreender as razões por detrás do fenómeno?"

A resposta do escritor agradou-nos especialmente e reforçou o apreço que temos por este escritor libanês.
"Acho que não se deve tentar compreender o terrorismo. Não nos podemos abster de o combater, mas temos de ter em mente que é peciso evitar que as populações destes países sejam tentadas pelo terrorismo. É preciso falar com aqueles que ainda não são terroristas. É preciso evitar que estas pessoas se tornem um reservatório para os terroristas. É preciso tentar resolver os problemas do mundo árabe, é preciso tirá-lo deste impasse histórico. Creio que é uma questão de vida ou de morte porque não podemos ter um mundo a deslizar, como está a acontecer, para uma violência e um ódio crescentes."

Diga-se, para evitar alguma conclusão mais precipitada no espírito dos leitores mais apressados, que as culpas da situação a que o mundo árabe chegou, na opinião do escritor, não se devem unicamente ao Ocidente...

Uma entrevista definitivamente a ler.

Publicado por Francisco Nunes em março 12, 2005 11:52 AM
Comentários

Parece-me óbvio que uma uma das razões (entre outras que são estruturais e estruturantes das sociedades islâmicas) pelas quais o mundo árabe chegou à presente situação se deve ao aproveitamento que a sua classe dominante faz da religião para se manter no poder e continuar a viver na opulência em que vive. Mas dizer que não se deve tentar compreender o terrorismo não me parece uma afirmação lá muito inteligente... Como é possível combater e vencer algo sem que o tentemos compreender? Como podemos nós extirpar as raízes do terrorismo se nem sequer soubermos quais são elas?

Afixado por: zedtee em março 12, 2005 01:25 PM

Excelenet, Francisco, não se conseguiria ser mais explícito, «É preciso falar com aqueles que ainda não são terroristas.»

Abraço

Afixado por: carlos a.a. em março 12, 2005 07:54 PM

Parte-se da premissa que um Árabe é um potencial terrorista, logo à que lhe partir as pernas. (Deve-se falar com aqueles que ainda não são terroristas)
Para quê entender o que está subjacente à formação de um terrorista???
Não seremos todos um pouco terroristas, quando apenas repudiamos a violência que os outros praticam sobre nós e olvidamos a que nós praticamos?

Afixado por: jgonçalves em março 12, 2005 10:05 PM

Excelente tema para discussão ( vou ver se consigo arranjar o jornal ou o artigo).

O que disse o Zé Gonçalves... está correctíssimo.

Volto às visitas normais aos seus amigos após mudança de blogue.
Agora é www.tadechuva.weblog.com.pt.

Um bom fim de semana para esta casa e
Um Abração do

Zecatelhado

Afixado por: zecatelhado em março 12, 2005 10:59 PM

De um modo diferente, tambem podemos pensar o que se passa a outros níveis; estou a falar da emigração.Embora pareça nada ter a ver, tem! O que realmente acontece é que os povos são espoliados nos seus próprios países e essa é a razão que despoleta as revoltas...

Afixado por: hammer em março 12, 2005 11:46 PM

Deu-me a impressão que os argumentos do escritor não foram bem entendidos... Toda a gente sabe quais são as causas do terrorismo. Não se deve no entanto baixar a guarda perante actos terroristas... e isso passa por dialogar construtivamente com as forças progressistas desses países. É só isso...

Um abraço aos amigos que comentaram esta posta,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em março 14, 2005 12:49 AM