março 21, 2005

Pronto! apanharam o tipo em Melides.

Não gostamos nada, nada do que vamos dizer, mas parece-nos óbvio qua há qualquer coisa que não está bem com a preparação das nossas forças de segurança.
É normal que três agentes armados, em acção de rotina numa zona problemática, tenham sido surpreendidos por um indivíduo que, perante a exigência de identificação, 'saca' de uma arma, mata um agente, alveja outro mortalmente e se põe em fuga?!
Os três agentes estavam desarmados?
Para que queriam estes agentes as suas armas?!

Conta-se que uma vaidosa população aqui da Planície era servida pelo corpo policial mais inepto do país (há quem diga que era mesmo o corpo policial mais inepto da Europa; mas isso já não sabemos...). Adiante. Eram 'useiras e vezeiras' as cenas de pancadaria à porta de um cafézito dessa localidade. O patrão, pressionado pela vizinhança, resolveu, numa noite que se adivinhava mais 'encalorada', chamar 'a autoridade', mal as vozes se esganiçaram o suficiente.
Conforme previsto, o álcool fez o seu caminho: dez minutos passados sobre a chamada das 'autoridades' mal se vislumbravam os contendores no meio das cadeiras, do pó, do fumo, da algazarra... meia hora depois, como seria de esperar, a rapaziada -malta de trabalho-, já cansada de levar e dar tanta 'bordoada' lá se foi acalmando...
O problema, como era usual nestas circunstâncias, estava sarado 45 minutos depois do pedido de intervenção policial.

Mas a história não acabou aqui...
Quando o 'patrão' servia a 'abaladiça' e se faziam as pazes acompanhadas pelo último copo, ouviu-se a sirene policial.

Pouco depois, um 'carocha' a cair de velho, a sirene -pois claro-, dois agentes 'entradotes na idade', bigodes 'à gancho de pendurar balões', algumas (não tantas assim!) nódoas, um bloco de apontamentos e o coto mínimo de um velho lápis chegam ao local.
Saídos do carro -estacionado com o aparato devido no meio da rua- os agentes entram no café. Um, estrategicamente, coloca-se junto à porta, o outro, empunhando o já referido bloco, molha o bico do já citado coto de lápis nos lábios, olha os circunstantes e faz, com a devida ênfase, a fatídica questão:
- Quem é que alçou primeiro a mão?

Diabo! Quem é que se lembrava já de quem tinha 'alçado primeiro a mão'? Levantou-se tamanho arrazoado, tamanha discussão, tamanha arruaça que, por momentos, o agente deixou de 'ver o padeirinho'. Nada! 'Castanha da grossa' distribuída 'democraticamente' por toda a gente (o que incluia, obviamente, a autoridade).
A partir daqui as coisas seguiram o seu rumo... a rapaziada acalmou-se, recompôs-se, ajeitaram-se os bonés, disfarçou-se um rasgão na camisa, lavaram-se e pensaram-se as chagas com o que havia à mão, ajeitaram-se os bigodes, compuseram-se os colarinhos e as mangas, dirigiram-se palavras de circunstância, meias desculpas, justificações... pronto! O normal.

Resultado: vá lá saber-se porquê nunca mais as 'forças da ordem' foram chamadas a actuar naquelas 'noites quentes'. Não era preciso...
Quem não gostava de confusões ia, como até então, deitar-se às dez, os outros...

Mas cá para nós esta história não acaba aqui... cá para nós estes agentes fartaram-se de tanta inactividade e foram dar instrução; para aí, para a Grande Lisboa.

P.S.: Ainda se desconhece a identidade do cidadão que alçou primeiro a mão... donde se conclui que a Justiça às vezes tem falhas. Às vezes...

Publicado por Francisco Nunes em março 21, 2005 11:55 AM
Comentários

Não tem nada que ver com bigodes.
Nem sequer com cervejolas, ou outros líquidos.
Tem a ver com política, que acabe de vez com esta questão de se colocar um magistrado a comandar uma força policial.
Acaba por ser mais ou menos assim. Bateram-te na face direita, tens de oferecer a esquerda.

Afixado por: jgonçalves em março 21, 2005 09:10 PM

Pela grande Lisboa é um bocadinho pior. Não é só pancadaria mas também tiros e naifadas. Assaltos por pequenos delinquentes é mato e foi o que aconteceu, à pouco tempo, a uma colega minha(http://www.livejournal.com/users/kalidryad/26561.html).

Há forças de segurança (casos das brigadas de combate ao banditismo de Pj) que estão bem equipadas mas a maior parte nem tem maneira de comunicar com a esquadra sem ser por telemóvel

Afixado por: francisco em março 21, 2005 01:39 PM