março 24, 2005

Ai Turquia, o que tu sofres!

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Via Fígaro ficámos a saber que a Sofres fez uma sondagem para saber a opinião dos europeus face à entrada da Turquia, da Ucrânia, da Rússia e de Marrocos na Comunidade Europeia. A amostra recaiu sobre 1000 europeus (polacos, espanhóis, franceses, alemães, italianos e britanicos) todos contactados por telefone, à excepção dos polacos que foram entrevistados 'cara-a-cara'.
Desta sondagem resultou que a Ucrânia recebeu o aval positivo de 55% dos sufrágios, a Rússia tem o apoio de 50% dos inquiridos, a entrada da Turquia é apoiada por 45% das pessoas e Marrocos tem 35% de opiniões favoráveis à sua adesão.

Os resultados distribuíram-se de forma diversa pelos diferentes países. Assim, 77% dos polacos contactados apoiam a entrada da Ucrânia; 58% dos franceses apoiam a candidatura ucraniana contra 38% dos que apoiam as pretensões turcas; 62% dos italianos são favoráveis à entrada dos ucranianos na comunidade; 60% dos espanhóis apoiam a entrada dos ucranianos na Europa e, tal como os italianos, apenas 49% apoiam a entrada da Turquia; os britanicos não diferenciam ucranianos de turcos, dão 50% de apoio a cada um destes países; os alemães são o único país que prefere os turcos aos restantes candidatos: 60% dos inquiridos apoiam os turcos contra 53% que apoiam os ucranianos...

Por outro lado, e tendo em atenção as humilhações a que a Turquia se tem sujeitado, não estaria já na hora de dizer 'não' a Marrocos? A Europa pretende negociar o quê? e até quando? com este país?

A entrada da Turquia na Comunidade Europeia, se tivermos em atenção o tempo que estas negociações já levaram, é já uma questão de honestidade moral e intelectual dos europeus. É um imperativo moral.

Todas estas sondagens deveriam ter sido feitas há décadas. (Aparentemente não o foram...) Não há nenhuma justificação para o prolongamento ad aeternum de umas negociações que um dos lados não quer que corram bem.
Neste caso nem se deveriam ter iniciado!

A Europa, face à 'questão turca' lembra aquele homem que, depois de uma patuscada com os amigos em que se falou de automóveis, entrou um pouco alcoolizado num stand e que, para seu azar, foi logo abordado por um vendedor desocupado. O homem vê-se, de repente, sentado à frente do vendedor no seu gabinete. Negociou um carro mas não assinou nenhum contrato porque se lembrou que não tinha os cheques consigo e, já agora, tinha que falar com a mulher primeiro.
A mulher, apanhada de surpresa e zangada por não ter sido previamente consultada, discordou da compra.
Por vergonha, e um pouco por machismo, evitou dizer ao vendedor que não podia cumprir o negócio porque a sua mulher se lhe opunha. Desta forma inicia uma série de negociações e renegociações que o empatam e empatam o vendedor do stand. No fundo alimentava a esperança que o vendedor desistisse de lhe vender o automóvel ou que, o que também não lhe desagradava, a sua esposa mudasse de opinião. Nenhuma dessas situações se verificou...
O vendedor, desconhecedor das 'linhas que coziam' o nosso homem fez-lhe propostas cada vez mais tentadoras: um rádio, air bags laterais, espelhos de cortesia, cor dos retrovisores laterais de acordo com a cor da carroçaria, mais facilidades de pagamento... Estava desesperado, a atenção a este cliente tinha-lhe 'roubado' tempo precioso para conseguir atrair outros potenciais clientes que entretanto tinham abordado o 'stand' e que foram atendidos pelos seus colegas...
'O diabo' é que negócio até já estava muito favorável ao nosso homem, verdade seja dita, o carro até era jeitoso e o raio da mulher não mudava de opinião... 'Coisas de mulheres!'
O nosso homem suava abundantemente. O que ele não daria para que o vendedor parasse de fazer propostas. O que ele ansiava para que a sua mulher parasse de se opôr ao negócio.
Mas o pior, o que ele mais receava, era que se soubesse que ele não comprava um carro daqueles naquelas condições... Passaria a ser o 'otário' do bairro...
(Glup)Ai se o vizinho do 5º direito soubesse!...

Mas, como lhe dizia a sua mulher, também era verdade que não lhe interessava um descapotável como carro utilitário...

Publicado por Francisco Nunes em março 24, 2005 05:09 PM