Facto e catalizador da notícia:
Um Mercedes mal estacionado, identificado como propriedade de um senhor muito, muito importante. O carro até vinha sinalizado com os seus atributos:
*'Ordem dos Advogados';
*Assembleia da República;
*Estacionamento Livre!!!!...
O senhor em causa, qual paladino do Antigo Regime, podia estacionar onde quisesse e lhe apetecesse.
Ora esta manhã apeteceu ao senhor 'muito, muito importante' e, certamente, muito, muito democrata, estacionar à frente de um infantário pondo, segundo a SIC, três transeuntes e dois condutores de carrinhas de infantário, em causa a segurança dos miúdos ao sair ou ao entrar na carrinha que os transportava no trajecto casa/escola/casa.
Foi aqui que começou o delírio jornalístico. Depois de entrevistarem os anónimos transeuntes sobre o incómodo da questão, esqueceram 'corajosamente' o senhor 'muito, muito importante' e 'muito, muito democrata' e interessaram-se pela empresa que transportava os miúdos...
Autêntica publicidade encapotada!
Mas publicidade forte! Upa, upa!...
Apresentaram os senhores da carrinha como uma empresa de transporte de crianças exemplar e, pareceu-nos, puseram em causa a possível existência de outra tão eficiente e responsável, não naquele bairro, não na Cidade de Lisboa... Mas no País! No Mundo!
Aquela era a melhor empresa de transporte de crianças no País! (E no Mundo!) Não havia mais que ver!...
Ah... o carro de patrulha da polícia entretinha-se com deleite e com pachorra a passar perto do local sem tomar qualquer atitude face ao carrito do senhor 'muito, muito importante'...
Mas também... iam aqueles pacatos polícias de giro arranjar problemas para quê?
Num alinhamento surrealista, os exemplos de critérios jornalísticos alternativos (digamos assim...) não pararam de roçar a loucura.
Em pouco tempo, e talvez justificando os polícias alfacinhas que se passeavam de carro, a SIC interessou-se por dois polícias de Castelo Branco que querem ser amigos das pessoas do bairro à sua guarda. Taras!...
Estes polícias, adeptos convictos dos escritos mais alucinados e inflamados do grande Baden Powel, propõem-se ajudar os velhinhos a atravessar as ruas, dar rebuçados às crianças, distribuir folhetos nos cafés com os seus contactos telefónicos e ...acariciar cidadãos!
É verdade! Um dos polícias, ostentando um longo e descaído bigode. algo entre o Gengis Cã e o pistoleiro Sam da 'Hanna Barbera' justificou a sua 'modernaça' atitude desta maneira:
- Um polícia não tem nada que ser aquele monstro que faz mal às pessoas. Não! Um polícia deve ser amigo das pessoas, dar carinho (sic) ao cidadão...- e mais não disse. E ainda bem!
Até porque se dissesse mais ficaríamos em estado comatoso pré-letal!
Aqui na Província ainda temos a mania que a polícia deve impor a ordem e o respeito pela lei. E deve mostrar-se disponível para ajudar o cidadão em caso de necessidade (algo mais para a direcção de uma rua do que para o empréstimo de dinheiro!...)
Coisas de provincianos...
Mas ainda dizemos: se um polícia de bigode façanhudo, em Castelo Branco ou noutro lado qualquer,nos acariciar damos-lhe um soco! Cá mariquices 'ó o catano'!...
Cáspite!!