maio 08, 2005

Nos 230 anos da estátua equestre de D. José na Praça do Comércio.

MACHADO DE CASTRO, Joaquim.jpg MACHADO DE CASTRO, Joaquim
(nasc. 1736, Coimbra; mort. 1822, Lisboa)

O rei, vestindo uma capa e um elmo de plumas, monta um magnífico cavalo que pisa as serpentes da ignorância. Esta é talvez a alegoria mais pungente deste conjunto equestre.
Mas nem tudo são rosas... o cavalo de D. José, dormente e exausto sobre as serpentes, já não é eficiente. As serpentes da ignorância reproduziram-se então e reproduzem-se hoje. É que não é com uma estátua que estas coisas se combatem. Antes fosse!

O primeiro-ministro pensa agora combater esta maleita lusa com horas e horas de escola. Parece-nos que vai deixar adormecer as crianças como dormentes estão os membros do cavalo de bronze. A exigência e a qualidade do ensino conseguem-se -dizemos nós neste país de analfabetos onde, apesar de tudo, qualquer um dá dicas importantíssimas sobre Educação- consegue-se, dizíamos, exigindo dos estudantes, estudo e dos professores, conhecimentos. Mais trabalho e menos maiêutica; mais laboratórios e menos silogismos; mais bom senso e menos teorias pedagógicas...


A traços muito, muito largos, podemos dizer que Joaquim Machado de Castro foi o escultor português mais importante da segunda metade do século XVIII (para muitos de todo o século XVIII). Nascido em Coimbra, frequentou a escola de escultura de Mafra, fundada por D. João V algum tempo antes. Depois de ter trabalhado no edificio do actual Museu Nacional de Arte Antiga, na Sé Patriarcal de Lisboa e na Basílica da Estrela veio a morrer em Lisboa no ano de 1822. Uma vida bem longa...
machadocastro.jpg
Bem depressa o seu talento surpreendeu os homens do seu tempo. A estátua equestre de D. José, que analisamos aqui, elaborou-a ele no nos anos de 1774 e 1775.
As alegorias ao Iluminismo -que fazia o seu caminho por toda a Europa- abundam em todo esta construção cénica. Para além do esmagar das serpentes aos pés do cavalo real, outras alegorias são visíveis, retratando a sabedoria, a sageza, a persistencia e a força do poder real. No magnífico pedestral em pedra surge-nos ainda, para além do escudo real, o retrato do primeiro-ministro Sebastião de Carvalho e Melo, mais tarde apodado como Marquês de Pombal.

Este trabalho, feito em bronze, foi a primeira estátua equestre realizada em Portugal.
O seu transporte, do Arsenal do Exército até à Praça do Comércio, fez-se, em procissão solene, a 22 de Maio de 1775. No dia 6 de Junho, dia do aniversário do monarca, esta estátua de 14 metros de altura (contando com o pedestral), foi descoberta no meio de esplendorosas celebrações.


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Publicado por Francisco Nunes em maio 8, 2005 05:28 PM