'Alegoria à Liberdade de Comerciar'; LAIRESSE, Gérard de, 1672
Apesar do nome parecer francês este era -pelo menos era o que ele pensava...- um pintor holandês. Como pintor da terra das tulipas pintava para quem defendia o fim dos monopólios comerciais dos países ibéricos.
No entanto, se este quadro era uma encomenda, o pintor não se vendeu. Não era um hipócrita total, não era -passe a expressão- um 'bandalho'.
Se o prezado leitor olhar com atenção pode reparar que o artista teve o cuidado de representar no seu quadro uma nuvem negra. Esta nuvem, que para uns -os seus clientes- representava os monopólios e se dissipava, podia, por outro lado, muito bem estar a chegar... Apesar das coroas, bengalas, varapaus, ceptros e chapéus que são empunhados, os anjinhos (esta dos anjinhos num contexto destes... estão a ver?...) continuando, os anjinhos estão nús e incapazes de se proteger da tempestade que poderia estar a chegar. Daí, talvez, a presença da sonora pandeireta que não anunciaria não a chegada de uma nova realidade, mas, bem ao contrário, avisaria toda a gente para a necessidade de se proteger da borrasca que ameaçava avançar sobre os mais incautos.
Um pintor visionário, este Lairesse. Sim senhor!
Publicado por Francisco Nunes em junho 25, 2005 01:29 AM