junho 09, 2006

Não nos venham com macacadas... (revisitado)

                              A posta que segue abaixo foi aqui afixada pela primeira vez no dia 19 de Agosto de 2005. De então para cá tem sido muito visitada e, via mail, comentada por algumas vezes. Mantém-se actual e, numa altura em que temos ministros iberistas, faz todo o sentido a sua republicação. castelao.gif
   "A Tripla Aliança de 1923 ou a Galeuzca de 1933 foram o início da articulação de um movimento nacionalista que irrompeu pela nossa vizinha Espanha no século passado. Nos dias de hoje, o Bloque Nacionalista Galego, o Partido Nacionalista Vasco e a Convergència i Unió, retomam estas velhas propostas autonomistas, desta feita à luz da União Europeia.
   Simplificando, fica-se com a ideia que estas forças partidárias rejeitam o estado espanhol, (onde são alguém!) para apostarem no abstracto e indefinido estado europeu.  Os 'países do galeuzca' (também grafado ‘galeusca’ e ‘galeusca(t)’) roçam o ridículo e aquilo que é sensato em qualquer lado. Esmagam o bom senso.
   Por acção da ETA quando se fala em ‘separatismos’ pensa-se, quase sempre, na autonomia dos Bascos, no seu direito à autodeterminação e, no nosso muito sui generis país, justifica-se o terrorismo e os crimes produzidos pelos terroristas face aos seus concidadãos e face aos seus conterrâneos.
    Esquecemo-nos que são bascas as pessoas que mais se indignam com o terrorismo etarra, que são bascas muitas das pessoas agrupadas em associações de vítimas do terrorismo, que são neologismos muitos dos termos utilizados ‘à boca cheia’ pelos nacionalistas e que muitos bascos são e querem continuar a ser espanhóis. Esquecemo-nos que o mapa que os ‘amigos da ETA’ apresentam como as fronteiras da sua nação nunca existiu.
   Mas mesmo nunca!!!
   Justificamos assim, calma e muito  hipocritamente, o asilo que, enquanto estado de direito, demos a um ‘etarra’ investigado por crimes de sangue; como também justificamos, muito pudicamente, a entrega que fizémos de um terrorista com ligações a Al Qaeda, ao estado indiano.
   Uma alegria...
   Pior! É sabido que o nacionalismo destes bascos tem algo de racista (passe o eufemismo...). A expressão 'um povo com 4.000 anos' tem tanto de épico como de irrealista em termos sociológicos e científicos... Um povo com Rh-! O Povo Ibérico mais branco! Um povo cuja língua é pré-céltica!... Hoje, alguns destes bascos atiram aos seus congéneres epítetos como 'espanhóis', ou pior, 'gallegos', com objectivos claramente ofensivos. A pureza da sua raça deve ser mantida até nos nomes de cada um. Revoltante!
   O seu nacionalismo só é esquerdista no invólucro. Na essência é arrogante, antidemocrático e intolerante.
   Claro que o muito republicano e revolucionário Bloco de Esquerda não tem que saber disto. Claro que os jornalistas deste 'jardim à beira-mar plantado' não tinham que confrontar o pobre terroristazito basco aqui asilado há uns anos atrás com estas realidades... Claro!
   Relatava o La Razon há uns dias que numa qualquer povoação basca um alcaidezeco propôs um pin que só seria utilizado por aqueles que falassem basco naquela povoação.    Uma reinvenção hodierna das estrelas de David nazis. Nada de espantar, como veremos...
   Não foi sempre assim tão redutora a ‘alma nacionalista basca’. É um facto que o seu nacionalismo assentou, no século XIX, no carlismo, o miguelismo 'lá do sítio', que propalava o lema "Dios, Patria, Fueros, Rey"). Este nacionalismo era, estranhamente, fortemente aliado aos interesses da burguesia industrial ascendente que via a recuperação, em pleno século XIX(!), de alguns dos privilégios dos países bascos no Antigo Regime, como uma forma de se libertarem do peso de alguns impostos devidos ao estado espanhol.
   É que o Antigo Regime, ao contratualizar com os representantes desta região a sua contribuição fiscal, facilitava mais a autonomia basca do que o liberalismo do século XIX.
   No século XX, tal como muitos nacionalistas catalães, muitos nacionalistas bascos de direita, herdeiros directos do referido carlismo, lutaram ao lado do Franco –um galego do Ferrol- na Guerra Civil.
   Factos pouco referidos estes... - especialmente em Portugal onde os jornalistas, por deformação e, quiçá, por desinformação mais ou menos deliberada os omitem frequentemente.
   E os nacionalistas fanáticos catalães? Também os há. Os catalães, aqueles que não são 'tontinhos da bola' são nacionalistas menos arrogantes e a cidade de Barcelona é uma metrópole cosmopolita e aberta ao mundo. - Um facto. - É ainda o La Razon que -apesar de tudo- nos denuncia o facto da Generalidad da Catalunha só apoiar as associações de consumidores que se expressem em catalão. Isto numa região em que o número dos descendentes de andaluzes, bascos, galegos, valencianos, aragoneses, extremenhos... é enorme!
   Também o nacionalismo catalão teve ligações ao Carlismo, isto apesar de ser, de entre as três nações do Galeusca, aquela que mais tem que se queixar do Antigo Regime (e da França, mas isso é outra história...). É verdade que os nacionalistas carlistas que apoiaram Franco na Guerra Civil 'se tramaram' quando se aperceberam que este não iria reactivar os atributos autonómicos de Espanha. Não é menos verdade que o seu líder de esquerda (ERC) dos anos 20 e 30, Francesc Macià, primeiro presidente e restaurador da generalitat moderna (1931-1933) e que chegou a ser seu governante em plena autonomia, - diríamos com plena independência!- viu o seu trabalho suspenso em 1936 por Franco. Não é menos verdade que era este o homem de esquerda que se referia ao ‘povos germânicos de Espanha’.

   - Povos germânicos de Espanha!...

   E esta?! Está o leitor a ver a coisa? Han? O Hitler quase a chegar ao poder... o Hitler poucos depois anexando os Sudetas com um discurso semelhante a este grito... o Hitler anexando a sua Áustria Natal... cativando os Flamengos, os Escoceses, os Galeses...
   Cativando, ao fim e ao cabo, todas as pátrias sem estado desta Europa velha de História.
   Está o leitor a ver porque é que se percebe que Guernica não desiludisse alguns dos Bascos, nem alguns dos Catalães? Está a  perceber porque é que alguns bascos e catalães fizeram espionagem contra a República Espanhola e a favor dos países do Eixo? Está a ver as motivações de muitos nacionalistas de direita, bascos, galegos e catalães para combater ao lado do Eixo e de Franco? Está a ver o porquê do sucesso da arregimentação de catalães para o exército azul que combateu os bolcheviques na Rússia ao lado dos alemães? Os mesmos bolcheviques que haviam ‘arrepanhado’ de mãos republicanas o ouro do estado espanhol até aos dias de hoje... Pois é...
   Ora, temos que referir ainda outro 'povo germânico' de Espanha: os Galegos. Está agora na moda –'irritantemente', diremos nós- falar-se em galaico-português. A coisa chega ao ponto -e isto já começa a ter alguma gravidade- de muitos dos apoiantes da causa galega no nosso país acharem que sim senhor, isto de Portugal e Galiza é tudo a mesma coisa, Galegos e Portugueses são um só povo e essas, passe a triste expressão, tretas todas.
   Sim, sim... sabemos que os galegos apoiaram as pretensões de D. Fernando à coroa de Castela, que Castela foi um condado do Reino da Galiza, blá, blá blá...
   Mas não nos esqueçamos que os galegos são espanhóis!!! A maior parte dos galegos é orgulhosamente es-pa-nho-la. O Franco era galego, o Aznar é galego... (Ou deveremos escrever gallego e ler galhego? Cáspite!)
   Calculamos que neste momento o leitor se interrogue sobre a qualidade da nossa solidez psíquica. Esteja o amigo leitor descansado que já dizemos ao que vimos: Revolta-nos o apoio que em Portugal alguma direita, com um sentido patriótico de estado mais que suspeito, dá à 'causa galega'. Revolta-nos o apoio que alguma esquerda bem-pensante guarda face aos terroristas bascos. Inquieta-nos a alegre esperança de alguns masoquistas que não se apercebem que a, infelizmente possível, implosão de Espanha nos irá tornar ainda mais periféricos face à Europa.
   Cansados! Estamos cansados de assistir aos regionalismos arranjados 'à pressão' neste pobre país.
   Aos mimetismos românticos sempre respondemos com um sorriso... Aos arroubos de cariz político e religioso sempre retorquimos com todas contradições e com todas as situações mal explicadas, e já atrás levemente afloradas, dos nacionalismos destes povos na História recente; com as fronteiras ténues que os nacionalistas destas nações sempre mantiveram face à realidade dos tempos que viveram e àquilo a que se convenciona chamar, em cada época, esquerda e direita.    E isto, caro leitor, parece-nos que só não vê quem não quer...
   Agora com a 'llengua'! Com a língua portuguesa não se brinca. Se formos inteligentes podemos transformá-la numa riqueza –sim, estamos a ser muito materialistas...-
   E, por outro lado, sejamos honestos: o Basco ninguém fala fora da região, o catalão é muito importante em Espanha, agora o galego... o galego, passe a expressão,  não existe! Não lucraremos nunca muito com a assumpção do galaico-português. Recordemos que em África há países de expressão portuguesa, que o Brasil fala português, que o Português é das línguas mais faladas na internet, que é falado e escrito por muitos milhões de pessoas.
   'Mordam-nos' à vontade, mas sempre o diremos: O galego, caro leitor, o galego é folclore do século XIX, o galego é romança medieval, a academia galega da língua tem três dezenas de anos enquanto o Português é uma língua oficial desde D. Dinis. (Já lá vão mais de setecentos anitos...). Sejamos sérios ... e portugueses.
   P.S. - Fica o aviso: por cada 'dentada' que sofrermos atiraremos com o nome de um escritor português."
Publicado por Francisco Nunes em junho 9, 2006 02:06 AM
Comentários

comment2 information about most popular sites.

Afixado por: boris em outubro 14, 2009 02:49 PM

comment6 most popular online travel agencies

Afixado por: kudrjash666 em setembro 24, 2009 01:20 AM

comment2 rotary valve for liquid filler

Afixado por: chake em setembro 15, 2009 07:29 PM

Caro Veliberalino,
não é essa a questão de fundo... A questão de fundo são os nacionalismos, digamos assim, histéricos. Não se esqueça que aqui na Planície somos mais aparentados com os extremenhos. Os alentejanos e os beirões de Idanha e Castelo Branco podem, desta forma, estar a favor do nacionalismo extremenho (que, embrionariamente, também existe) e querer caminhar lado a lado com a Extremadura? Mas caminhar até onde?!
E os algarvios?... Poderão querer caminhar com os andaluzes?... E os transmontanos? E os beirões da Guarda e Castelo Rodrigo? E...

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em junho 9, 2006 11:51 PM

Há imensas afinidades, de ordem étnica e cultural(histórica, linguística, religiosa, etc.), entre galegos e portugueses.
Não percebo porque é que os dois povos não poderão estabelecer laços fraternos entre si.
O galego não existe? Acho que sim! A prova é que nos entendemos muito bem falando a mesma língua.
Aliás, eu entendo melhor os galegos do que certos compatriotas dos Açores, por exemplo.

Afixado por: Veliberalino em junho 9, 2006 11:09 PM

Já agora, amigo Suso, os parágrafos que quis centrais desta posta foram estes:

"Esteja o amigo leitor descansado que já dizemos ao que vimos:
Revolta-nos o apoio que em Portugal alguma direita, com um sentido de estado mais que suspeito, dá à 'causa galega'. Revolta-nos o apoio que alguma esquerda bem-pensante guarda face aos terroristas bascos. Inquieta-nos a alegre esperança de alguns masoquistas que não se apercebem que a infelizmente possível implosão de Espanha nos irá tornar ainda mais periféricos face à Europa.
Cansados! Estamos cansados de assistir aos regionalismos arranjados 'à pressão' neste pobre país."

Perceba que, concordando ou não, os nacionalismos galego, basco ou catalão, são um assunto interno de Espanha. O que me preocupa e, de certa forma, revolta, é a ingenuidade de muitos portugueses quanto à forma de agir face às realidades espanholas.

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em junho 9, 2006 01:13 AM

Amigo Suso,
este texto é para consumo interno.
Para ser honesto, devo dizer que não tenho nada contra os espanhóis. Sempre me senti bem no vosso imenso país que, aliás, tenho a pretensão de pensar que conheço relativamente bem. Quanto ao Galego, ao que sei -bem pouco, por sinal...- penso que ainda não é uma língua devidamente uniformizada (corrija-me se minto). Não há muitas obras em Galego e a sua oralidade altera-se fortemente em função das zonas geográficas em que é falado e dos círculos sociais e/ou culturais em que é utilizado.
Enquanto português sinto preocupantes pulsões iberistas e/ou centralizadoras desse lado da fronteira. Aos portugueses, logicamente, nenhuma dessas pulsões interessa muito...

Saúde e sorte para si e para todos os seus...
Um abraço, Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em junho 9, 2006 01:07 AM

Isto que estou a escribir é galego. E aínda que voçé non queira na Galiza o galego exsite e resite. Temos o mesmo dereito que calquera outro pobo a existir. Os Portugueses non deberían ter nada en contra da reivindicación nacional da Galiza porque os galegos nada temos, máis ben ao contrario, contra Portugal. Para nós, os nacionalistas galegos, Portugal é país viciño e irmao co que queremos camiñar en pé de igualdade.
Boandanza e saúde, irmao protugués.

Afixado por: Suso em junho 8, 2006 08:43 PM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?