Nomeado ministro não rejubilou.
Nomeado ministro encheu-se-lhe o corpo. Inchou. Deixou de caber no fato. Desapertou a gravata que lhe apertava os gasganetes e olhou, durante alguns minutos, para a rua ainda movimentada pela janela do escritório da empresa em que era gestor de topo.
Tinha muitas ideias para o país. Tantas. Deus lhe desse coragem, sorte e saúde.
Retemperado, respirou fundo, retocou-se, saíu do seu gabinete e dirigiu-se para o elevador.
- Para subir, por favor...- solicitou ao ascensorista.
- Sim, senhor engenheiro...
À secretária do Presidente da Administração fez saber que tinha alguma urgência em falar com o Senhor Presidente do Conselho de Administração.
Dez minutos depois tinha um copo de uísque na mão e olhava toda a cidade a partir das janelas privilegiadas daquele autêntico salão forrado a madeiras tropicais de cores quentes que era o Gabinete do Excelentíssimo Senhor Presidente do Conselho da SGPS. Estava mais aliviado. O facto de não ter sentido qualquer animosidade face ao seu novo projecto de vida dava-lhe forças para anunciar as novas à família.
Falou com o Senhor Presidente dos novos projectos da Sociedade. 'Que estivesse o futuro ministro descansado...'.
E estava. Estava mais descansado.
À despedida o Senhor Presidente muito atencioso:
-Contamos sempre consigo... Não se esqueça.
No topo de gama a caminho de casa 'Contamos sempre consigo... Não se esqueça. Contamos sempre consigo... Não se esqueça. Contamos sempre consigo... Não se esqueça. Contamos sempre consigo... Não se esqueça. Contamos sempre consigo... Não se esqueça. Contamos sempre consigo... Não se esqueça. Contamos sempre consigo...' Cáspite! O sacana do Senhor Presidente sempre o disse, sempre o condicionou, tramou-o... iria ser mais um daqueles ministros-banana sem autoridade, sem autonomia, sempre em diálogo, sempre pedindo opiniões temerosas, um ministrozeco como todos os outros que conhecia e com quem contactava com irónica reverência... Mais um panhonha!
CÁSPITE!!! DUPLO CÁSPITE!!!
Bof... do mal o menos... ao menos tinha a certeza que a mulher já não se oporia à sua ida para o Governo.
- É que um gaijo tem filhos, pá!!...
Bom exemplo de política real. É pena, mas ao que parece funciona mesmo assim. E os tipos sérios que vão para cargos políticos que abanem mesmo que levemente o establishement, acabam por sair.
Não sei como nem quando será possível acabar com a promiscuidade entre poder político e económico mas blogar pode ser um começo. pelo menos falamos do problema e a informação vai circulando.
Continua o bom trabalho
Afixado por: Manuel em agosto 24, 2005 02:39 AMTem filhos e terá certamente muitos fdp…
Afixado por: jgonçalves em agosto 23, 2005 10:42 PM