outubro 26, 2005

Inventem-se novos chavões!

   A propósito da vitória em várias frentes, na Polónia, de um partido 'da Lei e da Justiça' e da vitória de um partido 'justicialista' na Argentina, conceitos -Lei e Justiça- que, independentemente da bondade dos partidos em questão, faziam falta (até pela novidade) em Portugal, lembramo-nos de outros conceitos mais 'bacocos e insossos' que neste nosso cantinho lambem o seu percurso nas páginas dos nossos jornais. Referimo-nos a chavões como 'republicano', 'laico', 'socialista', 'social-democrata', 'liberal', 'democrata'...
   Nada ilustra mais o desgaste destes chavões do que a utilização dos termos, já mais do que ocos e completamente desgastados, 'social-democrata' e 'socialista'. Em Portugal, neste momento, é hilariante o tipo de rapaziada que se intitula 'à esquerda do espectro político'.
   Fartos destes chavões tomamos aqui a iniciativa de propor novos slogans baseados em conceitos e em 'não-conceitos' (também gostamos de 'armar aos cucos', esta do 'não-conceito' é mesmo forte...) aos candidatos a cargos políticos neste país, de acordo com o público que alvejam:
   Para as senhoras balzaquianas: Respeitador, romântico e bem-intencionado
   Para os maluquinhos da bola: Sportinguista, Portista, Benfiquista... (a usar parcimoniosamente e recorrendo a diversos porta-vozes de acordo com os estádios em que se faz campanha)
   Para os desportistas: Saudável, frugal e vigoroso.
   Para os desenganados da política: Incorruptível, sério e inflexível
   Para os alternativos: anarca, okup@ e libertário Budista (ou por aí...), vegetariano e puro Rasta, esperantista e fumador de charrinhos
   Para as classes mais elevadas: (sim! sabemos que estes conceitos se chocam... mas todos dão fortunas a ganhar...) Keynesiano (este conceito já esteve melhor considerado mas é como os 'Duran, Duran' -vide posta anterior), taylorista e monopolista
   Para os patriotas; Português, nacionalista e patriota. Para os militares Ordem, paz (sim 'Paz'!... porquê?) e progresso.
   Para os pedreiros-livres: Arquitecto, universalista e iberista.
   Para os pobrezinhos coitadinhos: (recurso obrigatório a frigoríficos, facas eléctricas e a porta-vozes que digam o que pode ficar mal se assumido pelo candidato): Bom, amigo dos pobrezinhos e menino bonzinho desde pequenino.
   Para os jornalistas: Pinto Balsemão, Belmiro de Azevedo e liberdade de imprensa.
   Para os amigos dos touros: Aficionado, valente e tradicionalista.
   Para os intelectuais: Desconstrutivista, ligeiramente heideggeriano e proustiano, mas numa acepção tão moderna quanto assumidamente hegeliana.
   Para os pândegos: Playboy, jogador e iatista.
   Para os invejosos: Anti, contra e isso.
   Para chatear uns: Monárquico, absolutista e miguelista.
   Para chatear outros: Comuna, vermelho e sanguinário.
   Para chatear mais alguns: Fascista, nazi e nacionalista
    Para que não haja o perigo de catalogação: Não me cataloguem, não me reduzam, não me venham com discursos simplistas.
     Para cativar as mais religiosas: Quase santo, como um beato e muito, muito crente.
   Para cativar os religiosos:   Ratzingerista da primeira hora, sempre honesto e muito, muito crente (ou mais!...).
Publicado por Francisco Nunes em outubro 26, 2005 06:46 PM
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