outubro 28, 2005

Sócrates: um discurso abortivo

   De uma forma circular o senhor primeiro-ministro discursou sem tempo para perguntas. Circular -este discursozinho do excelentíssimo senhor primeiro-ministro- quanto à argumentação e quanto à forma. O senhor primeiro-ministro fez, portanto, um discurso sem ponta por onde se lhe pegasse... (Nós, pelo nosso lado, não conseguimos pegar-lhe... mas também só temos a quarta classe...).

   A Planície, dentro das suas muito limitadas e canhestras possibilidadezinhas, (ou)viu a coisa mais ou menos assim:

   O senhor primeiro-ministro é a favor da interrupção voluntária da gravidez. Mas o senhor primeiro-ministro também quer sacudir as medidas difíceis do seu capote empurrando-as para o capote de quem quer que seja (no caso o T.C.). Acontece que o Tribunal Constitucional não tem nada a ver com isso. O Tribunal Constitucional limita-se a dizer que não é legal repetir já um referendo sobre esse assunto. O senhor primeiro-ministro é que não está pelos ajustes e até acha absurdo o que se passa com as mulheres que, sem as devidas condições, fazem abortos clandestinos. O PS -que é o partido do senhor primeiro-ministro- é o partido maioritário na Assembleia e está a favor da alteração da legislação sobre este tema. Há até uma lei, nunca cumprida, que, sendo mais restritiva do que a proposta, não impede a interrupção voluntária da gravidez. Acrescente-se que o senhor primeiro-ministro até está preocupado com a humilhação das mulheres que vão a tribunal por causa deste assunto. O senhor primeiro-ministro até tem um ministro dos negócios estrangeiros que defende uma solução híbrida que consiste mais ou menos em... em... em (e'éehkh!). O senhor primeiro-ministro vai ainda mais longe e não concorda com a decisão do Tribunal que se limitou a analisar os dados de que dispunha do ponto de vista legal. Nota-se, por outro lado, que o senhor primeiro-ministro acha pouco convincente o anterior referendo porque a maior parte dos portugueses, pandegamente, preferiu a praia às urnas. O senhor primeiro-ministro pode, no entanto, alterar a lei na Assembleia da República com o apoio de toda a esquerda e até com uma significativa percentagem de deputados do PSD. Ora o senhor primeiro-ministro, verdadeiramente, está-se é nas tintas para as mulheres. O senhor primeiro ministro queria era 'entalar' o Cavaco com esta do aborto e até já tinha mandado o fixe do márinho falar em direita revanchista. O senhor primeiro-ministro, se calhar, anda já desorientado. O senhor primeiro-ministro, a continuar assim, não se aguenta até ao fim da magistratura porque parece que não sabe fazer política, e que é melhor a fazer politiqueirices. O senhor primeiro-ministro não explica, e parece que impõe. O senhor primeiro-ministro não esclarece, e parece que ofende. O senhor primeiro-ministro até podia fazer com que a lei existente se cumprisse... mas, se calhar, nem se lembra disso. Nem quer... mas isso já somos nós que o dizemos.
Publicado por Francisco Nunes em outubro 28, 2005 11:20 PM
Comentários

Estás a ver porque é que Zecatelhado...Pois!
Qual a diferença entre os PARTIDECOS do centrão político nacional?

Aquele abração do
Zecatelhado

Afixado por: zecatelhado em outubro 29, 2005 11:31 PM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?