Símbolos utilizados pela Cruz Vermelha Internacional
Caro Joaquim Batista,
respondo-lhe com a máxima honestidade: não sou católico praticante (mais valia dizer que não sou católico...), 'casei pelo registo' e baptizei-me só aos 15 anos porque o baptismo não me foi imposto pelos meus pais. Na minha família fez-se assim...
Entre 'os meus', alguns são praticantes, eu não...
As questões que se colocam neste momento têm duas naturezas:
- a oportunidade;
- a identidade.
A oportunidade foi a pior. Numa altura em que a Educação se pauta por um desconforto e instabilidade de relações entre oos docentes e o ministério, entre os docentes e algumas associações de pais, entre os pais e o ministério, convinha a toda a gente que não se criassem mais focos de tensão.
A identidade portuguesa é católica. Os nossos princípios éticos e morais assentam no catolicismo. O crucifixo ainda não choca a maior parte dos portugueses e fazem parte do seu imaginário enquanto homens e enquanto povo.
Mais a mais, escolas que ainda têm crucifixos são aquelas que, na província, foram construídas antes de 1970. Que mal lhe faziam os crucifixos? A quem é que chocavam?
É preciso perceber que os valores não se mudam assim, à pressa e de forma simbólica.
Se olharmos e ouvirmos à nossa volta podemos verificar que o que mais escandaliza quem aqui chega para trabalhar nem são os valores existentes. O que escandaliza os não europeus é a nossa galopante falta de valores (sim, considero que a Religião nos pode transmitir valores e, nesse sentido, posso 'confundir religião e valores).
Num país que não consegue criar uma escala de valores que se adapte aos tempos que correm, num país atravessado pelo pragmatismo e pelos interesses materiais mais mesquinhos não me parece deslocado que se peça ao estado que, antes de se laicizar, se moralize.
Um abraço,
Francisco Nunes
Caro Francisco, essas cruzes já lá estavam a mais. A Católica que as use e abuse. Também acha bem 4 horas de procissão na RTP 1?