Os Gatos III (Uma preciosa contribuição do Albardeiro))
Do excelente, e injustamente não lido nem referido como merece, Albardeiro -não sabemos se da parte do Hugo ou do Daniel- chegou-nos, sob a forma de um comentário à posta anterior que, obviamente, deve ser promovida a posta, a seguinte achega sobre o homem e a obra de Fialho de Almeida:
«Como alguém já o escreveu, Fialho foi o maior filho da Esperança, o maior bastardo do Desespero, onde puderam coexistir num só homem, tanta fé e tanta descrença.
O que nos cativa então em Fialho e o faz, em nosso entender, mais actual hoje do que no seu século? Supomos que foi o ele ter dado, aos géneros considerados plebeus, a categoria de géneros nobres, e de uma página de jornal, por exemplo, destinada ao efémero, redigida sobre o joelho, ter extraído texto que continua ainda bastante presente e mais vivo do que a maioria da cronística platinada dos nossos hebdomadários, muito semelhante à romaria domingueira dos papalvos nos centros comerciais.
Também como alguém disse o que o que assombra em Fialho é o raio ecléctico não tanto dos géneros mas dos assuntos que cultivou. Nunca escolheu. Deu-se. Conforme vinham, assim os punha no fogo e lhes dava forma, tantas vezes inacabada, tantas vezes nem sequer revista. Fialho tinha requinte e tinha arte. Por isso, não pode ser esquecido. Continue Francisco... Conforme puder e o tempo disponível o deixar, irei fazendo alguns comentários sobre os “felinos”!»
Agradecidos e honrados com esta muito pertinente achega, deixamos aos nossos prezados leitores o desafio de participarem como puderem nesta abordagem que nos propomos fazer. Este escritor das terras do vinho da Vidigueira (Cuba e Vila de Frades) merece que se lhe faça justiça.
Porque nos parece pertinente, recordamos que a sua casa em Cuba está em situação ruinosa, que sua casa de Vila de Frades poderia estar melhor conservada e que a sua obra não foi estudada de acordo com o que seria de exigir. Fialho de Almeida foi um homem bom, sábio e valente que merecia uma presença mais forte no coração e na memória de todos nós.
Publicado por Francisco Nunes em março 18, 2006 04:25 PM