março 28, 2006

Vivam os estádios! Abaixo as maternidades!

(Estes desabafos à pantalha mal jogados,
todos estes vexames do povo gritados
Rimaram mal, e muito mal honraram,
aqueles que os nossos políticos desgovernaram.)

Algo, neste canteiro, vai mal,
fecham maternidades junto à raia
sem critério, e sem moral.
do Douro até ao Caia.

Há comércio e não há ética,
há loucura e vil luxúria
quando a maternidade claudica
às razões da conjuntura.

Mas, oh diabo! Oh, parva atitude!
Agora a estética e a cirurgia da vaidade
preenchem e são uma grande virtude
para toda a sandice que assola a cidade.

Fazem-se orgulhosos estádios fenomenais
para triste glória de um estulto país
que hoje quase não tem hospitais
e amanhã não terá, cidadãos de raiz.

É tal o regabofe na terra lusa
que quem não tem vergonha é rei
faz o que quer, usa e abusa,
e, sem se rir, diz-se dentro da Lei.


Publicado por Francisco Nunes em março 28, 2006 09:44 AM
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