maio 12, 2006
Pirites Alentejanas
Só podemos achar que há, de um lado, algum populismo, e de outro lado alguma ingenuidade, na alegria evidenciada por muita gente com a reabertura das Pirites Alentejanas anunciada, 'entre foguetes', para breve.
A Câmara Municipal de Aljustrel publica panfletos eufóricos. Os líderes partidários de quase todos os quadrantes políticos e ligados a esta Planície falam de vitórias negociais e de polícromos amanhãs que cantam.
As Pirites Alentejanas reabrem, recordemo-lo, basicamente porque o preço do zinco nos mercados continua a subir e porque há acordos com o governo que se crêem muito vantajosos e de que se desconhece o teor. Apesar de tudo, e bem pouco agradavelmente, os canadianos só prometem reabrir por pouco tempo.
Muito pouco tempo, muito descomprometimento... Mesmo que cheguem a reabrir não por dez, mas por 20 anos. (Vamos lá, felizes e contentes, acompanhar a euforia reinante, não vá alguém chamar-nos 'velhos do Restelo', coisa que como o estimado leitor certamente calcula, seria 'bué da bera', ainda por cima numa altura em que o histórico Belenenses desceu ingloriamente de divisão.)
Ora, -perguntamos muito cépticos- quem é que pode convencer a nossa classe política de que os recursos do subsolo devem ser explorados com muita parcimónia uma vez que pertencem tanto às actuais, como às futuras gerações de portugueses? E, já agora, respondemos: - Ninguém!!
O único sentimento lógico, perante uma reabertura da mina nos moldes em que está prevista, seria a cautela. Não ocorreu nada disso. Afinal, a História - concluímos - não nos ensina nada. Definitivamente nada!
Aljustrel, depois de viver desafogadamente com a sua mina durante algumas décadas viu-se, 'do pé para a mão', totalmente desindustrializada após o seu encerramento em 1993. Em 2016 ou, -vamos lá voltar a ser optimistas- lá para 2026 vai suceder a esta povoação o mesmo que lhe sucedeu em 1993: A mina fecha e a orgulhosa Vipasca volta a ficar com 'uma mão cheia de nada e outra cheia de coisa nenhuma'. Outra vez...
É por isso que ficámos meio agradados com as questões do José Soeiro na Assembleia da República. O comunista está preocupado, e com sérios motivos para isso, com os trabalhadores de agora. Aqui na Planície estamos preocupados com os actuais e com os futuros trabalhadores desta pobre Planície e, já agora... deste pobre país.
Como desconfiamos que muitos dos 'eufóricos' não leram o que diz o site da Eurozinc a este propósito, deixamos a seguir uma tradução muito tosca e pouco 'trabalhada' dessa notícia em continue a ler 'Pirites Alentejanas'. (Os sublinhados pretendem ser 'desconfiados' e são todos da nossa responsabilidade...)
Quinta-feira, 4 de Maio de 2006
Eurozinc quer reabrir a mina de zinco de Aljustrel -------------------------------------------------------------------------------- Vancôver, B.C. -
A EuroZinc Mining Corporation está satisfeita por anunciar que a Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A. (“EDM”) obteve a aprovação do governo Português para prosseguir com o acordado e assinado na adenda ao contrato respeitante à compra e venda das Pirites Alentejanas, S.A., companhia detentora da mina de Aljustrel (veja a notícia de fevereiro 27, 2006).
Na base desta aprovação, a companhia começará imediatamente com o desenvolvimento dos trabalhos requeridos para trazer de novo a produção à mina de Aljustrel.
O gestor da Eurozinc em Portugal, João Carrêlo, congratulou-se com a ratificação do documento como “uma prova adicional da vontade do governo Português de desobstruir os entraves para que a Eurozinc recomece as operações de mineração em Aljustrel.”
O Sr. Carrêlo declarou ainda que “todas as partes interessadas tinham contribuído activamente para esta realização” e que “o investimento da EuroZinc e dos seus accionistas no projecto durante os cinco anos passados fizeram com que tudo isto fosse possível.” Disse ainda que com “a mina de Aljustrel se espera proporcionar uma maior amplitude estratégica para a EuroZinc e a contribuir para a criação de valor para os accionistas, e reforçar o desenvolvimento sustentável regional e nacional”.
A EuroZinc terminou recentemente uma actualização do estudo de viabilidade do projecto de Aljustrel datado de 31 de Março de 2006 (arquivado em SEDAR como um relatório técnico - NI 43-101).
O relatório mais recente reforçou os estudos efectuados e permitiu uma nova análise económica do projeto.
Os trabalhos recentes incluiram:
- Programa subterrâneo da brocagem (6.703 medidores em 65 furos) no depósito do Moinho.
- A estimativa actualizada dos recursos do depósito de Moinho .
- Projecto dos trabalhos na mina e modificação do sistema de transporte do minério para o depósito de Feitais.
- [...]
Os parâmetros chave da nova análise económica do projecto de Aljustrel são os seguintes:
- Investimento inicial principal: 88.3 milhões de dólares
- Custo de operações a médio prazo: €24.84 (US$27.32) por tonelada
- Custo do dinheiro do zinco pagável: US$ 0.46 por libra.
Produção média anual:
- 176 milhões de libras de zinco.
- 40 milhões de libras de pirite
- 1.2 milhão de onças de prata.
Vida mínima da mina: 10 anos
O estudo actualizado avalia o projeto no contexto do ambiente económico actual e sumaria as melhorias conseguidas na planta e no processo da mina. O objetivo da companhia é assegurar-se de que a mina de Aljustrel seja um projeto viável, a longo prazo- e não apenas aos actuais preços do produto - e continuará a beneficiar os accionistas da Eurozinc e a economia local do Alentejo e de Portugal.
A EuroZinc planeia financiar o projeto de Aljustrel com uma combinação de empréstimos e de dinheiro próprio da companhia. Foi já assinado um contrato com um banco europeu para fornecer a principal das várias parcelas do crédito a obter. A companhia financiará o projeto com seu próprio dinheiro assim que as contas se equilibrem e haja essa facilidade .
A EuroZinc espera ainda a rápida aprovação de um empréstimo bonificado junto da União Europeia de 18.3 milhões de Euros (aproximadamente 23 milhões de dólares). O arranque antecipado para a efectiva mineração prevê-se para meados de 2007, uma vez terminadas as modificações na jazida do Moinho. Durante o primeiro ano da operação o minério será processado a partir desta jazida, no segundo ano o minério processado será originário dos Feitais.
A EuroZinc é uma companhia internacional de mineração canadense que se dedica à aquisição, exploração, desenvolvimento e mineração de jazidas mineralíferas subterrâneas. Além do projeto de Aljustrel, a companhia actualmente possui a mina de cobre de Neves-Corvo e tem interesses significativos no filão de pirite ibérico no Sul de Portugal.
Publicado por Francisco Nunes em maio 12, 2006 12:24 AM
Aljustrel abriu para escoar a nossa riqueza para a Austrália, uma vez que a Eurozinc já era...
A riqueza do subsolo alentejano está a ir para às mãos de capital estrangeiro e nós a contentarmo-nos com os restos que eles(australianos) atiram para a mão aberta do pedinte (portugueses).
Quanto fica na região? onde estão os investimentos?
e quando o minério acabar, como é. Será que os australianos vão arcar com os subsídios de desemprego? com a crise que se instalará?
Apenas gostava de dizer que um minimo de 10 anos, que podem vir a ser 20, é significativo. Representa metade da vida laboral de um trabalhador. Alguns poderão chegar à reforma nessa empresa. Seria melhor se fosse uma companhia nacional, até seria melhor se as minas nunca tivessem fechado, mas não percebo porque devemos estar contra este investimento!
Caro Francisco, tem razão para desconfiar e descrer dessa euforia. Já agora: sabia q. o eng. Setas pires, depois de ter dinamizado e rentabilizado muitas explorações da somincor saiu da empreza pela porta do cavalo? Colunialismo, é o que é...
abraçu, J.F.