maio 25, 2006
"[...]metade da população portuguesa é paga para dizer bem..."
A entrevista que António Barreto deu à Visão foi, por assim dizer, uma 'ligeira autobiografia orientada'. É tão interessante a sua vida como é inteligente a visão que este sociólogo tem vindo a expressar a propósito do nosso país, das nossas gentes miúdas e das nossas élites. É, pois, um homem que Nos conhece muito bem... À última questão que lhe formularam -"Nos textos sobre si, é apresentado como um bon vivant, mas amargo em relação ao País. Revê-se neste retrato?"- respondeu assim:
"- Da parte do bon vivant, não gosto -alude-se a quem gosta de comer, de fumar charutos, de carros rápidos, de sair, de ir ao futebol... A única coisa de que gosto é de vinho, porque nasci no meio dele. Quanto ao amargo, sim. Acho que podíamos ser melhores. Já temos história, tempo, sabedoria, experiência e idade para ter juízo. Sou deliberadamente amargo, raramente faço elogios, porque metade da população portuguesa* é paga para dizer bem..."
* Um reparo: desengane-se se acredita que o António Barreto se estava a referir aqui apenas ao funcionalismo público... Toda a humilhante lógica dos 'salamaleques, sorrisos e subserviência a quem é', tem como objectivo uma prebenda qualquer: um subsídio, o empregozito lá para o rapazito, a promoçãozinha, a licença que poderia andar mais depressa...
Ao fim e ao cabo Funcionários públicos há muitos!... (Se calhar até bem mais de metade da população portuguesa.)
Publicado por Francisco Nunes em maio 25, 2006 06:34 PM
Quereria ele Sociólogo dizer, que meia população desta pátria é iletrada?
E o resto da aritmética?