agosto 04, 2006
Há Uma Guerra de Civilizações em Curso? (Posta à laia de desabafo)
Os rapazes xiitas do Líbano, do Irão e do Iraque, de cabeças enroladas e ar dolicodoce têm, nos últimos anos, mais mortes às suas mãos do que os Israelitas, Ingleses e Americanos todos juntos. No Darfur e na Somália morrem milhares de civis (muçulmanos e não muçulmanos) às mãos de guerrilheiros e bandidos muçulmanos. No Paquistão já foram queimadas várias igrejas. A Índia já teve, nos comboios de Bombaim, a sua Madrid, a sua Londres e as suas Twin Towers. No Egipto já morreram dezenas de turistas ocidentais. No Iraque morrem dezenas de pessoas semanalmente. O Afeganistão é um barril de pólvora. O Irão, depois da 'democrática' China, é o país que mais condena,- por motivos morais (!!!)- civis à morte. Os meios de comunicação ocidental sujeitam-se frequentemente ao douto critério de turbas que, exaltadas por 'santos homens' vandalizam embaixadas ocidentais.
Agora, o exército israelita, em busca de alvos militares matou pouco menos de trinta pessoas. É muito? Claro que é! Mas por que carga de água é que só se faz alarido desta mortandade? Porque é que é sempre o Ocidente, todo o Ocidente, a arrastar consigo todos os males do mundo?
Alguém, no seu juízo perfeito, trocaria a sociedade democrática em que vive pelas teocracias manhosas e corruptas do mundo árabe? Os males das Cruzadas garantiram-nos o opróbio dos árabes até quando? Os netos dos nossos netos terão culpa do que se passou em Acra? Em Constantinopla?
A resposta às cinco questões seguintes não nos alivia...
1.- O que nos leva a suportar a humilhação de termos que nos sujeitar constantemente às diatribes e lições de moral de dirigentes fanáticos e obcecados do mundo muçulmano?
-Basicamente os interesses de meia dúzia de tipos ligados ao petróleo e à guerra.
2.- Quando o petróleo acabar 'isto' passa?
- Quando o petróleo acabar a França, a Holanda, a Inglaterra estarão pejadas de muçulmanos desenraizados de segunda e terceira geração revoltados com as humilhações passadas às mãos de quem enriqueceu à custa dos seus pais e avôs e, posteriormente, os guetizou 'muito convemientemente.
3.- Temos feito alguma coisa para contrariar esta situação?
- Não! Temos humilhado os países muçulmanos laicos ou em processo de laicização. Temos humilhado a Turquia, temos espezinhado Marrocos, temos ignorado os partidos laicos do mundo muçulmano.
4.- As turbas exaltadas do mundo islâmico distinguem os civis comuns dos interesses económicos instalados que, agindo em seu nome, têm a sua forte quota de responsabilidade no estado de corrupção generalizada e/ou de fundamentalismo de estado a que o mundo islâmico chegou?
- Não, não distinguem. Não! A 'coisa' chegou ao ponto de ser provável que o Hezbollah saia como herói da invasão israelita do Líbano. Ninguém questionará no mundo árabe da justeza de se estabelecerem bases militares agregadas a populações civis...
5.- Há -perguntamos, à laia de conclusão- uma guerra de civilizações em curso?
- Claro que há! E o que é pior: não é o Ocidente que a está a vencer. O Ocidente que estabeleceu uma pátria para o povo Judeu -resolução, sem dúvida, bastante contestável, até pelos moldes em que decorreu- não demonstra nenhuma sensibilidade para a necessidade deste país proteger os seus cidadãos. O Ocidente está, neste início de século, refém de si próprio: do seu bem-estar, dos seus princípios morais e da sua má-consciência.
Publicado por Francisco Nunes em agosto 4, 2006 02:43 AM
Não podia estar mais de acordo
Abraço
Joaquim
Apenas em breve:
- Em Constantinopla as vítimas dos cruzados foram os cristãos ortodoxos e não os muçulmanos.
- O balanço geral e final da cruzadas foi favorável aos muçulmanos, que apesar disso não cessaram o ódio que sempre tiveram aos que não aderem ao Islão.
- A guerra entre as civilizações judaico-cristã e muçulmana começou no tempo do "profeta" Maomé, com o massacre e expulsão de tribos judaicas que não aderiram ao islamismo, e prosseguiu com a política de conquistas do Islão e consequente esmagamento de outras civilizações, como a Persa, por exemplo.
Senaquerib, agradecido pelas suas precisões que, em última análise, enriqueceram esta posta. (Retirei o triplicado dos seus comentários...)
Agradecido pelos comentários, um abraço para si e outro para o amigo Joaquim Batista,
Francisco Nunes
Caro Francisco,
Ainda consegue ser mais pessimista do que eu. Mas que nos estamso a aproximar da situação que descreve não tenho dúvidas.
Cumprimentos
Muito lúcido. O ponto 3, então, é trágico -- para nós e para eles. Por exemplo, a forma como a UE (e também os EUA) lidaram com o governo do Hamas, parece-me ter sido duma miopia total, e receio que os estragos aí possam ser irreversíveis.
Amigo António, a situação é trágica mas penso que é reversível. Assim haja a coragem e a inteligência para deixarmos de por a cabeça na areia...
Caro RAA, o site do braço juvenil do Hamas, o Al Fateh, propõe a reconquista da Península, o Hamas, pelo seu lado, defende o extermínio do Estado de Israel... Quando me referia, na questão 3, à necessidade de apoiar os países e os partidos árabes laicos ou laicizantes, não me referia propriamente a estes rapazes...
Agradecido pelos comentários, abraços ao António e ao RAA,
Francisco Nunes
Subscrevo inteiramente esta visão do problema. O que mais me preocupa é que a maioria dos ocidentais não perceba que se trat de uma guerra entre nós e eles e que, infelizmente, muitos de nós estejam do lado deles...Veremos o que pensam quando forem obrigados a rezar de cú para o ar!
Certo. Mas talvez o Hamas não seja um bloco; talvez os que têm de fazer política no terreno sejam mais pragmáticos do que os exilados; talvez essa via pudesse ter sido explorada. Cordialmente
Certo. Mas talvez o Hamas não seja um bloco; talvez os que têm de fazer política no terreno sejam mais pragmáticos do que os exilados; talvez essa via pudesse ter sido explorada. Cordialmente,
Mas temos a superioridade moral da "nossa" (eu não votei) civilização ocidental e cristã. Nem o portas diria melhor!!!!