setembro 16, 2006

Oriana Fallaci faleceu como o Danae da Eneida

No seu último artigo publicado no Corriere Della Sera sob o título 'O inimigo a quem tratamos como amigo' Oriana denuncia aquilo a que chama 'o Monstro'. Este 'Monstro', como um cavalo de Tróia, entra-nos portas adentro e, montando a nossa cobardia cúmplice, o nosso 'politicamente correcto' mais 'chic', há-de esmagar-nos e absorver-nos a todos.
Numa altura em que um papa tem que pedir desculpas por falar de paz, numa altura em que a bárbarie vence no mundo árabe, numa época em que todos os valores são relativos, a denúncia (de quatro anos!) de Oriana deve ser ouvida.
Por cobardia ou por alguma imaturidade adolescente tardia (tão em voga entre alguma intelectualite mais urbana com pretensões cosmopolitas), gostamos de minimizar qualquer pensamento, qualquer juízo, que nos pareça mais catastrofista.
Não iremos longe se, sem nos interrogarmos das causas do silêncio das pessoas sensatas dos países árabes, continuarmos a pensar que a liberdade é fácil, que são favas contadas, que é algo de imanente à Europa. Não é.
Não é assisado fazer decorrer da doença e de alguma senilidade desta jornalista a sua última batalha. Procure o leitor, em 'Inglês automático' ou em Italiano ler os factos antes das interpretações nas últimas palavras escritas desta grande mulher. Ela merece-o.

Em 'continue a ler' as primeiras linhas do referido artigo, em tradução mais ou menos livre cá da rapaziada da redacção.

De Londres
O Inimigo a quem chamamos amigo

A Europa está em Guerra tendo o inimigo dentro de casa. Churchill dizia: prometo-vos apenas sangue e lágrimas

Perguntam-me: “O que tens para dizer? O que pensas de Londres?”. Questionam-me de viva voz, por fax, por e-mail. Chegam a censurar-me por estar calada. Parece que o meu silêncio soa como uma traição. E eu abano sempre a cabeça e digo de mim para mim: o que mais posso dizer!? Há quatro anos que o digo. Insurjo-me contra o Monstro que está decidido a eliminar-nos fisicamente para assim , com o fim dos nossos corpos, acabar também com os nossos princípios e com os nossos valores. Com a nossa civilização. Há quarto anos que falo do nazismo muçulmano, da Guerra contra o Ocidente, de um culto de mulheres assassinadas, do suicídio da Europa. De uma Europa que já não é Europa, mas uma Eurabia gelatinosa, inerte, fraca, que com a sua submissão ao inimigo escava a sua própria tumba. Há quarto anos que como Cassandra me esmifro a gritar “Tróia renasceu, Tróia renasceu” e desespero como o Danae da Eneida de Virgílio que incitava uma cidade mergulhada no torpor. Pelas portas abertas da Europa entram mais e mais tropas que se juntam às hordas cúmplices já aqui instaladas. Há quarto anos que repito ao vento a verdade sobre o Monstro, sobre os seus cúmplices e sobre os seus colaboradores que em boa, ou em má, fé escancaram as suas portas. Tal como no Apocalipse do Evangelho de João, pelos seus passos se cobrirão de vergonha. Comecei a dizê-lo com a “A Raiva e o Orgulho”. Disse-o com “A Força da Razão”. Continuei a dizê-lo com “Oriana Fallaci Entrevista-se (?)” e com o “Apocalipse”. Entretanto editei “Acorda Ocidente, Acorda!”(?). Os livros e as ideias valeram-me um processo em França por racismo religioso e xenofobia. Por isto foi pedida a minha extradição para ser julgada na Suiça. Por isto, em Itália, intentou-se contra mim a acusação de crime por vilipendiar o Islão. (Para este crime está prevista uma pena de três anos de cadeia (…). […]

Publicado por Francisco Nunes em setembro 16, 2006 12:56 AM
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