outubro 17, 2006
Muitos espanhóis querem que sejamos todos espanhóis. Obrigado.
A notícia de que muitos espanhóis nos queriam como espanhóis, deixou a maior parte dos patriotas de serviço indiferente. O patrioteirismo futeboleiro -forma 'máxima' de expressão patriótica nos nossos dias-, muito previsivelmente esgotou a veia independentista da maior parte deles. É, infelizmente, normal. O pior de tudo é que é difícil explicar a muitos energúmenos que para se ser patriota não é preciso querer defenestar Vasconcelos... Será, antes de mais (e apesar da qualidade dos nossos políticos) gostarmos de nós mesmos e das nossas coisas.
Ora, a coisa (a União Ibérica) desta vez até é proposta de uma forma civilizada, pacífica e, digamo-lo, afectuosa (Mesmo que a rapaziada da SIC tenha querido dar, mal, uma acepção estritamente imperialista à expressão 'Espanha'). Limita-se a ser o resultado de uma encuesta, daquelas que os jornais levam a cabo para suprir a falta de vendas e a falta de assunto. Por estranha ironia, até há mais espanhóis defensores da União Ibérica (não serão, de certeza) todos empresários à procura de assegurar mais um mercado). Mais a mais, depois de consumada a anexação/integração económica na Península a veia 'galaró' dos nossos patrioteiros não tem como se exprimir. Não há como...
Quando Fernando e Isabel uniram os seus reinos e lhes chamaram Espanha, D. João II protestou veementemente essa intenção junto da Santa Sé.
Tinha toda a razão. 'Espanhóis', ao fim e ao cabo, são os habitantes de toda a Hispania. Chamar Espanha (Hispania) à Espanha actual é tomar a parte (Galiza, Leão, Navarra, Viscaia, Castela, Extremadura, Andaluzia, Aragão, Catalunha...), pelo todo (a totalidade da Península). Era assim há 500 anos e ainda é assim nos dias de Hoje.
Numa acepção meramente geográfica, portanto, todos os portugueses são espanhóis. Tomando esta acepção como inócua -sabemos que não o é- até podemos confessar que, depois de Portugal, não há país onde nos sintamos melhor do que em Espanha. O maior problema -o 'Problema'- é o espírito por trás da designação; o 'Problema' é a ideia, o conceito de Espanha enquanto realidade política e cultural única. Essa é uma ideia absorvente.
Tão absorvente que, a curto prazo, ou deixaríamos de ser portugueses -do que duvidamos muito- ou detestaríamos o centrismo castelhano e, pior ainda, os castelhanos -o que seria sinceramente detestável.
Amigos espanhóis, ficamos honrados com a pretensão, mas acreditem que é melhor para todos que estejamos cada um de nós na sua casinha. Dizemos nós...
Publicado por Francisco Nunes em outubro 17, 2006 06:19 PM
Muy bueno ;)
Luis de Camoens (s.XVI) ya decía que todos somos españoles, que la diferencia estaba entre ser portugués y castellano. ;)
Pero con la situación política española, no te preocupes qeu el "imperialismo castellano" -esto siempre me ha hecho mucha gracia, porque es de donde soy- no tiene mucho que hacer...